28.12.2016

Seu filho sabe que antes de vencer ele pode falhar?

Educação dos Pequenos, Mamães & Papais
Como pais queremos que os nossos filhos sempre vençam e não sofram com perdas, falhas e tristezas. Mas, por outro lado, precisamos mostrar também que é possível errar e começar de novo; que não conseguir algo não significa uma derrota. Eles precisam saber que é normal cometer erros, concordam?
Mas como achar esse equilíbrio? Vejam que interessante o texto da nossa parceira psicóloga Mônica Pessanha sobre como devemos agir em situações de falhas à medida que nossos filhos crescem.
Upset problem child with head in hands sitting on staircase conc

Recentemente minha filha chegou em casa e relatou-me uma experiência que aconteceu com ela na escola. Na aula de xadrez havia uma competição, no último instante do jogo, ela foi a responsável pelo movimento estratégico da peça que poderia garantir ao grupo a vitória. Infelizmente, sua jogada não foi tão estratégica assim e o time acabou perdendo o jogo. Indignadas as amigas do time param de falar com ela. Daí perguntei para minha filha o que ela respondeu e como ela reagiu. Ela afirmou para as amigas que perder também faz parte do jogo, mas as meninas disseram que não sabiam perder.

Esse episódio nos serve de alerta para uma questão crucial na atualidade: estamos acostumados a sempre ver o sucesso das pessoas como resultado final e não como processo. Nós enxergamos o imediato, aquilo que nos olhos nos mostram no momento. Nós não queremos saber como foi o processo e se caso estivéssemos interessadas, ficaríamos surpresos de saber que houve muitas derrotas antes. O fato é que, nós, adultos e em especial, pais acabamos transmitindo essa forma de pensar a nossas crianças.

Como pais queremos que nossos filhos experimentem todas as coisas que não tivemos a oportunidade de experienciar. Ao mesmo tempo, também não queremos que nossos filhos experimente as dores, tristezas e decepções  que passamos. A pergunta é: como achar o equilíbrio entre esses dois polos?

Primeiramente, é preciso lembrar que nossos filhos precisam de altas expectativas. No entanto, tenha em mente que as crianças devem alcançar essas expectativas utilizando o máximo de sua capacidade. Nesse processo, precisamos lembrá-las de que é possível errar e começar de novo; que não alcançar uma meta agora não significa que ela jamais será alcançada. É claro, que não vamos gerar baixa expectativas para nossos filhos para que consigam alcançar o que desejam mais facilmente. Isso seria muito ruim. Mas é preciso lembrar que há uma diferença entre esperar o melhor e demandar o melhor. A diferença é a nossa reação. Seu filho sabe que é normal cometer erros? Sabe que pode corrigi-los?

Em suma, qual é a grande mensagem aqui que vocês como pais devem ter em mente? O pintinho precisa quebrar a casca do ovo sozinho. É isso que vai dar forças para ele. Mas como devemos agir como pais à medida que nossos filhos crescem? Em muitos momentos, precisamos dar um passo atrás e deixar que nossos filhos obtenham a força necessária para enfrentar os desafios da vida, mesmo que isso possa nos machucar um pouco.

 

Mônica Pessanha é psicoterapeuta de crianças e adolescentes, mãe da Mel, uma menina que adora desenhar, mantenedora das Brincadeiras Afetivas (Oficina terapêutica entre mães e filhos(as) – www.facebook.com/brincadeirasafetivas
Atende no Morumbi – SP – monicatpessanha@hotmail.com / (11)965126887 e (11)37215430 – Orientação e aconselhamento para pais por Skype.

14.11.2016

“Mãe, estou falando com você!” – Saiba tudo sobre o método de Escuta Ativa

Educação dos Pequenos, Mamães & Papais

Toda mãe conhece bem os filhos. Somos capazes de reconhecer o choro deles de longe, somos capazes de saber se o olhar caído é de tristeza ou se estão começando a ficar doentes. Também podemos saber ser nossos filhos estão mentindo. E esse dom quase que mágico faz de nós mães poderosas.

