20.03.2017

Seu filho não tem amigos? Veja como ajudar!

Bebês, Cuidados Diários, Educação dos Pequenos, Mamães & Papais

‘Ninguém gosta de mim’ ou ‘Ninguém me deixa jogar” são frases que provavelmente você já deve ter ouvido seu filho dizer. Se você já passou por essa experiência, sabe como é doloroso para a criança sentir que não tem amigos.

A amizade é tão importante para nós, quer sejamos crianças, adolescentes ou adultos.

Conversamos com a psicoterapeuta e parceira do blog, Mônica Pessanha sobre o assunto e ela nos contou informações super importantes da relação de amizade em cada fase dos nossos filhos. Confiram!

Kids With Ball

A maneira como lidamos com aquilo que está relacionado às amizades varia de acordo com o desenvolvimento da criança. As suas concepções de amizade vão variar e assumirão outras perspectivas a medida que vão amadurecendo, pois esse amadurecimento é o que vai acrescentar maior profundidade e significado à amizade.

Uma criança entre os 3-6 anos de idade, por exemplo, vê os amigos mais como companheiros momentâneos e sua ideia de amizade resume-se no fato de ela se divertir junta com outro amiguinho. Seu ciclo de amizade são de outras crianças convenientemente mais próximas e que fazem juntas as mesmas coisas de que gostam. Para as crianças dessa faixa etária, todas as crianças pensam da mesma forma que ela. Daí as briguinhas momentâneas ao descobrir que o amiguinho pensa diferente dela. Mas não é só as crianças de acima de 3 anos que se relacionam com os outros. Os bebês também, não ficam de fora da questão.

As crianças de até 6 meses, por exemplo, ficam animados quando veem outros bebês. Eles sorriem e fazem barulhos para tentar chamar a atenção do outro bebê e podem até engatinhar para se aproximar, mas tendem a tratar os colegas como brinquedos para explorar. Já dos doze aos 18 meses podem mostrar preferências visíveis por certos pares. Já são capazes de brincar com e de jogos simples como imitar uns aos outros ou pega-pega, o que mostra que eles têm pelo menos alguma capacidade rudimentar para entender a perspectiva de outra pessoa. O período de 2-3 anos de idade traz aquela fofura em que eles são gentis uns com os outros. Por exemplo, se eles veem um amigo chorando, tentam confortar esse amigo, oferecendo um cobertor especial.

Quando estão entre os 6-9 anos de idade, a ideia de amizade toma uma outra perspectiva. Nesse período, as crianças compreendem que a amizade vai além de qualquer atividade atual, mas eles ainda pensam em termos muito pragmáticos. Elas definem os amigos como crianças que fazem coisas boas para elas – como compartilhar um doce, guardar lugar no teatro ou cinema ou dar-lhes presentes legais. No entanto, elas ainda não consegue elaborar a ideia de que elas também contribuem para a construção dessa amizade. Essa perspectiva elas só passarão a ter a entre os 9-12 anos de idade e, às vezes, um pouco antes. Nessa fase, eles tem uma preocupação genuína entre eles, embora ainda não consigam se distanciar e no papel de observador, verificar os padrões de interação em relacionamentos.

É na adolescência – entre 13-18 anos, o período que talvez mais valorize as amizades. Nesse período, em termos de amizade, a preocupação principal do adolescente é ajudar o amigo a resolver os problemas que estiver enfrentando. Ele confia aos amigos os sentimentos e preocupações que não contam mais a ninguém. Além disso, demonstram uma preocupação sincera pelos amigos.

Ajudar nossos filhos a construírem amizades passa pela compreensão dessas fases e concepções que as crianças carregam sobre amizade em cada uma delas. Além de obter essa compreensão, em termos práticos, os pais podem fazer duas coisas importantes para ajudar a criança a fazer amizades. São elas:

  1. Ensine seu filho a dizer “Oi” – ensine a seu filho que um oi amigável, com contato visual é a forma mais eficaz de ajudar uma outra criança a sentir-se segurar de se aproximar e começar uma amizade.
  2. Ajude-o a ser bondoso -A bondade por menor que seja pode ser uma outra maneira de sinalizar boas intenções. Isso poderia significar emprestar um lápis a um colega de classe, ajudando-os a carregar alguma coisa, ou compartilhar um lanche. Bondade tende a suscitar bondade, e é uma das melhores maneiras de começar uma amizade. Você pode precisar ajudar seu filho a encontrar maneiras menos intrusivas de expressar boas intenções. Para aumentar as chances de que uma amizade vai crescer, as crianças precisam estender seus convites de amizade para as crianças que são suscetíveis de querer amizade.

