05.08.2016

Mães Brasileiras pelo Mundo: Indiana – EUA

Mamães & Papais, Viagens

No Mães Brasileiras pelo Mundo de hoje quem conta um pouquinho do seu dia a dia com filhos em Indiana, nos EUA, é a Luciana. Ela mora há 12 anos lá nos EUA, é casada com um americano, e tem duas filhas – Isabella, que acabou de completar 10 anos, e Sophia que fará 6 anos em agosto.

Vejam que interessante o que ela conta sobre a relação mais profissional com os médicos (e não muito pessoal como vemos no Brasil), detalhes sobre como funciona o seguro saúde para eles, as atividades ao ar livre no verão, as diferenças na licença maternidade e férias. Confiram!

brasileira mora EUA

Eu me formei em Engenharia Química no Brasil, e vim para os EUA 6 meses após minha formatura para fazer mestrado – em Julho de 2004. Meu plano era estudar e voltar para o Brasil depois, mas aí conheci meu marido (Chris) e fiquei por aqui! Somos pais da Isabella, que fez 10 anos em maio, e da Sophia que fará 6 anos agora em agosto.

Nós moramos atualmente em Fort Wayne, que é a segunda maior cidade do estado de Indiana, no meio-oeste americano. Meus sogros e minha cunhada moram aqui na mesma cidade, mas a nossa família morou por um tempinho em Holmen, Wisconsin. Trabalho como engenheira numa multinacional que produz fio magnético, que tem sede aqui na minha cidade. Adoro morar aqui, a cidade é muito boa para criar filhos, tem custo de vida baixo, e as minhas filhas estão tendo uma infância que para alguém como eu, que cresceu em apartamento em São Paulo, só existia em filme!

Tenho muita sorte que meus pais decidiram comprar uma casa aqui, e eles passam os verões do hemisfério norte aqui conosco, e vem com frequência o resto do ano também. Eles são super próximos das minhas filhas, e isso é algo que me deixa muito feliz, pois a parte mais difícil de morar no exterior é a saudade da família.

Parto e Gravidez
Aqui o pré-natal só começa com 10 semanas – antes disso a maioria dos médicos nem aceita marcar consulta, a não ser que a grávida esteja acompanhada por especialista particular. Ultrassom em gravidez saudável, só um – com 20 semanas, morfológico, com a opção de descobrir o sexo. Se a grávida quiser mais ultrassons, tem que pagar particular, o seguro quase nunca irá cobrir.

Com a minha primeira filha, eu não estava muito bem informada e tive um parto bem “padrão” – fui internada cedo (3cm de dilatação), médico conduziu meu parto com ocitocina sintética, e eu tomei a anestesia peridural (que aqui é oferecida a partir de 4cm de dilatação). Foi uma experiência boa, minha filha nasceu bem e o parto foi normal com uma recuperação tranquila.

Quando engravidei da Sophia, eu já tinha 4 anos de muita leitura e troca de informação sobre parto com grupos na internet que me ajudaram a ver o quanto meu parto foi desnecessariamente medicado. Então, dessa segunda vez, escolhi ser acompanhada por parteiras – que são enfermeiras com mestrado ou doutorado em obstetrícia e especialistas em partos naturais em gestações de baixo risco.

Sophia nasceu num parto natural na água, num andar do hospital que era totalmente gerenciado por parteiras – nem vi médico durante o processo todo. Foi uma experiência incrível e exatamente como eu havia idealizado! Dá até saudades daquele dia!! Minha recuperação foi fantástica, eu sentia que podia correr uma maratona logo após o parto.

O governo não paga nada do pré-natal e parto para quem tem seguro saúde. Seguro saúde aqui é um rolo… rs… O governo tem um programa de auxílio saúde chamado Medicaid/Medicare, e as regras mudam de estado pra estado. No geral, o auxílio é baseado na renda, e apenas se a pessoa não tem seguro saúde disponível com o empregador – ou seja: você pode qualificar pelo nível de renda, mas se estiver trabalhando e o seu empregador tem seguro saúde disponível, aí você não qualifica para o do governo.

