10.06.2016

Mães Brasileiras pelo Mundo: Austrália

Mamães & Papais, Viagens

Hoje tem a coluna “Mães Brasileiras pelo Mundo” na Austrália! A Cássia é mãe do Reef, esse bebê lindo de 21 meses, e contou um pouco pra gente sobre a experiência de criar um filho na Austrália, onde mora com seu marido desde 2010. Ela destacou as principais diferenças culturais que sente após 6 anos morando fora, explicou sobre sua rotina com bebê e quais as principais atividades que costumam fazer juntos.

Se você mora fora e tem uma experiência legal para compartilhar aqui no blog, manda um e-mail pra gente no contato@chegueiaomundo.com.br! Vamos adorar! ;-)

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História e primeiras impressões

Conheci meu marido em agosto de 2009. Ele já estava com passagem comprada para a Austrália e o plano dele era tentar a vida aqui. Eu também sempre quis morar fora. Desde que bati o olho no meu então marido, sabia que aquele era o amor da minha vida. Em junho de 2010 estávamos casados e morando na Austrália. E aqui estamos nós hoje depois de 6 anos e com um fruto mais que especial que é o nosso filho – o Reef.

Nunca tive dúvidas que fiz a escolha certa. Não só pra mim como pro meu filho. É muito bom quando se mora em um lugar onde tudo funciona, onde vc vai e vem sem muitas preocupações e onde você consegue levar uma vida digna com qualquer profissão que escolha.

Parto e Gravidez

Demoramos um ano e um mês pra engravidar. Ser mãe sempre foi o meu maior sonho. Chegamos até a ir numa clínica de fertilização e tentamos medicina alternativa mas nada parecia funcionar. 

Reef nasceu de parto normal com 40 semanas e 3 dias. As contrações começaram às 3am do dia 12 de setembro. Cheguei no hospital as 10pm do mesmo dia e só fui ter o Reef pela manha do dia 13. Pedi a epidural por volta da 1am, só que não funcionou. Tive que tomar outra, que pra minha surpresa, doeu mais que o parto. 

Santa epidural gente! Aqui vc mesmo tem o controle sobre a epidural e pode colocar mais no seu corpo a cada 15 minutos (fica um caninho nas suas costas). Eu conseguia sentir as contrações, mas a dor tinha ido embora.

O pre-natal e os exames são os mesmos que no Brasil. Você pode ser acompanhada pela parteira (caso escolha ter o seu bebê em hospital público) ou ser acompanhada por um obstetra (se optar pelo hospital privado).

A grande diferença é que a revelação do sexo aqui é só a partir dos 3 meses – na maioria das vezes com 4. A explicação é porque sendo o aborto aqui legal até 3 meses, muitas pessoas (por incrível que pareça) ficam sabendo que é uma menina, por exemplo, mas queriam uma menino, então acabam tirando. Isso é mais comum em culturas como dos chineses e indianos, então é uma forma de evitar esse tipo de comportamento. 

Quanto ao parto, no serviço público eles fazem normal ao menos que haja risco de morte para mãe e/ou bebê. E dependendo do hospital, você também não tem voz na hora de pedir a epidural. Mas é tudo de graça.

Caso opte pelo privado, é possível optar pela cesariana, mediante pagamento de todos custos da cirurgia e obstetra. Os planos particulares aqui são um pouco diferente. Eles não cobrem nenhuma consulta com especialistas. O governo reembolsa cerca de 60% do preço da consulta e parto. 

Licença Maternidade

Aqui você ganha 4 meses pagos de licença maternidade pelo governo. Porém a empresa que você trabalha é obrigada a segurar a sua posição por até um ano. É muito comum por aqui as mães deixarem o trabalho ou optar por trabalhar 3 vezes na semana, que é o meu caso. 

Médicos/Pediatras

Pediatra aqui só se o bebê tiver com uma doença mais séria. O acompanhamento mensal se faz com enfermeiras especializadas em crianças, na farmácia ou no “community center”. Caso seu filho tenha algo que você queira análise do pediatra, você deve ir em um clínico geral e pegar uma carta de referência. 