Agora da próxima vez em que você ouvir a queixa de seu filho sobre o fato de não ter amigos, você já não se sentirá mais perdida, mas saberá, ou pelo menos, terá uma ideia de como agir.

 

Mônica Pessanha é psicoterapeuta de crianças e adolescentes, mãe da Mel, uma menina que adora desenhar, mantenedora das Brincadeiras Afetivas (Oficina terapêutica entre mães e filhos(as) – www.facebook.com/brincadeirasafetivas
Atende no Morumbi – SP – monicatpessanha@hotmail.com / (11)965126887 e (11)37215430 – Orientação e aconselhamento para pais por Skype.

 

22.02.2017

Amamentação: Você já ouviu falar em Apojadura?

Bebês, Cuidados Diários

A amamentação é uma fase de muitas dúvidas para as novas mães. Quem vê a mulher amamentando tranquilamente seu bebê não imagina que oferecer o seio ao filho pode causar certos desconfortos, que geram dor e ansiedade. Um desses desconfortos fisiológicos é o processo da Apojadura, que é a famosa “descida do leite”.

Nome estranho esse, né? Vejam todas as informações dessa fase super importante que a enfermeira especialista em amamentação, Paloma Brandão, passou pra gente.

apojadura amamentacao

A apojadura é a fase onde ocorre o preparo da mama para o início da produção do leite. As mamas aumentam sua capacidade em armazenar o leite e começa a alteração da composição do leite, passando da fase do colostro para a fase do leite de transição.

O que é apojadura?

Apojadura é o preparo da mama para a produção de leite que, geralmente, acontece até cinco dias após o parto. Neste período, as mamas ficam maiores e bem cheias, por igual, e algumas vezes quentes, causando incomodo e dor local.

Esse desconforto pode realmente incomodar. No entanto, é fundamental não desistir de amamentar, logo a mama vai estabilizando a produção do leite com a demanda do bebê. Realmente no período da apojadura o qual tem a duração de 2 a 3 dias a mama enche de leite muito rápido logo após a mamada, e a mama fica dolorida. Porém as mães devem ficar atentas em só manipular a mama no momento da mamada do seu bebê, ou seja, no período de 3 em 3 horas ou quando o bebê solicitar. Pois caso a mama seja massageada e ordenhada em períodos aleatórios, pode causar o efeito inverso, estimulando ainda mais a mama e aumentando o risco do ingurgitamento mamário (a famosa mama empedrada).

Como podemos minimizar o incômodo da apojadura?

A melhor coisa para a mulher se sentir confortável é massagear a mama antes de colocar o bebê para mamar. Assim, facilita para o bebê fazer a pega correta e garante que o mesmo irá esvaziar a mama, contribuindo para não ficar muito tempo o leite parado.

Se acontecer da mama permanecer edemaciada (inchada) na região da aréola, mesmo após a massagem, é importante  ordenhar um pouco a mama para daí oferecê-la à criança. Assim o bebê conseguirá fazer a pega correta, prevenindo o risco da fissura mamilar e garantindo o esvaziamento da mama.

Como realizar a massagem nas mamas? 

Com a polpa de 3 dedos comece fazendo a massagem suave em movimentos circulares iniciando ao redor de toda a aréola (parte escura da mama) e depois em direção à raiz da mama (próximo ao tórax), de forma circular, abrangendo toda mama. Realizando em seguida uma pequena ordenha da aréola para que esta fique bem macia, o que facilita a pega para o bebê.

Como identificar a apojadura?

É bastante comum confundir a apojadura com outros problemas que podem ocorrer nos seios da mãe, como o ingurgitamento mamário, que surge quando a pega do bebê está errada, então o bebê não consegue sugar todo o leite, e esta retenção de leite na mama gera o que conhecemos como leite “empedrado”.

