29.08.2014

O Refluxo do Bebê – Como evitar e tratar

Bebês, Saúde

bebe e mae_refluxo

Sabe aquela queimação que sentimos às vezes na garganta ou azia ? Esse incômodo pode ser chamado de “Refluxo Gastroesofáfico”, que nada mais é do que a volta do alimento, sólido ou líquido, do estômago para o esôfago.

Acomete adultos e crianças e causa muita irritação e desconforto no bebê, além de deixar a mãe extremamente estressada.

O esôfago é um tubo que conduz os alimentos da boca ao estômago. O refluxo gastroesofágico é a volta do conteúdo do estômago para o esôfago. Entre o esôfago e o estômago existe um tipo de músculo, chamado esfíncter, que deve permanecer fechado a maior parte do tempo, abrindo somente para a passagem dos alimentos, quando a gente engole. Algumas vezes o esfíncter se abre, independente das deglutições, e deixa passar conteúdo do estômago que volta para o esôfago. Isto é o “refluxo gastroesofágico”. Quando o esfíncter é fraco ou imaturo, ele não segura o alimento no estômago, que acaba voltando para o esôfago na forma de regurgitação ou vômito. Por isso, bebês prematuros apresentam uma incidência maior de refluxo do que os bebês nascidos a termo. O esfíncter esofagiano deles é mais imaturo e não se fecha direito.

Como no estômago existe um suco gástrico ácido, necessário para a digestão dos alimentos, o refluxo pode ser ácido causando muita queimação.

Todas as pessoas, adultos e crianças, apresentam um pouco de refluxo em certos momentos do dia, principalmente após as refeições. São períodos curtos, considerados normais.

Durante os primeiros meses de vida, os bebês comem com muita frequência e por isso têm, normalmente, mais refluxos. Afinal, eles estão quase sempre no período “após a refeição”. O refluxo pode ficar no esôfago, pode ir até a garganta ou sair pela boca. Neste caso, teremos o vômito ou a regurgitação. Conforme o esfíncter vai amadurecendo, o refluxo vai diminuindo.

É normal vomitar e regurgitar nos primeiros meses de vida, se a criança estiver ganhando peso adequadamente e que não tenha sintomas, tipo dor ou azia. Esses bebês são chamados “vomitadores felizes”, pois vomitam ou regurgitam e estão sempre bem, sem sintomas e crescendo normalmente.

Na maioria dos casos, o refluxo regride após os seis meses de idade quando o bebê começa a assumir uma postura mais ereta e com a introdução de alimentos sólidos.

Quando a frequência, quantidade e duração são exageradas, o refluxo é considerado uma doença e a criança não melhora após os seis meses de vida. A criança não ganha peso ou perde e pára de crescer.

A criança começa a apresentar irritabilidade, choro persistente, dificuldade para dormir, recusa de alimentos ou complicações relacionadas ao nariz, ouvido, seios da face e garganta.

Em casos mais graves, a criança pode apresentar uma apnéia (parada respiratória) ou aspirar o próprio refluxo (chegar aos pulmões), progredindo para uma pneumonia aspirativa. A apnéia está relacionada a refluxos graves. A criança reflui muito e muitas vezes e acaba incoordenando a deglutição e a respiração levando à apnéia.  Preste atenção se seu filho apresenta como sintoma chiado no peito.

Nas crianças mais velhas, os sintomas são de dor ou sensação de queimação no peito que se move até o pescoço (azia), gosto ácido ou amargo na boca, vômitos, episódios de tosse, arrotos e dor ao engolir o alimento.

Cuidados Básicos:

  • A manutenção do leite materno é essencial.
  • Colocar a criança em pé para arrotar após as mamadas por 20 a 40 minutos antes de deitá-la ajuda muito.
  • Quando a criança já toma leite artificial, às vezes, poderá ser necessário engrossar com farinha de arroz ou milho.
  • Fracionar a alimentação para que o estômago não distenda e o refluxo seja evitado é outro cuidado. A quantidade de alimento deve ser menor por vez e dada em mais vezes ao dia.
  • Em crianças maiores, alguns alimentos devem ser evitados como gorduras e frituras, chocolates, sucos cítricos (ácidos), café, refrigerante e iogurte.
  • A cabeceira do berço ou da cama da criança deve ficar elevada para que a ação da gravidade ajude o esvaziamento gástrico, assim como a posição de lado em cima do braço direito.

 

Tratamento:

Quando os casos são mais sérios, o tratamento exige medicamentos que irão agir aumentando a motilidade do esôfago auxiliando no esvaziamento gástrico e neutralizando a acidez.

A indicação de cirurgia hoje é pequena devido aos medicamentos e às medidas, na maioria das vezes, eficazes, de hábitos posturais e rotina alimentar do bebê.

 

Dra. Danielle Negri é Pediatra/Neonatologista  – Médica Supervisora UTI Neonatal Perinatal Barra
Consultório – (21) 2512-8409
dradani@daniellenegri.com.br – www.daniellenegri.com.br

Comentários no Facebook
1 Comentário
  1. Paulo Peres 26/05/2017 | 10:28

    Artigo muito bom para mães que procuram informações mais aprofundadas sobre refluxo.

    Responder
Deixe um comentário