Mas à medida que as crianças vão crescendo e a correria da vida vem chegando, compreender as crianças e suas questão quase sempre se torna uma tarefa difícil.

Muito tem se falado muito do método de escuta ativa, e de fato ele pode ser um aliado perfeito na hora de educar os pequenos. Vocês conhecem esse método? A técnica chamou a atenção recentemente por ser muito usada pelo príncipe William e Kate que se abaixam sempre para falar com George.

A psicóloga Mônica Pessanha, parceira do blog, explicou tudo pra gente sobre a escuta ativa. Super interessante! Confiram!

escuta-ativa_willian-e-kate

escuta-ativa_willian-e-kate2

O método da escuta ativa pode ajudar a compreender a birra, aumentar a autoestima e estreitar laços afetivos. Por que ouvir é uma das habilidades mais importantes que se pode ter? É que essa habilidade está associada à qualidade de seu relacionamento com os outros.

Geralmente,  ouvimos para obter informações, para aprender, para compreender e para apreciar. Claramente a escuta ativa é uma habilidade da qual todos nós podemos nos beneficiar. 

Ela consiste em falar com a criança na altura dela e fazer esforço consciente para ouvir não só o que está sendo dito, mas o que não está sendo falado; tudo que está acontecendo ao redor. Na prática, você deve abaixar para falar caso a criança seja pequena, mas não é o fato de abaixar que torna o método da escuta ativa tão especial, mas o de ao se abaixar você se disponibilizar para compreender o que a criança está querendo dizer. Esse ato de disponibilizar-se para compreender a criança é um ato de generosidade, o que faz com que ela se sinta amada e compreendida.  Com a correia do dia-a-dia , quase sempre os pais apenas falam com os filhos, e falar é muito diferente de conversar. Em uma conversa em que ouvimos, compreendemos, ensinamos e educamos. Nesse método, distrair-se enquanto fala com a criança não será permitido. Você terá que ter foco, até para que se faça a pergunta certa e argumente da maneira mais eficaz. Se os pais quiserem de fato usar esse método, eles não se permitirão cansar. Parece difícil, né? Mas não, é bem simples!

Para melhorar as habilidades de escuta é importante deixar a outra pessoa saber que você está ouvindo o que ela está dizendo. Basta seguir essas dicas práticas:

1- Preste atenção 

Abaixe-se na altura da criança e olhe nos olhos dela. Ponha de lado pensamentos alheios.

Não tenha uma frase pronta ou um bronca, espere a criança falar mais.

Observe a linguagem corporal, pois as crianças quando estão com medo tendem a tentar abraçar enquanto falam com os pais. Quando estão com raiva, tendem apertar os dedos e, cansadas, fazem manha.

2- Mostre que você esta ouvindo

Use a sua própria linguagem corporal e gestos para transmitir a sua atenção.

Sorria e reforce suas expressões faciais. Se estiver brava mostre pelo olhar, deixe a ver que sua expressão muda quando algo não a agrada.

Observe sua postura e certifique-se de que você está aberta e receptiva.

Incentive a criança a transformar sentimentos em palavras, como: “me parece que você está com raiva porque não te dei o doce que você queira, é isso que vc esta sentido? Ou: “sinto que você ficou feliz por ter feito o gol no treino” .

3- Faça um feedback para a criança

Nossos filtros pessoais, suposições, julgamentos e crenças podem distorcer o que ouvimos. Como ouvintes, o seu papel é o de compreender o que está sendo dito. Isso pode exigir que você pare para refletir o que está sendo dito e fazer perguntas.

  • Refletir o que foi dito parafraseando.”O que estou ouvindo é” e “Parece que você está dizendo,” são ótimas maneiras de refletir de volta.

