16.01.2017

Coração apertado nas férias

Bebês, Mamães & Papais, Saúde, Viagens, Vida de Mãe

Os dias são lindos e felizes na Disney. Mas hoje queria falar sobre os dias difíceis que vivemos lá.

Resolvi dividir com vocês porque talvez ajude alguém em alguma situação dessas. Na verdade eu espero que ninguém nunca passe por isso…mas…vamos lá.

Estávamos na primeira semana de uma viagem de férias em Orlando com os filhos. Fomos preparados para um frio enorme, afinal de contas, é inverno.

Chegamos e estava muito calor. Todos os casacos ficaram guardados na mala.

Fomos a semana toda de short e regata passear, parecia verão…

De repente de um dia pro outro, acordamos e estava 2 graus! Oi?
Isso mesmo!!!! A temperatura caiu completamente e de repente.

Se a gente sente uma coisa dessas imagina as crianças. No mesmo momento começou uma tosse e um mal-estar em todo mundo que estava na viagem com a gente.

Mas o que mais sentiu foi o Bento, nosso filho (de 10 meses).

Ele começou a respirar estranho e a tossir com um barulho que parecia um cachorro latindo. Não era uma tosse normal, seca ou com secreção…a gente conhece tosse! Era uma coisa muito estranha, um barulho que parecia aquele macaquinho que a gente tinha quando era criança, Murph, quem lembra?

Eu fiquei intrigada, mas até ai tudo bem.

Não levamos ele para passear nesse dia, pois pensei ser uma gripe e achamos melhor deixá-lo em casa.

Mas o coração de mãe não falha e eu comecei a ficar preocupada com ele e resolvi voltar pra casa.

Quando chegamos ele tinha piorado muito, a tosse aumentando e de repente começou a faltar o ar. Ele respirava e o ar não vinha!!

Que desespero!

Liguei pra uma amiga que mora em Orlando e tem dois filhos (mãe sempre lembra de outra mãe nessas horas) e ela me indicou ir num hospital de crianças. Um pouco distante, mas que seria mais eficiente.

Lá fomos nós, muito nervosos com o bichinho sem ar dentro do carro.

Chegamos no hospital 40 minutos depois (se chama Arnold Palmer Childrens Hospital) e ele já estava roxo.

Entrei desesperada com ele no colo enquanto o marido estacionava o carro.

Não vinha uma palavra em inglês na minha cabeça! Um bloqueio de nervoso que nunca imaginei ser possível!

Não falo inglês fluente, mas me viro bem! Nesse momento não vinha nenhuma palavrinha…Tilte completo no cérebro.

A moça da recepção me deu um papel e eu escrevi o nome dele e a data de nascimento. Só.

Rapidamente já fomos atendidos por uma enfermeira que começou os primeiros socorros, depois nos encaminharam pra um quarto, explicamos tudo pra médica, o Bento foi se acalmando, nós também…

A médica já no início da conversa nos disse que ele tinha “Croup” . Sem nem examinar muito. Ou seja, desde o início já descobri que era uma coisa comum aqui esse tal de “Croup”.

Fizeram uma nebulização com algum tipo de remédio, ele foi voltando ao normal, recuperando o ar e nós o nosso…

Eles nos explicaram o que seria o tal do Croup: uma inflamação nas vias respiratórias, que normalmente se dá por vírus. Isso gera uma dificuldade na laringe e traqueia de respirar, to falando de maneira bem leiga mesmo, os ternos técnicos não ser dizer, e isso também é desesperador. Eles falavam os termos em inglês e nós íamos no tradutor pra tentar entender melhor as palavras.

Se já é difícil ver seu filho nessa situação no seu país imagina num outro com as pessoas explicando as coisas em outra língua? Nossa senhora…

Continuando, eles fizeram a inalação com epinefrina e deram um remédio (que chamam de esteroide, que é a corticoide). E um pra febre, muita febre. Tipo 40 graus.

Com tudo mais calmo, umas 3 horas depois, a médica veio e disse:
“Bom pessoal, Bento já está melhor, podem voltar pra casa. Se ele tiver febre, Tylenol. Ok? Bye”

Mas….moça, pelo amor de deus! E um remédio pra isso que ele tem? Não?