Os níveis de renda para qualificar para ajuda do governo são bem baixos… a idéia é que só seja usado por quem realmente não tem condição nenhuma de pagar o próprio seguro saúde.
Eu tenho seguro saúde através do meu emprego, é excelente mas custa bem caro – o empregador paga uma parcela, mas o empregado paga uma parcela também. E aqui os seguros saúde são diferentes do que eu estava acostumada no Brasil, funciona em um modelo de “franquia” que nem seguro de carro, você paga uma quantia “x” (varia muito dependendo do plano) antes do seguro pagar qualquer coisa. Por exemplo: se a franquia do seguro é U$2,000, e uma consulta no médico custa $200, as primeiras 10 consultas o seguro não paga nada. Depois disso, o seguro paga 90% dos custos, mas o paciente continua responsável por 10%. Eu nunca vi seguro saúde que paga 100% aqui, o paciente SEMPRE tem uma contribuição… planos muito bons o seguro paga 90%, piores podem cobrir somente 70%.
A principal causa de falência pessoal aqui é por causa de contas relacionadas a hospital e tratamentos de saúde….

Licença Maternidade
Com a Isabella, eu tinha acabado de terminar meu mestrado e não estava trabalhando, então fiquei com ela em casa por 1 ano e meio.
Quando Sophia nasceu, eu trabalhava, e tirei 12 semanas de licença maternidade – 6 semanas pagas, e as outras 6 semanas não remuneradas.

Licença maternidade aqui não é regulamentada pelo governo, cada empresa dá o que decide dar – algumas não dão nenhum período de licença remunerada! A única coisa que o governo tem é um programa chamado FMLA (Family Medical Leave Act), que exige que empresas segurem a vaga de funcionários por até 12 semanas em caso de problemas de saúde – licença maternidade entra nessa categoria. Basicamente significa que você pode tirar essa licença e a empresa não pode te demitir, mas também não precisa te pagar!

Meu emprego na época era bem flexível, e eu achei uma creche perto do escritório – dava para ir a pé. Eu ordenhava leite 2x/dia numa salinha privativa, e ia amamentá-la todos os dias na hora do almoço.

Funcionou super bem, não podia ter sido melhor e mantive amamentação exclusiva até 6 meses, e ela nunca tomou outro leite que não o meu.

Médicos/Pediatras
Nas minhas duas gestações – e das minhas amigas também – o médico ou parteira que faz o pré-natal não garante que irá estar presente para assistir o parto. O esquema aqui são consultórios com vários médicos, enfermeiras obstetrizes ou parteiras, que se revezam dando plantão no hospital e assistem partos de todas as pacientes do consultório.

Pediatra é o mesmo esquema, você tem um pediatra que é o “seu” médico, mas não é garantia que ele estará disponível em caso de emergência. E nada de ter o número do celular do médico, isso aqui não existe! Os consultórios das minhas filhas sempre tiveram serviços de atendimento telefônico 24h/dia em caso de necessidade, mas quem atende são enfermeiras que respondem perguntas, ou te encaminham para o médico de plantão.

É uma relação mais profissional, não muito pessoal como vemos tanto no Brasil.

Creches/escolas/babás
Babá aqui é super caro, não conheço ninguém que tenha uma!
Creche custa bem caro – varia muito dependendo de onde você mora, mas por aqui custa em média $200-$250 por semana para período integral (e para bebês esse valor normalmente não inclui fraldas!), e depois quando vão para a escola e só precisam de algumas horas antes/depois do horário escolar o valor baixa para em média $75-$100 por semana.