Eu me sinto um pouco frustrada aqui em relação a essa medicina que é bem diferente da do Brasil, que é mais preventiva.

Creches/escolas/babás

Babá aqui é muito caro – muito mesmo. Creche também, mas é mais barato que babá. A creche custa em torno de AU$110 por dia, dependendo da sua renda anual é possível receber uma parte de volta pelo governo. Aqui não tem creche publica. A escola mesmo só começa com 5 anos e então você pode escolher pela pública ou particular. Muitas mães optam por parar de trabalhar também pois não tem condições de pagar a creche, apesar do governo dar um rebate dependendo da renda familiar. 

Como as coisas são muito caras aqui, quase nenhuma família terceiriza a educação do filho. As mãe pais levam e buscam na escola, estão sempre fim de semana com seus filhos e levam eles pra todo lugar pois muita gente não tem família aqui, como é o meu caso. Isso por um lado é muito bom, pois acaba aproximando mais as famílias.

Relação trabalho e qualidade de vida

A maioria das pessoas já está em casa por volta das 5pm. Não tem muito trânsito e você trabalha 7 horas e meia por dia e pode escolher ter uma hora ou meia hora de almoço. 

Eu já tive que faltar muitas vezes ao trabalho por conta de doenças do meu filho. Em função da cultura ser diferente no Brasil, acabamos não nos sentindo bem e achando que todo mundo vai olhar torto pra você. Mas na verdade as pessoas aqui põe a família em primeiro lugar. O que é maravilho, pois de fato é possível conciliar o trabalho mantendo filho como prioridade.  

Atividades com as crianças

Brincamos muito ao ar livre. A Austrália é um país que valoriza as atividades ao ar livre. Vamos ao parquinho, vamos a play date com outras mães que têm filhos da mesma idade, brincamos na praia mesmo no inverno, andamos de bicicleta, etc. Apenas em dias de chuva costumamos brincar em locais fechados. Tento evitar também tecnologia como televisão e celular.

Educação

Sempre reflito sobre a diferença de educação aqui na Austrália e no Brasil. Vejo algumas diferenças em relação a cultura brasileira desde os cuidados iniciais com recém nascidos. Aqui na Austrália é mais comum sair com recém nascido desde os primeiros dias. E os bebês costumam fazer de tudo com os pais, que não deixam de sair porque tem filhos, apenas adaptam a vida para inserir o bebê. Já inserimos o Reef desde cedo em nossas atividades, íamos a praia, fazíamos trilha, shopping, churrascos, TUDO! E isso foi muito importante para mim. 

Porém uma coisa que me deixa pra morrer aqui são as mães concordarem com a famosa “lei do playground”. Elas vão com os filhos no parquinho, soltam eles e ficam sentadas conversando. As crianças se batem, se empurram e elas não fazem NADA. A lógica por trás dessa atitude é que as crianças que têm que se resolver e elas se entenderão sozinhas. Mas acredito que elas ainda precisam sim de alguém para guiá-las, pois ainda não sabem o que é certo ou errado. Estão se testando e testando os outros a todo momento. 

A questão da independência também é levada muito a sério. Se seu filho já consegue comer, ele vai ter o prato dele na mesa e vai comer sozinho. Ele vai tomar a mamadeira sozinho, etc. Meu filho limpa o que suja, joga o guardanapo sujo dele no lixo, guarda as compras do supermercado… isso tudo com 20 meses. Ele adora. Ele fica todo orgulhoso por estar ajudando e por estar fazendo parte de tudo.

Amizades

Eu nunca achei que fosse fazer tantas amizades desde que me tornei mãe. Fiz amigas até em banheiros públicos hahahaha. As parteiras do hospital já nos colocam em contato com várias mães que tiverem filhos na mesma época e moram próximas – chama-se mother’s group. No primeiro mês, elas organizam encontros uma vez por semana, onde todo mundo se conhece com seus devidos bebês e promovem esses encontros com uma enfermeira como mediadora. Eu achei importantíssimo fazer parte desse grupo, primeiro porque são amizades que você pode levar pra sempre. Segundo porque achei o suporte que recebi fundamental, pois você vê que estão todas no mesmo barco, que seu bebê não é anormal porque não dorme ou porque chora muito. Isso evita muito a depressão pós parto. Depois disso, sempre organizamos um picnic ou encontros com as crianças. 