E ela respondeu: “Não. Aqui não damos remédio pra dar em casa. Vai embora e coloca ele no “fresh air”, do lado de fora de casa mesmo ou abre a porta da geladeira/freezer e deixa ele respirando um pouco lá! É virose, tem um ciclo, vai passar… Se ele piorar você volta.”

Entendeu?

Gente, que desespero!!!

Fomos embora tensos com o bebê com muita dificuldade de respirar e com aquela tosse bizarra.

Sempre em contato com a pediatra no Brasil que também ficou um pouco de mãos atadas porque não pode receitar nada de longe. (aqui eles não vendem nada sem receita médica, nem soro fisiológico)

Ele ficou melhor…durante 2 horas.

À noite foi um pesadelo, acordava sem conseguir respirar direito o tempo todo.

Quando acordamos, ele estava com aquela tosse cada vez mais forte e de repente foi ficando sem respirar, o ar não entra, e ele foi ficando vermelho e roxo e…..

Saímos correndo para o hospital de novo.

Já cheguei chorando…não conseguia parar de chorar.

Ok. Atenderam a gente de novo no mesmo processo da primeira vez….

Tudo igual.

Inalação, esteroides, remédio…

Ele foi melhorando.

Passava um tempo ele ficava nervoso começava a chorar e lá vinha uma crise de falta de ar de novo.

Meu deus, que desespero gente!

Eu tava tão arrasada que a médica pediu um serviço de tradutor. É assim: você fica com um telefone no ouvido e ela também, ela fala em inglês pra um cara, ele traduz pra mim o que ela falou eu respondo em português pra ele e ele traduz pra ela em inglês. E assim conversamos durante um tempo.

Esse serviço você pode solicitar na sua entrada no hospital, mas óbvio que ninguém sabe. Só nesse caso de desespero e quando alguém tem a boa vontade de ajudar uma mãe aflita.

Entendi melhor os termos técnicos do que ele estava tendo e das medicações que ele estava tomando.

Insisti pra que ela fizesse alguma coisa que fosse mais contínua e ele melhorasse e não que ela mandasse ele pra casa daquele jeito…

Não há o q fazer. Entendi nas duas línguas isso!

Aqui eles agem de forma diferente da nossa e temos que entender isso, né?

E lá fomos nós embora pra casa de novo. Com a sensação de impotência de não poder fazer nosso filho ficar bem e ter que passar por isso sabe lá deus quanto tempo.

Comecei a falar com várias pessoas que conheço pra ver se alguém tinha um remédio que a pediatra do Brasil disse que melhoraria muito a situação. (O nome do remédio é Predsim, nunca mais viajo sem! Consulte seu médico). Uma santa alma tinha.

Até que a médica da amiga que indicou o hospital sugeriu uma pediatra brasileira.

Gente. Sério.

Meu coração se encheu de uma força saber que alguém ia fazer alguma coisa pelo meu filho.

Marcamos uma consulta no dia seguinte cedinho.

Lá fomos nós. O bichinho mal de novo.

Na consulta conhecemos Dra. Flavia Fioretti. Eu nem sei dizer o alívio que eu senti já na hora que ela abriu a porta e disse:

“Oi Bento! Vamos fazer você melhorar tá?”

Ôoooh Dra, você pegou meu coração, fez um carinho nele e colocou de volta.

Ela examinou, explicou tudinho na nossa Língua, tirou todas as nossas dúvidas e entendemos que o tratamento do hospital uma hora até ia melhorar, mas ele ia ficar sofrendo (e nós também ) alguns dias.

Então ela começou um novo tratamento. Com uma regularidade, tomando remédio de tanto em tanto tempo, nebulizando (a clinica dela emprestou o nebulizador, já que aqui eles não vendem em lugar nenhum).

Enfim, voltamos pra casa, começamos o tratamento que ela passou e assim ele foi melhorando aos poucos….

A febre foi espaçando até acabar, a respiração foi melhorando, nós fomos nós acalmando e nosso pequeno foi voltando ao normal…

Ufa. Que alívio pessoal.

Com isso adiamos nossa volta em 1 semana. Pra que ele ficasse bem pra viajar de avião, como indicou a Dra Anja.

E chegou a hora de voltar pra casa.

Com o coração calmo, com a família unida e saudável.

Tiramos várias conclusões que vou contar pra vocês.

1- Não economize no plano de saúde. Ele vai te ajudar muito numa situação como essa! Nós fizemos o April,
www.aprilbrasil.com.br e eles foram sensacionais.