As escolas públicas na minha região são excelentes!! A escola das minhas filhas tem atividades extra curriculares ótimas, professoras maravilhosas e muito envolvimento dos pais. Eu tento ir ajudar na escola sempre que possível – já fui fazer apresentações sobre o Brasil, sobre minha carreira em engenharia, e já fui também ajudar a professora em dias de festinha ou simplesmente passar a tarde fazendo cópias na sala de xerox. As famílias aqui realmente se engajam, angariam fundos para melhorias (como por exemplo novos brinquedos para o playground), e organizam atividades.

Relação trabalho e qualidade de vida
Aqui é muito tranquilo – eu sempre tive empregos flexíveis, onde eu saio mais cedo se preciso levar as crianças no médico, ou se elas ficam doentes eu fico em casa e trabalho remotamente. Trabalho das 7:30-16:30, raramente faço hora extra, e como não temos trânsito por aqui eu estou em casa às 17h com as meninas praticamente todos os dias. A única coisa ruim é que tenho poucos dias de férias por ano – esse ano troquei de emprego e é a primeira vez que terei 3 semanas de férias… até aqui eram somente 2 semanas. Mas esses dias que fico em casa por conta das meninas não contam como férias. Todo mundo entende que aqui quem cuida das crianças são os pais – quase ninguém tem babá ou qualquer outro tipo de ajuda.

Atividades com as crianças
Como o inverno aqui é bastante rigoroso, no verão tentamos aproveitar ao máximo atividades ao ar livre – andar de bicicleta, ir ao parquinho, piscina, etc. Fazemos tudo com as crianças – elas vão onde nós vamos! Quando meus pais estão aqui, eles ajudam muito e eu e meu marido saímos sozinhos, mas o resto do ano finais de semana nós quatro estamos sempre juntos. Adoramos viajar, no ano passado fomos num cruzeiro pela primeira vez e amamos!

A minha cidade tem um zoológico incrível, nós temos passes anuais e vamos sempre que possível. As bibliotecas públicas também são ótimas e elas adoram alugar livros e brincar com os brinquedos e áreas lúdicas da biblioteca.

No inverno, elas curtem muito brincar na neve – são muito mais acostumadas com o frio do que eu!

As meninas são escoteiras, eu sou líder da tropa da Isabella e ajudo na tropa da Sophia. É uma organização ótima, focada em liderança e projetos de voluntariado, e nós nos divertimos muito fazendo atividades como aulas de culinária, visitas à asilos para cantar músicas de Natal para os residentes, entre muitas outras coisas.

Livros infantis
Minhas filhas amam ler – a mais velha é fã do Harry Potter e dos livros da série “Diary of a Wimpy Kid”. Já a minha mais nova aprendeu a ler esse ano, e adora os livrinhos da coleção “Elephant and Piggie”.

Amizades
Tenho um grupo maravilhoso de amigas brasileiras aqui – conheci uma através do falecido orkut, e de lá fui conhecendo as outras.

Quase todas estão na mesma situação que eu – brasileiras casadas com americanos – e demos muita sorte de ter encontrado um grupo tão legal. Tenho amigas americanas também, que conheci no trabalho ou através das minhas filhas.

Eu sou líder da tropa de escoteiras da minha filha mais velha e fiz amizade com muitas das mães das outras meninas da tropa.

Moda
Aqui de maneira geral ninguém liga para marcas de roupa! Em termos de moda infantil, a maior diferença que eu vejo é nos biquínis – não se vê biquínis em crianças, somente maiôs ou tanquínis, tudo bem conservador. As mães também normalmente não usam biquínis muito pequenos como vemos no Brasil, é tudo bem maior!

Roupas de bebê aqui são mais práticas e sem muitos “fru frus”, sem muitos enfeites ou bordados. E tudo feito pra lavar na máquina!

Comida e Restaurantes
Os EUA não são conhecidos por sua culinária refinada! :) Mas todos os restaurantes tem menu para crianças, normalmente massa (mac’n’cheese) ou chicken nuggets ou cheeseburguer!