A apojadura pode causar até um estado febril na mãe, porém ela se diferencia das outras alterações, pois não há presença de áreas avermelhadas nas mamas e não há inflamação local. A mãe vai observar que o bebê mamando e ela massageando a mama, logo os sintomas vão minimizando e aliviando o incomodo local.

 

Paloma Brandão é enfermeira Neonatologista especialista em amamentação / palomag.brandao@gmail.com / Instagram: @amamentandobem

 

08.02.2017

Como o desenvolvimento dos 5 sentidos influencia as habilidades dos bebês?

Bebês, Cuidados Diários

Com quanto tempo um bebê já sente cheiros, enxerga bem e escuta um barulho? Todos os sentidos são importantes para o desenvolvimento dos pequenos. Os bebês, apesar de terem capacidade, não nascem prontos para perceber a complexidade dos estímulos que recebem através de seus 5 sentidos, e tem que desenvolver estas capacidades através das experiências vividas.

A nossa parceira pediatra Dra. Danielle Negri preparou esse post super importante explicando tudo sobre o desenvolvimento dos 5 sentidos. Confiram!

Mother With Baby Doing Gymnastics And Fitness Exercises

As experiências se fazem através dos sentidos. O tato, por exemplo, é talvez o mais primitivo dos sentidos, está presente desde 6 semanas na vida intra-uterina. Após o nascimento o bebê vai sentir calor, frio, a textura das roupinhas, sensação ao toque, estímulos que vão criar experiências boas e ruins. Nesta idade a habilidade da mãe em diagnosticar a necessidade do bebê, satisfazendo suas necessidades pode determinar uma criança mais ou menos tranquila e com repercussões no seu desenvolvimento. O ninar do bebê, aconchegado no colo, sentindo outro corpo colado, vai dar paz e tranquilidade. Experiências sensoriais iniciais determinam a possível extensão da sensibilidade tátil e quanto mais estimulados forem os bebês, melhor será seu desenvolvimento sensorial durante a infância. O tato vai possibilitar ao bebê reconhecer o seio materno e a busca do alimento, vai permitir a organização espacial e organização de seu sistema neural.

É o contato com o mundo através dos sentidos que vai criar o aprendizado. Pelo paladar e olfato, o bebê vai conhecendo os sabores e cheiros dos alimentos, formando seus gostos e preferências. Através da audição aprende os sons, reconhece as pessoas, os ruídos, os sons dos brinquedos , interage com o ambiente e adquire uma gama de habilidades que vão se transformar em palavras e posteriormente na linguagem. Pela visão vai conhecer o mundo, as cores, as formas, os lugares e interagir com seu ambiente de forma plena, todas funções imprescindíveis para um desenvolvimento motor e cognitivo adequado.

– Qual a ordem de aquisição das habilidades motoras?

Com 2 meses os bebês geralmente já sustentam a cabeça.

Aos 3 meses o bebê gira na cama e vira de lado.

Aos 4 meses, senta com apoio, rola, gira no berço, passa objetos de uma mão para outra, leva objetos à boca.

Aos 6 meses já senta sozinho.

Engatinha aos 8-10 meses e fica em pé com apoio.

Entre 9 e 12 meses bebe começa a andar segurando em objetos e frequentemente anda sozinho.

– Como e quando acontece o desenvolvimento de cada um dos sentidos?

Tato – Segundo Lise Elliot, neurocientista, o toque é o primeiro sentido a emergir. Embriões com apenas 5 semanas e meia já tem este sentido e até a 12 semana, todo o corpo já sente.

Olfato e paladar– Sentir cheiro começa na 28 semana- no terceiro trimestre o feto já sente cheiro- sentir cheiro vai ajudar o bebe a reconhecer sua mãe após o nascimento. O paladar se desenvolve no terceiro trimestre da gravidez. Ao nascimento bebes já são capazes de distinguir- o que mais gostam que é o doce.

Audição- a partir do terceiro mês da gestação o feto já consegue ouvir o coração da mãe, sua voz , sons e músicas do ambiente. Entretanto o RN consegue ouvir mas não tem resposta organizada – chora aos ruídos ,se move e se conforta com sons suaves. A organização da audição é mais lenta, tanto que aos 4 meses o bebe já vira, presta a atenção e reconhece a voz. Aos seis meses inicia emite sons, “conversa” e interage, mostrando o desenvolvimento do aparelho auditivo.