A biblioteca de cada bairro também oferece aulas de música para bebês, então conheci muitas mães por lá e hoje marcamos sempre encontros no parque, jantares, picnics, praia, etc.

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Primeira vez do Reef na praia com 2 meses

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Com o amigo Enzo e a mãe Camila na celebração de Natal no nosso bairro. O papai noel chegou de para-quedas!!

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Na cachoeira com o pai e avô depois de 15 minutos de trilha

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Com os cangurus em um parque da cidade e o avô

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04.05.2016

Mães Brasileiras pelo Mundo: Noruega

Mamães & Papais, Viagens

Já pensou em morar num país em que grávida não paga nada e ainda tem uma assistência médica incrível? Um sonho, né? A coluna “Mães Brasileiras pelo Mundo” recebe hoje a história da Ana Carolina, que mora em Oslo, na Noruega, com o marido e o pequeno Gael de 8 meses.

Ela contou pra gente como é morar num país considerado um dos melhores para se criar filhos. Acompanhamento médico constante de graça, vaga garantida na creche e horário flexível no trabalho são alguns dos benefícios garantidos para grávidas. Mas também tem alguns pontos mais complicados como a dificuldade para fazer amizades e o frio do rigoroso inverno.

Confiram que interessante tudo que a Ana Carolina contou pra gente! Ela também tem um blog em que compartilha textos sobre maternidade chamado mamaconnection.com.br junto com outras duas amigas, uma em cada país.

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Parto e Gravidez
Nunca sonhei em ser mãe até me mudar para a Noruega. Aqui nesse país, considerado um dos melhores para se criar filho, a ideia da maternidade está sempre nos rondando. Seja na quantidade de bebês na rua ou nas amigas com filho, grávidas ou planejando. Eu, que no Rio não tinha nenhuma amiga próxima com filho, me vi rodeada de bebês. E foi assim que comecei a pensar em aumentar a família. Do sonho para a realidade não demorou muito e meu filhote nasceu no início de agosto de 2015.

Meu parto foi normal, como são a maioria dos partos aqui. O que nós escolhemos é o hospital onde queremos ter o filho e dependendo do lugar há mais opções. Por exemplo, o hospital onde eu tive meu filho oferecia também a opção de um departamento todo voltado para o parto natural, a grávida que decide parir ali só pode receber ajuda naturais, como acupuntura e água quente.

Grávida na Noruega não paga nada e a assistência que nós temos é incrível, fiquei 13 horas em trabalho de parto no hospital com uma equipe me acompanhando e me auxiliando no que fosse preciso, tudo para meu filho nascer da melhor forma.

Licença Maternidade
Após seis meses de trabalho fixo, os pais têm direito à licença maternidade paga pelo governo. Cabe aos pais escolher entre 49 semanas ganhando 100% do salário ou 59 semanas ganhando 80%. Sendo que dessas semanas, as 10 primeiras são destinadas à mãe e o pai tem garantido 10 semanas. As demais semanas que sobram podem ser divididas entre os pais do jeito que eles acharem melhor.

É possível também voltar parcialmente ao trabalho, trabalhando alguns dias da semana ou metade do dia, desde que o total da licença esteja dentro do prazo. Além disso, caso um dos pais seja estudante o outro tem direito a 100% da licença. E se nascerem gêmeos o tempo também aumenta.