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15.07.2016

Mães Brasileiras pelo Mundo: Canadá

Mamães & Papais, Viagens

A coluna Mães Brasileiras pelo Mundo tem feito taaanto sucesso aqui no blog…. cada vez mais recebemos e-mails de mães querendo compartilhar suas histórias pelo mundo! Legal, né? Nós adoramos! É tão interessante conhecer outras culturas, ainda mais do ponto de vista das mães!

No post de hoje vamos para Vancouver, no Canadá, saber mais sobre as experiências da brasileira Vanessa, casada com o Ricardo, e mãe do Benjamin de 2 anos e da Melanie de 4 meses. Ela falou sobre parto, creches, a quantidade de atividades gratuitas para fazer com os pequenos por lá e muito mais!

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Parto e Gravidez

Há 3 anos me mudava para o Canadá, Vancouver. Como éramos só eu e meu marido resolvemos nos aventurar e fazer um intercâmbio deixando tudo no Brasil. A princípio fomos para estudar inglês e ficar 1 ano, mas gostamos tanto da cidade que estamos aqui até hoje.

Minha primeira gravidez foi em 2013/2014, foi tudo muito tranquilo, mesmo fazendo meu pré-natal em um hospital público. No Canadá funciona da seguinte maneira: o hospital público é gratuito para cidadãs Canadenses e quem tem visto há mais do que 6 meses pode ter o plano de saúde do governo (que em media custa 150 dólares por família).

O parto aqui também é normal, eles fizeram o que podiam para eu ter parto normal, mas infelizmente tive que fazer uma cesárea de emergência, pois o cordão umbilical estava enrolado no braço do meu filho, detalhe a cesárea foi coberta pelo MSP (Medical Service Plan) não paguei nada a mais pela cesárea.

Minha segunda gravidez 2015/2016 também foi uma gravidez tranquila e novamente cesárea. Meu sonho era ter parto normal, mas não consegui, mas meus filhos nasceram saudáveis isto que me importava.

Os quartos para aquelas que tem parto normal são enormes e privados e para aquelas que têm cesárea o quarto é privado, mas o banheiro é compartilhado. Gostei muito do tratamento que tive, sempre tinha uma enfermeira comigo me auxiliando no que eu precisasse.

Licença Maternidade

A licença maternidade é de 1 ano, podendo ser dividida com o pai, isto se você trabalha há pelo menos 6 meses em um emprego fixo.

Médicos/Pediatras

Em relação ao sistema de saúde daqui é bem diferente do Brasil, quando o bebê nasce vem uma enfermeira na sua casa verificar as condições do novo lar do bebê, eles olham o colchão, o berço se é apropriado, explica sobre amamentação, pesa o bebê, etc.

Depois de 2 semanas o bebê vai no médico, que seria um médico de família e não pediatra. Ele verifica peso, dá as vacinas e depois disso o bebê só volta quando está com 2 meses. Depois só com 4 meses, é bem diferente em relação ao Brasil, que os bebês vão todo mês ao pediatra.

Caso ocorra algo com o bebê você vai para o hospital mais próximo a sua residência, não vai nesse médico de família. O interessante é que este médico de família tem todo o histórico, sabe o dia que você passou no hospital e o que houve.

Creches/escolas e babás

As creches aqui são pagas até a criança completar 5 anos. A partir dessa idade o ensino é gratuito. O que acontece muito aqui no Canadá é que por ter muitos imigrantes as creches sempre estão lotadas, eles até dão dicas para colocar o nome das crianças quando você ainda estiver grávida, porque dependendo do local onde mora demora anos para ter uma vaga.

O legal aqui que acontece muito para imigrantes e residentes permanentes é que quando as creches estão lotadas e os pais realmente precisam trabalhar ou se tem baixa renda e não conseguem pagar,o governo ajuda a pagar a metade da creche. E no caso de a creche não ter vaga o governo paga uma babá. Aqui não é barato o trabalho de babás, mas vejo muitas crianças com babás.

