22.06.2015

Ligeiramente Grávida – Camila

Ligeiramente Grávida, To Grávida

No “Ligeiramente Grávida” de hoje recebemos um texto lindo da Camila, mãe do Gabriel de 11 anos e do Daniel de 4 anos. A Camila é publicitária de formação, mamãe por vocação e compartilha suas experiências no blog Baú de Menino.

A primeira gestação dela foi no susto, quando a Camila ainda estava na faculdade! Mas, depois de alguns dias anestesiada, foi só amor e alegria! Leiam esse relato!

Camila Pagamisse - Blog Baú de Menino 3

Quando estamos fazendo faculdade nosso foco é o mercado de trabalho, nossa carreira, enfim, focamos nossa vida em um possível sucesso profissional. Em 2003 estava nessa fase, me preparando para cursar o último ano da faculdade de Comunicação Social (meu sonho), e sabendo que o ano seria pauleira, pois os Trabalhos de Conclusão de Curso não são fáceis.

Estava namorando e por sorte morávamos na mesma cidade e estudávamos na mesma faculdade, em cursos diferentes. Foi quando um susto mudou nossas vidas! Foi em março que comecei a sentir dores abdominais fortes, pareciam cólicas intensas. Minha menstruação atrasou, ela nunca atrasava, e nesse momento veio na minha mente que algo poderia mudar…

Não queríamos acreditar, mas entre uma consulta e um exame, eis que nossa vida mudou!

Foram dias anestesiada! Mais precisamente uma semana… até conseguir assimilar o que estava acontecendo. Engraçado que no início você meio que desconfia da situação. Será? Mas não estou sentindo nada… Literalmente, porque não tive enjoos, nenhum desses desconfortos do início de gestação.

Começa a ficar real quando a barriguinha cresce e os jeans apertam, mas confesso que tive mais impressão de um “dei uma engordadinha”.  Mas acho que é gradual, do desconfiada fui para a fase “ops, não estou mais sozinha”. Nessa fase comecei a me preocupar com a alimentação, afinal de contas, meu filho, isso aí… você já reconhece que tem um filho, precisa ser bem alimentado.

Daí é um pulo para virar seu confidente, como conversei com minha barriga… e alisar então! Nota-se que o vínculo aumentou, né?

Nesse momento a corujice já está explícita, você já fala dos chutinhos e dos ultrassons lindos, no meu caso, sabia que o nariz seria lindo (e olha que a tecnologia há 12 anos não era assim essas coisas!).

No finalzinho da gestação já estava tomada pelas emoções hormonais, qualquer desenho já me fazia chorar (pior que continuo assim) e me apegava ao meu barrigão!

E assim passam os 9 meses de um contato intenso, participando de minhas angústias, frustrações e alegrias, e eu participando de todo o desenvolvimento dele, crescendo e mexendo (e como mexem).

A natureza é sábia, fazemos um cursinho básico de amor com duração de 9 meses (algumas fazem o curso um pouco mais rápido, mas o resultado é igual) para sabermos o quanto grande é o amor de uma mãe por um filho.

Ah, Gabriel cursou praticamente o último ano inteiro da faculdade, nasceu no dia 30 de novembro (internei no dia anterior, 9 horas de trabalho de parto e uma sessão de fotos para o TCC que não pude comparecer), mas no dia 12 de dezembro estava apresentando meu trabalho para a banca de professores. Sim, eu consegui!

E engana-se quem acha que aprendemos tudo no primeiro curso, o meu segundo intensivo de 9 meses também me ensinou muitas coisas novas, inclusive que amor de mãe não se divide, multiplica-se.

20.05.2015

Ligeiramente Grávida – Tatiana

Ligeiramente Grávida

O “Ligeiramente Grávida” de hoje tem um relato emocionante e lindo da Tatiana. Ela, que sempre teve medo de parto, decidiu fazer um parto natural na água. O parto da Malu foi feito com todo o cuidado em um hospital de Londres.

Leiam essa experiência única que a Tatiana compartilhou com a gente!