Médicos/Pediatras
Por aqui o sistema de saúde é bem diferente do que a gente está acostumado no Brasil. Quando o bebê nasce, nós recebemos em casa a visita de uma “helsesøster”, cuja a tradução ao pé da letra é “irmã da saúde”. Ela trabalha no posto de saúde do nosso bairro e sua função é uma mistura de enfermeira com conselheira, ela aplica vacinas e aconselha nos cuidados do nosso filho em relação ao sono, alimentação, atividades, tudo que esteja presente na nossa relação com nosso filho. A partir dessa primeira visita, o bebê entra num programa de saúde do governo e existe um cronograma específico de visitas ao posto de saúde. Essas visitas são de controle e as mais frequentes são com a “helsesøster”, já com o pediatra fomos apenas com 6 semanas e com 6 meses, e voltaremos apenas com 1 ano. Já no caso do bebê ficar doente, não vamos ao pediatra, nós temos um médico de família, que é o mesmo clínico geral que nós pais vamos.

Creches/escolas/babás
Toda criança tem direito a uma vaga na creche a partir de 1 ano de idade. Existem creches públicas e particulares, mas o preço é quase o mesmo, pois só pagamos uma taxa de funcionamento e o governo cobre demais custos. Não é comum o uso de babás, principalmente porque custa muito caro. O que acontece é que são é possível iniciar na creche em agosto, quando começa o ano letivo, e a criança tem que ter no mínimo 1 ano (alguns lugares aceitam 10 meses). Então, dependendo de quando seu filho nasça pode ser que um dos pais tenha que estender a licença, e esse período extra é não remunerado, mas o governo paga uma ajuda de custo após 1 ano de idade caso a criança não frequente a creche.

Relação trabalho e qualidade de vida
O meu horário de trabalho é das 8h às 16h, flexíveis. Então por volta de 16:30 já estarei de volta em casa com meu filho, podendo aproveitar um tempo do meu dia para brincar com ele. Ainda estou de licença maternidade, volto a trabalhar mês que vem, mas pelo que eu observo entre minhas colegas de trabalho, são todos bem compreensíveis quanto a faltar ou ter que sair mais cedo por causa dos filhos. Inclusive, por lei, temos 3 dias de folga em caso de doença do filho sem precisar levar atestado médico, podendo repetir 3 vezes ao ano. Isso por filho, aumenta conforme a quantidade.

Atividades com as crianças
Durante o meu período de licença maternidade procurei muitas atividades que pudesse fazer junto com meu filho. Pegamos um período do inverno e o frio já nos leva a ficar muito tempo em casa, precisava sair para encontrar outras mães e bebês, já que não dava para sentar na pracinha. Eu e meu filho fizemos aula de yoga, ginástica, balé, tudo voltado para pós-parto. Frequentamos também uma aula de música e até de norueguês para recém-mamães. O governo também promove um encontro entre mães que moram no mesmo bairro e tiveram o filho na mesma semana. É possível também fazer parte de um grupo de mães que saem para passear com carrinhos de bebê. Oslo oferece muitas opções e eu fiquei bem satisfeita quanto a isso.

Livros infantis
Ainda não me informei sobre as histórias tradicionais norueguesas. Por enquanto estou introduzindo livros brasileiros, mas em breve vou começar a comprar locais. Acredito que quando ele entrar para a creche vai ser mais fácil esse contato com as histórias tradicionais norueguesas.

Amizades
Os noruegueses são muito fechados em grupos e não é tão fácil fazer amizade quanto estamos acostumados no Brasil. Por sorte conheci um grupo de brasileiras com filhos, inclusive com algumas compartilhei também a gravidez. Isso ajudou muito para dividir dúvidas ou experiências e também promover encontros. Fazer parte das atividades que citei acima também ajuda a se integrar na cultura local.

Moda
Os noruegueses têm um gosto bem particular. Acontece que muitos pais quando saem para passear com seus filhos (ou outras atividades em família) se vestem como se estivessem indo para a academia. São roupas de exercício e cabelo e rosto muito bem arrumados. Curioso isso como eles transformam o passeio com o filho em uma atividade física.

Outra questão quanto à moda foi que tive que aprender como vestir um bebê no frio. Eles desde pequenos já aprendem a importância das camadas e do uso da lã. São informações que eles não falam muito, simplesmente porque todo mundo já sabe, é assim há muitas gerações. Mas para nós brasileiros nem tudo é tão óbvio.