As famílias de baixa renda têm uma ajuda de custo quando nascem os bebês até os 18 anos, mas se vai aumentado a renda da família vai diminuindo o valor desta ajuda.

Relação trabalho e qualidade de vida

Neste momento eu optei por cuidar das crianças e me dedicar a minha carreira quando eles estiverem maiorezinhos, mas vejo que a empresa do meu marido é super flexível. Quando meu marido precisa levar as crianças ao médico eles não criam caso, e com minhas colegas é a mesma coisa, eles fazem de tudo para você se dedicar a família.

Atividades com crianças

Tem muitas as atividades tanto no verão quanto no inverno, e tem também grupos de mães para reunirem as crianças e as mães. No verão os parques têm uma estrutura incrível para as crianças brincarem, os parques são tão enormes que dá tanto para brincar quanto para fazer um piquenique com as crianças, tem também as piscinas que são tipo um clube aí no Brasil e você paga somente 5 dólares.

No inverno tem as bibliotecas com muitas atividades como: o dia da história, o dia da música, sendo que tem a ala para bebês e para crianças maiores, e academias que oferecem atividades mães e filhos super bacanas onde você faz amizades, tanto a mãe quanto o filho.
Então atividades para as crianças não faltam.

Livros infantis

Tem muitas variedade e aqui você faz a carteirinha da biblioteca e pode pegar livros emprestados por alguns dias, sendo que a própria criança pode escolher o livro que ela quer ler. Eu estou intercalando um pouco com meu filho livros em português e inglês e, por enquanto, tem dado certo.

Amizades

Nada se compara com a amizade brasileira. Nós brasileiros abrimos a nossa casa e somos fáceis de fazer amizades, mas os Canadenses são mais fechados. Qualquer coisa que queiram fazer eles vão para restaurantes e barzinhos, nunca em suas casas.
Resumindo sinto falta destes eventos em casa.

Moda

Como no Canadá tem muitos imigrantes, a variedade de moda é muito grande. Tem para todos os gostos, tanto para nós como para as crianças. Eles se vestem não muito preocupados com que vão falar e sim se estão se sentindo bem. No começo fiquei meia assustada, porque via pessoas na rua que pareciam que tinham saído da cama e só colocado a bota e pronto, mas hoje em dia já me acostumei e me sinto mais leve e solta com a moda daqui.

Comida e Restaurante

Para criança temos em todos os restaurantes um menu kids, onde tem sempre comidas com legumes ou um fast food.

Para adultos posso dizer que tem um prato Canadense típico que se chama Poutine, que é nada mais batata frita, molho de carne e queijo. Mas o que mais tem são restaurantes de comida Japonesa, Mexicana, Persian, Coreana.

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10.06.2016

Mães Brasileiras pelo Mundo: Austrália

Mamães & Papais, Viagens

Hoje tem a coluna “Mães Brasileiras pelo Mundo” na Austrália! A Cássia é mãe do Reef, esse bebê lindo de 21 meses, e contou um pouco pra gente sobre a experiência de criar um filho na Austrália, onde mora com seu marido desde 2010. Ela destacou as principais diferenças culturais que sente após 6 anos morando fora, explicou sobre sua rotina com bebê e quais as principais atividades que costumam fazer juntos.

Se você mora fora e tem uma experiência legal para compartilhar aqui no blog, manda um e-mail pra gente no contato@chegueiaomundo.com.br! Vamos adorar! ;-)

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História e primeiras impressões

Conheci meu marido em agosto de 2009. Ele já estava com passagem comprada para a Austrália e o plano dele era tentar a vida aqui. Eu também sempre quis morar fora. Desde que bati o olho no meu então marido, sabia que aquele era o amor da minha vida. Em junho de 2010 estávamos casados e morando na Austrália. E aqui estamos nós hoje depois de 6 anos e com um fruto mais que especial que é o nosso filho – o Reef.