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Sempre tive medo de parto. Quando engravidei, não foi diferente. Como uma pessoa pode sair do nosso corpo de maneira confortável? “Confortável” existe? A possibilidade de cortar a barriga me dava pavor, a alternativa de imaginar que um bebê possa esticar o túnel da vagina pra sair também não soava nada agradável. Passei a maior parte da gravidez ignorando o fato de que essa era uma escolha que eu não tinha como fugir. Os nove meses chegariam, e querendo ou não, a minha garotinha sairia de dentro de mim. Foi no sétimo mês que resolvi largar a covardia de lado, e tomar uma decisão.

Tudo o que eu escutava sobre gravidez parecia belo, mágico e único! Dos três, eu concordo que é único! A beleza e a magia da minha primeira gestação, infelizmente, vieram com muitos dos desconfortos previstos pela medicina.

Um sono insaciável no começo, seguidos por enjoos insistentes, logo então vieram os vômitos fortíssimos, seguidos das enxaquecas insuportáveis, e, finalmente uma dor alucinante nas costas. De quebra, no meu sétimo mês de gestação, a dor nas costas se espalhou pra perna, me deixando de muletas. Passei os últimos dois meses de molho em casa, num quadro conhecido como ciática (quando o útero se posiciona estrategicamente em cima do nervo ciático, pressionando o nervo e comprometendo a movimentação das pernas). Quanto mais o bebê cresce, mais pesa, e mais dói. Cura: o bebê sair de cima do nervo ciático… Foi importante manter o bom humor pra garantir que a minha bebezinha sentisse como ela era muito amada e desejada, apesar de todos os efeitos colaterais. Felizes são as mulheres que curtiram a sua gravidez! Eu não consto nessa lista! Mas e o parto? Se a gravidez foi assim, como seria o gran finale das minhas 40 semanas? Eu via o parto de maneira absurdamente assustadora…

Na minha cabeça: os fatos… Eu iria sentir dor. Eu teria um período pós parto de cicatrização desconfortável. E independente da escolha do parto, caso existissem complicações, a equipe médica tomaria as rédeas da situação, e fariam o que fosse necessário para manter a segurança e a saúde da mãe e do bebê, ignorando assim as minhas preferências. Pensar tanto na escolha do parto era quase em vão… Não bastasse o meu corpo ter sido colonizado por essa fábrica de bebê que eu não tinha qualquer controle. No parto, o controle também não era meu. Mas, de maneira otimista, assim como todas as grávidas do planeta (imagino eu) desejei que tudo desse certo e que eu, assim, pudesse ter o parto ideal para mim e para a minha pequena. Escolhi a dor que eu queria viver, e comprei a ideia e todos os seus encantos! A equipe do hospital registrou as minhas preferências, e assim, passei os meus últimos dois meses, saltitante nas minhas muletas, empolgadíssima, aguardando o momento para o meu parto natural na água.

Os benefícios do parto na água são super atraentes! A água morninha alivia a dor e ajuda a relaxar. O relaxamento impede que a mulher se sinta estressada, e isso libera o hormônio oxitocin que estimula as contrações e a dilatação do canal vaginal. A mulher, em trabalho de parto, mais relaxada, também produz mais endorfina, que alivia a dor naturalmente evitando o uso de remédios. A água também permite a movimentação mais fácil da mulher para se posicionar na hora “H”, já que o corpo flutua. Além disso, a água ajuda a garantir um bom fluxo de sangue que o bebê vai recebendo da placenta continuamente durante todo o processo, isso contribui para a saída mais rápida da placenta após o parto. E pra minha paz de espírito, a elasticidade da porta de saída do bebê é obviamente bem umidificada pela água, reduzindo a necessidade de levar pontos traumáticos após o parto. Finalmente, pro bebê é uma experiência mais gentil e menos traumática já que ele muda da água pra água. No meu caso também, com a gravidez temperada pela ciática, foi realmente o parto ideal, e fortemente recomendado pelos profissionais que consultei durante a minha jornada gestacional.