2- Viajar com uma agência de viagens ajuda muito nessas horas. No perrengue o meu agente ficou resolvendo tudo pra mim! A minha é www.pride.tur.br.

3- Evite ir nessas clínicas de rua nos bairros… vá para uma emergência de hospital, de preferência especializado em crianças.

4- Procure uma pediatra brasileira aonde você estiver.

5- Leve alguns remédios importantes pra viagem. (Veja com a sua pediatra)

6- Respire fundo e seja forte. Nossos pequenos tem que nos ver fortes nas situações de dificuldade.

Queria agradecer demais as pessoas que nos ajudaram…

A Fe Pontes e o Diogo, a Dra Eliana (nossa pediatra do Brasil), a Caca e a Regina da @bibidi_boo ,a Geise, a Cris, a Brunella, a Ju Zanon, a Tathi, a Dra Wendy, o Bruno, a Tania, o Paulo Ricardo da agência de viagens que quase ficou doido rs e principalmente a Dra Flavia, que eu nunca vou conseguir agradecer o seu carinho e atenção com a gente Dra, Obrigada pra sempre.

Aos amigos, a galera no meu trabalho e nossas famílias que mandaram todas as energias possíveis pra que tudo passasse logo…

Estamos chegando tá?

Tá Tudo bem.

E pra vocês que leem o blog quero que saibam que esse post foi feito com todo meu amor pra que vocês nunca passem situações assim com os pequenos e caso aconteça,que esse texto ajude de alguma forma….

Orlando, eu te amo tá? Se decide aí se tá calor ou se tá frio e me avisa que eu já já To de volta! ❤

Saúde e amor pra vocês.

Um ano cheio de momentos de alegria!

fernanda rodrigues eua filho bento

medico orlando eua pediatra

Fernanda Rodrigues
01.11.2016

Bebê que dorme no quarto dos pais tem menor risco de morte

Bebês, Saúde

baby in her crib

Seu bebê dorme no quarto com você ou no quartinho dele?

A Academia Americana de Pediatria recomendou recentemente que recém-nascidos devem dormir no mesmo quarto que seus pais, mas em seu próprio berço.

O alerta é para reduzir os riscos de mortalidade relacionados com o período de sono, como a síndrome da morte súbita do lactente (SMSL).

Segundo as novas recomendações, com essa prática, o risco de morte cai pela metade. Por isso, pelo menos durante os seis primeiros meses de vida e, se possível, até o bebê completar um ano de idade deve dormir no mesmo quarto, mas num berço próprio, pertinho da cama dos pais.

O relatório da AAP recomenda ainda deitar os bebês de barriga para cima em uma superfície firme no berço, coberta com um lençol esticado, sem cobertores, travesseiros ou bichos de pelúcia que possam cobrí-los e gerar super aquecimento. Estudos mostram que objetos moles são perigosos inclusive para os bebês maiores de quatro meses. E que colocar o bebê para dormir com a barriga para cima reduziu 53% a mortalidade por morte súbita entre 1992 e 2001.

21.10.2016

Amamentação: Já ouviu falar em Translactação e Relactação?

Bebês, Saúde, Saúde, To Grávida

Gravidinhas e mães recentes, esse post é pra vocês. Todas nós sabemos da importância do aleitamento materno e hoje vamos destacar aqui as vantagens das técnicas de amamentação chamadas de Relactação e Translactação.

Nunca ouviu falar? Essas técnicas são super comuns de serem feitas através de uma sondinha que ajuda – e muuuito – a amamentação, estimulando a produção do leite materno.

Conversamos com a enfermeira especialista em amamentação Paloma Brandão para entender como funciona e ela escreveu esse texto com dicas super importante pra ajudar vocês. Confiram!

translactacao_amamentacao_bomba_relactacao

O leite humano provê ao recém‑nascido não apenas os nutrientes para o crescimento, mas uma gama de componentes moduladores do desenvolvimento neonatal, sendo amplamente recomendado pela Organização Mundial da Saúde. Assim, todos os esforços devem ser feitos para garantir a produção do leite materno e o contato pele a pele da mãe com o seu bebê.

E um dos passos para alcançar o aleitamento materno caso for preciso, é usar métodos alternativos à mamadeira pelo menos até o completo estabelecimento da amamentação e somente usar bicos ou chupetas por motivos justificados.