Nunca tive dúvidas que fiz a escolha certa. Não só pra mim como pro meu filho. É muito bom quando se mora em um lugar onde tudo funciona, onde vc vai e vem sem muitas preocupações e onde você consegue levar uma vida digna com qualquer profissão que escolha.

Parto e Gravidez

Demoramos um ano e um mês pra engravidar. Ser mãe sempre foi o meu maior sonho. Chegamos até a ir numa clínica de fertilização e tentamos medicina alternativa mas nada parecia funcionar. 

Reef nasceu de parto normal com 40 semanas e 3 dias. As contrações começaram às 3am do dia 12 de setembro. Cheguei no hospital as 10pm do mesmo dia e só fui ter o Reef pela manha do dia 13. Pedi a epidural por volta da 1am, só que não funcionou. Tive que tomar outra, que pra minha surpresa, doeu mais que o parto. 

Santa epidural gente! Aqui vc mesmo tem o controle sobre a epidural e pode colocar mais no seu corpo a cada 15 minutos (fica um caninho nas suas costas). Eu conseguia sentir as contrações, mas a dor tinha ido embora.

O pre-natal e os exames são os mesmos que no Brasil. Você pode ser acompanhada pela parteira (caso escolha ter o seu bebê em hospital público) ou ser acompanhada por um obstetra (se optar pelo hospital privado).

A grande diferença é que a revelação do sexo aqui é só a partir dos 3 meses – na maioria das vezes com 4. A explicação é porque sendo o aborto aqui legal até 3 meses, muitas pessoas (por incrível que pareça) ficam sabendo que é uma menina, por exemplo, mas queriam uma menino, então acabam tirando. Isso é mais comum em culturas como dos chineses e indianos, então é uma forma de evitar esse tipo de comportamento. 

Quanto ao parto, no serviço público eles fazem normal ao menos que haja risco de morte para mãe e/ou bebê. E dependendo do hospital, você também não tem voz na hora de pedir a epidural. Mas é tudo de graça.

Caso opte pelo privado, é possível optar pela cesariana, mediante pagamento de todos custos da cirurgia e obstetra. Os planos particulares aqui são um pouco diferente. Eles não cobrem nenhuma consulta com especialistas. O governo reembolsa cerca de 60% do preço da consulta e parto. 

Licença Maternidade

Aqui você ganha 4 meses pagos de licença maternidade pelo governo. Porém a empresa que você trabalha é obrigada a segurar a sua posição por até um ano. É muito comum por aqui as mães deixarem o trabalho ou optar por trabalhar 3 vezes na semana, que é o meu caso. 

Médicos/Pediatras

Pediatra aqui só se o bebê tiver com uma doença mais séria. O acompanhamento mensal se faz com enfermeiras especializadas em crianças, na farmácia ou no “community center”. Caso seu filho tenha algo que você queira análise do pediatra, você deve ir em um clínico geral e pegar uma carta de referência. 

Eu me sinto um pouco frustrada aqui em relação a essa medicina que é bem diferente da do Brasil, que é mais preventiva.

Creches/escolas/babás

Babá aqui é muito caro – muito mesmo. Creche também, mas é mais barato que babá. A creche custa em torno de AU$110 por dia, dependendo da sua renda anual é possível receber uma parte de volta pelo governo. Aqui não tem creche publica. A escola mesmo só começa com 5 anos e então você pode escolher pela pública ou particular. Muitas mães optam por parar de trabalhar também pois não tem condições de pagar a creche, apesar do governo dar um rebate dependendo da renda familiar. 

Como as coisas são muito caras aqui, quase nenhuma família terceiriza a educação do filho. As mãe pais levam e buscam na escola, estão sempre fim de semana com seus filhos e levam eles pra todo lugar pois muita gente não tem família aqui, como é o meu caso. Isso por um lado é muito bom, pois acaba aproximando mais as famílias.