Comida e Restaurantes
Aqui se come muito peixe. Os peixes são deliciosos e muito mais baratos que uma carne bovina. Cozinha-se muito em casa por causa dos preços altos dos restaurantes. É muito comum receber amigos em casa para um jantar.

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25.03.2016

Mães Brasileiras pelo Mundo: Portugal

Mamães & Papais, Viagens

Hoje quem participa do “Mães Brasileiras pelo Mundo” é a Gabriela, mãe da Sofia de 4 anos e do Duarte de 5 meses, e praticamente casada com o Sebastião, português. Ela dividiu conosco um pouco sobre a experiência da gravidez e do parto em Portugal, contou sobre a criação dos pequenos e deu excelentes dicas de programas para fazer com crianças.

Adoramos conhecer mais sobre Portugal do ponto de vista de uma mãe brasileira!

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História e primeiras impressões: 

O que me motivou a vir para Portugal foi o fato da minha mãe e as minhas duas irmãs mais velhas estarem morando em Lisboa e eu sendo sustentada para me manter no Rio, quando eu vim visitá-las e percebi que estava passando por todo o perrengue sozinha, enquanto eu podia optar por uma qualidade de vida muito melhor perto da minha família.

Portugal já era um país bastante familiar já que eu passei sete anos da minha infância aqui. E Lisboa é uma cidade linda, respira História por todos os cantos, tem uma luz incrível e nomeadamente o centro histórico possui um charme único.

Parto e gravidez:

Engravidei da minha filha mais velha (Sofia) com 23 anos, costumo dizer que foi um pênalti já que engravidei mesmo depois de tomar a pílula do dia seguinte. Felizmente, porque hoje em dia reconheço que foi a melhor coisa que me aconteceu na vida!

Como eu não tinha seguro de saúde, fui para um médico particular na minha primeira consulta, e nas restantes fui acompanhada pelo o meu médico de família do centro de saúde onde estou registrada de acordo com o Sistema Nacional de Saúde. Ou seja, daí em diante não tive nenhum gasto a não ser com um ou outro exame de saúde que não fossem comparticipados. O parto foi normal no hospital público, com uma médica muito querida que ia acompanhando a minha gravidez e também não tive nenhuma despesa desde o parto até o internamento.

Já com o meu filho mais novo, o Duarte, resolvi ser acompanhada por uma médica particular e fazer o parto no mesmo hospital em que a Sofia nasceu. Também foi parto normal e foram novamente impecáveis!! Tive direito a quartos individuais nos dois internamentos e materiais da melhor qualidade já que o hospital é relativamente recente.

Licença maternidade:

Depois de ter tido o Duarte, tirei 120 dias de licença de maternidade. Os pais também têm direito a 10 dias sem trabalhar. A volta ao trabalho é sempre dura, mas como o meu trabalho é part-time tem sido tranquilo conciliar. Tenho uma empregada/babá que fica com ele e cuida dele e da casa enquanto estou fora. Tiro leite e deixo congelado para ela ter como alimentá-lo na minha ausência.

Creches/escolas/babás:

A Sofia entrou na creche com 1 ano de idade no mesmo jardim-escola onde o meu marido estudou. Eu era contra porque partilhava da opinião de que só se devia entrar na escola com três anos, mas tenho que reconhecer que foi ótimo para ela e que ajudou muito no seu desenvolvimento. Com um ano e meio já comia sozinha de garfo e faca e boca fechada, desfraldou com dois anos e sem a ajuda da escola, nada disso teria acontecido com tanta determinação.

Pretendo pôr o Duarte com a mesma idade. A escola tem um ensino maravilhoso, e o preço só é salgado para quem pode pagar. Ou seja, é uma instituição particular de solidariedade social o que significa que os pais pagam de acordo com o que recebem podendo chegar entre os 60€ e máximos 500€ de mensalidade.

Relação de trabalho e qualidade de vida

Trabalho com uma marca de alpargatas Argentina, com muita sorte pois além de ter uma ótima relação com todos os colegas, fica aqui do lado de casa. Eu vou e volto andando com a maior tranquilidade, sem me preocupar com assaltos nem nada parecido.