Visão- Apesar de existirem evidências que o feto tem capacidade de responder á estímulos visuais, a visão é o sentido que tem seu desenvolvimento mais lento. O bebê tem um foco de cerca de 30 cm com pouca capacidade de adaptação, pouco reconhece cores e não tem noção de distancia. Aos 2 meses movimenta melhor os olhos e fixa mais atenção, aos 3 meses  já consegue focar de um lado para outro, perto ou longe e aos 6 meses ainda não coordena bem a musculatura ocular. Com um ano  já distingue as cores e a visão esta mais organizada em profundidade e orientação.

– Por que é importante deixar o bebê andar descalço?

Andar descalço propicia que a criança conheça mais acerca de seu corpo, veja como os dedos dos pés de movimentem e seu cheiro. Estimula as crianças a caminharem e faz com que a criança tenha mais experiências sensoriais, principalmente quando ela pisa na grama, na areia da praia ou em lugares com texturas diferentes. Ajuda na formação do arco da planta do pé, evitando os pés planos.

Alguns estudos mostram que o movimento do bebê através dos pés descalços pode melhorar o desenvolvimento intelectual.

– Como transformar o banho em importante experiência sensorial para o bebê?

A hora do banho é uma momento de alegria e diversão para o bebê. Esse é um momento em que o contato com a temperatura da água quente ou fria, o manuseio de brinquedos próprios para o banho e a experiência de bater na água e ver aquilo tudo se espalhar, tornam a experiência única.

Algumas dicas de brincadeiras podem tornar o momento mais fácil para a mãe e mais feliz para aqueles bebês que não curtem muito o banho como : comprar brinquedos que fazem bolhas (toda criança gosta de fazer bolhas); chuveirinhos temáticos que deixam o bebê mais entretido no banho (em forma de bichinhos engraçados e animais); brincar de “cadê o avião” que distrai muito a criança, principalmente na hora de lavar a cabecinha; macarrão de piscina cortado em pequenos pedaços promove o contato com textura diferente, boiam e fazem muito sucesso.

Outro aliado importante é a presença de um irmão ou irmã na hora do banho. Eles brincam juntos, interagem, jogam água um no outro e tornam o momento muito rico.

– Ter mobile no berço também ajuda? Existe lugar certo para colocar?

Móbile no berço é um excelente item, não só de decoração para o quarto, mas também funcional para o bebê, devido ás suas cores, texturas e diferentes materiais. Apesar de se pensar logo em estímulo visual que existe com as cores e movimentos do móbile, outros estímulos também são explorados.

A estimulação visual é item importante desse acessório. Nos primeiros dois meses de vida, o bebê não consegue focar adequadamente os objetos, fazer contraste e ter percepção de cores, portanto, deve-se explorar o preto e branco. Após essa fase, ele já destingue as cores, a visão vai ganhando contraste e nitidez. Esse é o momento em que as cores vivas e coloridas dos móbiles ganham importância.

O estímulo motor também é muito explorado com o móbile. No começo, o bebê acompanha o movimento com os olhos apenas. Mais tarde a criança já busca, intencionalmente, o contato com o móbile. Um toque nesse móbile produz movimentos que causam profundo alegria e prazer na criança. Portanto, é muito importante que o móbile esteja bem posicionado na linha média do bebê e na altura adequada para que ele consiga tocá-lo.

O estímulo auditivo também está presente no móbile. Hoje em dia, a maioria deles vem com sons e músicas que são excelentes para o relaxamento do bebê. A percepção do som e até a busca da fonte sonora são estímulos muito ricos para o bebê.

Trocar o móbile de lugar de tempos em tempos também é um importante estímulo para que o ambiente e as interações da criança com o que está ao seu redor construam diversas possibilidades de aprendizagem. Isso trará um desenvolvimento cognitivo e social muito mais eficaz para ela.

Desta forma, percebemos que o móbile é um excelente estímulo para o desenvolvimento neuropsicomotor da criança.

 

Dra. Danielle Negri é Pediatra/Neonatologista – Médica Supervisora UTI Neonatal Perinatal Barra
Consultório – (21) 2512-8409
daninegri@perinatal.com.br – www.daniellenegri.com.br

Page 3 of 2412345