Com isso, um método bastante utilizado para complementar o aleitamento materno é a técnica de Translactação ou Relactação, quando por algum motivo, o recém-nascido precisa ingerir uma quantidade de leite conforme prescrição do pediatra, este leite é ofertado para o bebê enquanto esta amamentando em seio materno.

Como funciona?

A translactação e a relactação são técnicas semelhantes, porém, a diferença é que a translactação usa somente o leite materno ordenhado previamente e a relactação usa o leite artificial prescrito pelo médico.

Esta técnica de ofertar o complemento consiste em colocar o bebê ao peito abocanhando mamilo e aréola para mamar e através de uma sonda que é colocada no cantinho da boca do bebê faz com que ao sugar o peito da mãe o leite da mamadeira é sugado simultaneamente. Desse jeito o bebê não larga o peito, e a sucção ajuda a estimular a produção de leite da mãe.

Como é a preparação para realizar a translactação/relactação?

Colocar o leite dentro de uma mamadeira sem a tampa, inserir uma sonda descartável de aspiração gástrica número 4 (vendido em farmácias ou em lojas de produtos hospitalares) com a extremidade mais grossa dentro da mamadeira. Caso a mãe esteja sozinha é importante fixar entre os seios uma pequena fita adesiva para segura a sonda e colocar a mamadeira entre os seios com o sutiã. A ponta mais fina da sonda é inserida no cantinho da boca do bebê enquanto ele suga no seio materno. Com isso o bebê será alimentado com a quantidade de leite necessária para o seu crescimento, seguindo as recomendações do pediatra, porém não vai ter o risco de confundir os bicos. E os estímulos da sucção, o olhar do bebê próximo ao rosto da mãe e o contato pele a pele favorecerão para a liberação dos hormônios contribuindo para a produção do leite materno.

Como retirar o leite materno? 

A técnica da ordenha manual pode ser uma opção para retirada do leite materno para utilizar na técnica da translactação. É importante sempre ordenhar a mama que não foi ofertada na mamada. Segue o passo a passo da ordenha manual:

▶ Higienizar as mãos com água e sabão antes de iniciar;

▶ Comece fazendo massagem suave e circular nas mamas, iniciando ao redor de toda a aréola (parte escura da mama) e depois de forma circular, abrangendo toda mama. Massageie as mamas com as polpas de 3 dedos;

▶ Primeiro coloque os dedos polegar e indicador no local onde começa a aréola (parte escura da mama);

▶ Firme os dedos e empurre para trás em direção ao corpo;

▶ Comprima suavemente um dedo contra o outro, repetindo esse movimento várias vezes até o leite começar a sair;

▶ Despreze os primeiros jatos ou gotas e inicie a coleta no frasco.

A outra opção para retirada do leite materno é através da bomba da ordenha, que também deverá passar pelo processo da massagem, e depois colocado a bomba no seio materno. Este processo com a bomba é importante não ultrapassar 20 a 30 minutos, pois pode estimular mais que o necessário a produção de leite.

Armazenamento e validade do leite ordenhado: 

O armazenamento deste leite materno, independente da forma de retirada do leite, é importante atentarmos para a validade e forma de armazenar. O leite materno na geladeira tem validade apenas de 12 horas a partir do momento da ordenha, de preferência na primeira prateleira e nunca na porta da geladeira. E o leite armazenado no congelador tem a validade de 15 dias. No frasco do leite, é preciso anotar a data e horário da primeira retirada do leite, e caso for necessário pode acrescentar no leite congelado outra quantidade de leite ordenhado em horários diferentes, porém o que estará valendo é a data/ horário da primeira vez.

No momento de oferecer este leite retirar o leite materno do congelador e descongelar na geladeira. O leite da geladeira poderá ser descongelado na temperatura ambiente ou colocar o frasco com leite, em um recipiente com água morna e deixar esquentar em banho-maria.

Independente de qual tipo de leite (fórmula artificial ou leite materno) que será utilizado na técnica, o importante é lembrarmos que estamos contribuindo para o bebê ter uma alimentação saudável e desenvolvendo o contato e afeto com a sua mãe com muito carinho e amor.

 

Paloma Brandão é enfermeira Neonatologista especialista em amamentação / palomag.brandao@gmail.com / Instagram: @amamentandobem

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