– Faça perguntas para esclarecer alguns pontos.”o que você quer dizer quando diz…”. “É isso que você quer dizer?”

– Sintetizar os comentários é importante, pois isso ajudar a reforça o que é necessário no diálogo. 

4- Responder adequadamente 

A escuta ativa é um modelo de respeito e compreensão, mas também  a obtenção de informações e perspectiva. 

– Seja Franco, aberto e honesto em suas respostas.

– Afirme as suas opiniões com respeito.

– Trate a criança da forma que você gostaria de ser tratada.

O ponto chave do método é lembrar que seu objetivo é ouvir o que a outra pessoa está dizendo, separando todos os pensamentos e comportamentos e concentrando-se na mensagem.

Nós compreendemos que a escuta ativa é uma habilidade muito sofisticada que pode levar anos para dominar, até porque a maioria dos pais não foram criados com esse método. No entanto, vale o esforço em tentar colocá-la em prática, pois  a transformação que ela pode levar no lar ou em qualquer outro ambiente é incrível.

Mônica Pessanha é psicoterapeuta de crianças e adolescentes, mãe da Mel, uma menina que adora desenhar, mantenedora das Brincadeiras Afetivas (Oficina terapêutica entre mães e filhos(as) – www.facebook.com/brincadeirasafetivas
Atende no Morumbi – SP – monicatpessanha@hotmail.com / (11)965126887 e (11)37215430 – Orientação e aconselhamento para pais por Skype.

29.08.2016

Seu filho não sabe perder? 6 dicas práticas para ajudar a criança a lidar com a perda

Educação dos Pequenos, Mamães & Papais

As crianças sentem muitas emoções e, muitas vezes, de um minuto para o outro vão da alegria para a frustração. A vida é muito difícil para uma criança gerir…

Sem dúvida, a frustração é inevitável, e algum dia a criança terá que enfrentá-la, mas se ocorrer em excesso pode prejudicar a auto-estima. Saber lidar com as frustrações dos pequenos é importante para ajudá-los a saber perder.

Vejam o texto de hoje super interessante da psicóloga Mônica Pessanha, parceira do blog, sobre como lidar com a frustração dos nossos filhos.

Little Child Boy Wall Corner Punishment Sitting

Mas o que é frustração? Podemos defini-la como um sentimento que ocorre quando algo esperado não se concretiza. Essa emoção é natural da vida. Ela ocorre em todas as idades, e é um aspecto importante do desenvolvimento emocional da criança. No entanto, não há passe de mágica que faça a criança lidar com a frustração de um hora para outra! Lidar com a frustração é um processo de aprendizagem contínua.

Os pais devem permitir que as crianças expressem todos os seus sentimentos, lembrando que são eles que irão mostrar às crianças as formas aceitáveis de expressar tais sentimentos.

Fortes sentimentos como a frustração e as explosões de raiva diante da perda não devem ser negados, no entanto, eles devem ser vistos como um sinal para ensinar aos pequenos a lidarem com essas emoções.

Ao jogar com crianças percebe-se rapidamente a primeira lição: para elas, ganhar é importante. Para a maioria das crianças e até para muitos adultos a questão não é ganhar a recompensa apenas, mas vencer. Isso lhe dá prazer! De algum forma ajuda a sentir-se forte em relação aos outros, e no curso natural da vida, essa sensação é essencial para a auto-estima, porque vencer envolve superação, como aprender a escalar, pular, reconhecer palavras e números, bem como conquistar amigos e influenciar os outros.

Parece que o que aperta o coração dos pais nesse jogo de ganhar e perder, é que os pequenos sentem muito mais a perda do que o ganho. Algumas pessoas podem até pensar que as crianças que não sabem lidar com a perda, são crianças mimadas, mas não são.

O que fazer então para ajudar a criança a lidar com a perda de forma prática?