O meu marido é roteirista de filmes e séries e felizmente projetos não têm faltado ultimamente.

Mas não nego que para morar na Europa é preciso ter uma mentalidade europeia. A maioria dos prédios são antigos e não possuem elevador nem garagem, muito menos uma portaria com um porteiro, claro que com a exceção de um ou outro. Moro no quarto andar sem elevador e não minto se disser que realmente é duro subir e descer todos os dias com filhos, compras, malas de viagem, etc.

Arranjar uma boa pessoa para trabalhar conosco também não foi nenhuma tarefa fácil já que algumas empregadas domésticas recebem melhores salários do que funcionários com formação e diploma. Mas continuo da opinião de que a minha qualidade de vida aqui não tem preço. Só em escolas particulares com um ensino razoável no Brasil, já gastaria um valor muito superior às escolas boas daqui. Somando seguro de saúde, aluguel de apartamento e todos os cuidados que um filho precisa, morar no Rio já se torna impraticável.

Atividades com as crianças:

Adoro ir passear com eles em Cascais, que fica a quase meia hora de Lisboa. É maravilhoso passear por lá nos finais de semana até porque dá uma sensação de “estar de férias” com o mar e todas as praias a volta. Já em Lisboa tem jardins lindos para fazer um picnic com as crianças, tais como o Jardim da Estrela, o Jardim da Tapada das Necessidades, etc.

Programas com as crianças nunca faltam porque sempre tem alguma peça de teatro ou filme em cartaz, exposições no Pavilhão dos Conhecimentos, ou um passeio no Oceanário, ambos no Parque das Nações (antiga expo de ’98), ou até mesmo uma caminhada à beira do Rio Tejo, aproveitando para passar por Belém e comer o famoso Pastel de Belém que a família toda adora!

Livros infantis:

“A Minha Primeira Sofia” , de Fernando Pinto do Amaral que conta a história de vida de uma das mais importantes figuras da cultura portuguesa, a escritora Sophia Mello Breyner ;
“Advinha o quanto eu gosto de ti”, livro de Sam MCBratney
“Memórias de Emília” de Monteiro Lobato, para manter os meus filhos próximos da nossa cultura brasileira.

Amizades:

Mantive algumas amizades da infância, mas fiz também novos amigos. Claro que o povo português é um pouco mais introspectivo do que o povo brasileiro, mas não fiz amizades em quantidade e sim em qualidade.

Muitas das minhas amigas também são as mulheres dos amigos do meu marido e por coincidência estamos quase todos passando pela mesma fase de construir uma família.

Moda:

Têm surgido cada vez mais marcas de biquínis e de roupas infantis. Sou fã da moda infantil em Portugal. Desde as marcas mais clássicas e tradicionais até algumas mais modernas, a maioria é sempre de um bom gosto incrível.

Comida:

O peixe e os frutos do mar. Uma delicia!! Por mais que também sejam do oceano atlântico, aqui a água é muito mais fria e salgada o que muda completamente o sabor. O meu prato preferido são as Amêijoas a Bulhão Pato que são umas conchas com um molho surreal de bom a base de azeite, alho e coentros que se come com pão. Também tem os Percebes que têm um aspecto estranhíssimo e um sabor a mar.

Um dos pratos tradicionais portugueses que eu adoro é o Bitoque: não é nada mais nada menos do que um bife com ovo estrelado em cima, um molho a base de alho e batatas fritas.
Sem contar que Portugal é um paraíso para os apreciadores de queijos e vinhos.

Restaurantes:

É imperdoável vir para Lisboa e não comer um pastel de Belém; um travesseiro e queijadas da Periquita em Sintra; um sorvete do Santini em Cascais ou no Chiado. Mariscos em Lisboa eu sugiro do Pinocchio, do Ramiro ou do Gambrinus. Em Cascais tem o Mar do Inferno que é ótimo também. Restaurantes e comida boa por aqui não faltam!!

gabriela e duarte

gabriela e sofia

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