Relação trabalho e qualidade de vida

A maioria das pessoas já está em casa por volta das 5pm. Não tem muito trânsito e você trabalha 7 horas e meia por dia e pode escolher ter uma hora ou meia hora de almoço. 

Eu já tive que faltar muitas vezes ao trabalho por conta de doenças do meu filho. Em função da cultura ser diferente no Brasil, acabamos não nos sentindo bem e achando que todo mundo vai olhar torto pra você. Mas na verdade as pessoas aqui põe a família em primeiro lugar. O que é maravilho, pois de fato é possível conciliar o trabalho mantendo filho como prioridade.  

Atividades com as crianças

Brincamos muito ao ar livre. A Austrália é um país que valoriza as atividades ao ar livre. Vamos ao parquinho, vamos a play date com outras mães que têm filhos da mesma idade, brincamos na praia mesmo no inverno, andamos de bicicleta, etc. Apenas em dias de chuva costumamos brincar em locais fechados. Tento evitar também tecnologia como televisão e celular.

Educação

Sempre reflito sobre a diferença de educação aqui na Austrália e no Brasil. Vejo algumas diferenças em relação a cultura brasileira desde os cuidados iniciais com recém nascidos. Aqui na Austrália é mais comum sair com recém nascido desde os primeiros dias. E os bebês costumam fazer de tudo com os pais, que não deixam de sair porque tem filhos, apenas adaptam a vida para inserir o bebê. Já inserimos o Reef desde cedo em nossas atividades, íamos a praia, fazíamos trilha, shopping, churrascos, TUDO! E isso foi muito importante para mim. 

Porém uma coisa que me deixa pra morrer aqui são as mães concordarem com a famosa “lei do playground”. Elas vão com os filhos no parquinho, soltam eles e ficam sentadas conversando. As crianças se batem, se empurram e elas não fazem NADA. A lógica por trás dessa atitude é que as crianças que têm que se resolver e elas se entenderão sozinhas. Mas acredito que elas ainda precisam sim de alguém para guiá-las, pois ainda não sabem o que é certo ou errado. Estão se testando e testando os outros a todo momento. 

A questão da independência também é levada muito a sério. Se seu filho já consegue comer, ele vai ter o prato dele na mesa e vai comer sozinho. Ele vai tomar a mamadeira sozinho, etc. Meu filho limpa o que suja, joga o guardanapo sujo dele no lixo, guarda as compras do supermercado… isso tudo com 20 meses. Ele adora. Ele fica todo orgulhoso por estar ajudando e por estar fazendo parte de tudo.

Amizades

Eu nunca achei que fosse fazer tantas amizades desde que me tornei mãe. Fiz amigas até em banheiros públicos hahahaha. As parteiras do hospital já nos colocam em contato com várias mães que tiverem filhos na mesma época e moram próximas – chama-se mother’s group. No primeiro mês, elas organizam encontros uma vez por semana, onde todo mundo se conhece com seus devidos bebês e promovem esses encontros com uma enfermeira como mediadora. Eu achei importantíssimo fazer parte desse grupo, primeiro porque são amizades que você pode levar pra sempre. Segundo porque achei o suporte que recebi fundamental, pois você vê que estão todas no mesmo barco, que seu bebê não é anormal porque não dorme ou porque chora muito. Isso evita muito a depressão pós parto. Depois disso, sempre organizamos um picnic ou encontros com as crianças. 

A biblioteca de cada bairro também oferece aulas de música para bebês, então conheci muitas mães por lá e hoje marcamos sempre encontros no parque, jantares, picnics, praia, etc.

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Primeira vez do Reef na praia com 2 meses

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Com o amigo Enzo e a mãe Camila na celebração de Natal no nosso bairro. O papai noel chegou de para-quedas!!

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Na cachoeira com o pai e avô depois de 15 minutos de trilha

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Com os cangurus em um parque da cidade e o avô

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