1) Permita que seu filho tenha experiências de perdas 

Primeiro, os pais devem lembrar que a capacidade de aceitar a derrota, não é aprendida a partir de instruções, mas a partir de vivências. Também não ensinamos as crianças a lidarem com a frustração deixando elas ganharem nos jogos. Os pais não devem proteger os filhos da frustração, embora ver os filhos triste cause uma sensação desconfortável. Viver a frustração é um aprendizado importante para que a criança adquira novos conhecimentos e comportamentos. Assim como em diversas situações da vida, ela entenderá como terá que ser forte para superar as dificuldades.

2) Exercite com jogos de tabuleiro

Os jogos de tabuleiro são ótimos para ensinar os pequenos a lidarem com a intolerância e a frustração. Durante o jogo, as crianças aprendem a se revezar, concentram-se e lidam com os altos e baixos emocionais. E os pais tem a oportunidade de ajudá-los a processar a situação e resolver problemas em conjunto.

3) Atenção às regras 

É possível ver as crianças tentando criar novas regras para diminuir o nível de frustração, isso é natural da vida, mas vale relembrá-las que regras existem para que possamos conviver com os outros. Ajude- os a verbalizarem o que estiverem sentindo, faça pausas no jogo e pensem juntos sobre soluções para o problema.

4) A importância do espírito desportivo

Mais uma coisa bacana de ensinar as crianças é o sentimento desportivo. Os pais podem ensinar seus filhos a parabenizar o vencedor, assim ela vai criando um comportamento generoso para com os outros. Às vezes, os pais vão precisar mudar o foco, evidenciando o quanto perder também é importante, e que jogar por si só é muito divertido.  Explique que o jogo é como o bolo e ganhar é como comer o bolo com a cereja do topo. É saboroso, mas o bolo pode ser apreciado sem a cereja também. É muito importante oferecer elogios positivo sempre que a criança lidar bem com a perda, principalmente se ela tentou ganhar sem quebrar as regras.

5) Buscar entender os motivos da perda

Conversar com os pequenos sobre porque perdeu, também ajuda muito nesse processo. Em relação à perda, é importante ensiná-las que às vezes perdemos porque nossas habilidades não são tão boas quanto as de nossos adversários ou porque talvez nesse dia a sorte não estava do nosso lado. Por último, e não menos importante, às vezes porque não jogamos dando o nosso melhor. Essas formas de racionalizar a perda pode ser um grande trunfo para lidar em várias outras situações da vida, como baixo desempenho escolar, não ter o brinquedo que quer, etc.

6) Evite excessos de cobranças e expressão de raiva

Se os pais reagirem também com raiva e frustração quando seus filhos experimentarem a sua própria frustração, a situação pode ficar ainda pior. Isso funcionará como um palco para uma confusão negativa das emoções, potenciais para birras ou outro “comportamento de oposição”, terminando em desespero total. Os pais vão dar um exemplo muito mais saudável se responderem à frustração dos filhos com uma voz calma e suave, oferecendo maneiras que podem ajudá-los a lidarem com suas emoções. Esta solução pode proporcionar uma calma instantânea.

Para finalizar, gostaria de lembrar que a frustração começa como uma emoção boa, porque quando ficamos frustrados, estamos motivados para remover o obstáculo que está bloqueando o nosso caminho em direção a nossos objetivos. É como se a criança se esforçasse mais e percebesse que o esforço extra resulta na limpeza do caminho que  permite continuar a busca seus nossos objetivos.

Mônica Pessanha é psicoterapeuta de crianças e adolescentes, mãe da Mel, uma menina que adora desenhar, mantenedora das Brincadeiras Afetivas (Oficina terapêutica entre mães e filhos(as) – www.facebook.com/brincadeirasafetivas
Atende no Morumbi – SP – monicatpessanha@hotmail.com / (11)965126887 e (11)37215430 – Orientação e aconselhamento para pais por Skype.

Page 2 of 1512345