Na mala pro hospital, tive que contar com a deselegância de um coador grande pro caso de “acidentes intestinais” na água, uma playlist com músicas super animadas, um roupão pra minha saída da banheirona, e uns pacotinhos de bananadas pra manter o nível de açúcar e garantir a energia para a maratona. Na mente, os exercícios de respiração que aprendi nas aulas de yoga pra gestantes foram fundamentais, o que eu apliquei de olhos fechados pelas 10 horas do início ao fim. Na água, sozinha, fui guiada e apoiada pelo meu marido e uma enfermeira por 2h e meia, numa respiração nada ofegante, no ritmo das músicas escolhidas da minha playlist. Eu relembro tudo, com os olhos molhados, lúcida de todos os segundos, orgulhosa de cada momento, sóbria de cada dor que o meu corpo sentiu, e do companheirismo fundamental do meu marido que acompanhou todas as minhas inspiradas e expiradas, e me encorajava arduamente como um preparador físico cheio de fé na sua atleta preferida.

O Gil controlava as minhas respirações quando a minha Malu saiu. “Anda com fé eu vou que a fé não costuma faiá”! Era o que tocava quando um peixe voou de dentro de mim. A enfermeira a pegou de dentro da água e a colocou nos meu braços. “Obrigada filha, por sair de cima do meu nervo ciático. Seja bem vinda”. Fiquei abraçadinha com ela por alguns minutos, admirando o meu peixinho confuso nos meus braços, e absorvendo tudo o que eu estava vivendo. Saí da banheirona sem qualquer dor na perna, e ela foi então abraçada pelo pai. Me lembro de abraçar fortemente a enfermeira que me permitiu viver aquilo, e chorei, a agradecendo muito por ela ter ajudado, junto com o meu marido, a eu alcançar a linha de chegada de maneira tão mágica. A maratona de 10 horas tinha acabado, e o meu ouro estava ali, saudável e cheio de vida!

Hoje completam sete semanas que a minha garotinha chegou ao mundo. Veio como peixe, na água, nasceu aquariana. Saí da maternidade após umas dez horas do parto ter terminado, caminhando normalmente.

Doeu? Claro que doeu! Impressionantemente, já estava tudo no passado! Eu certamente escolhi a melhor dor pra mim, a dor que eu queria viver e lembrar com tanto carinho. Não existiu qualquer trauma pós parto que não fosse a greve de sexo por seis semanas. A recomendação para cicatrização: “água para manter a região limpa e seca”. Naturalmente, tudo fechou e cicatrizou.

O medo de parto passou. A água acalmou, abraçou e finalmente eu pude viver algo belo, mágico e único que eu esperei viver pacientemente durante toda a gravidez. Quando escolhi o parto na água, não foi só a chegada da peixe Malu que estava decidida, mas como os futuros peixes da família irão chegar ao mundo. Felizes são aquelas que podem viver o parto na água. Eu consto nessa lista!

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06.05.2015

Ligeiramente Grávida – Márcia

Ligeiramente Grávida, To Grávida

Hoje tem uma história linda e especial aqui no Blog!! A Márcia é mãe de três meninos trigêmeos e lida com uma rotina puxada por conta da distância do marido. O pai dos meninos trabalha e mora em Angola!

Num texto incrível, ela falou sobre a gravidez dos filhos João Pedro, Gabriel e Daniel, dos sustos que teve e da vida depois dos seus trigêmeos.

Aproveitamos para fazer um ensaio lindo e divertido com ela e seus meninos, registrado pela DayDream Fotografia! Vale a pena ler essa história cheia de amor, perseverança e superação.

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Eu e o Marcos já estávamos casados há quase 5 anos, o sonho de ser mãe não se realizava naturalmente, e o meu relógio biológico gritando! Então, depois orientação médica, decidimos fazer uma inseminação artificial para o nosso “primeiro” filho.

Conhecemos então a Dra. Maria Cecília Erthal, aquela que futuramente seria a minha Anja e futura médica.

Ocorreu que com a dosagem mínima de medicação, eu ovulei 7 vezes e então me vi em uma situação que ou parava e refaria todo o procedimento de novo com menos medicação para realizar a inseminação ou daria continuidade, sendo que o procedimento agora seria o de fertilização.

Dito e feito, segui em frente e fomos rumo á fertilização! Dos 7 óvulos, 6 conseguiram ser fertilizados e 4 estavam em perfeitas condições de serem colocados. No dia, tive a opção de colocar de 02 até todos os 4.  Resolvi colocar todos e assumir o risco de ter trigêmeos. A certeza era tanta que até uma foto foi tirada no dia e eu fiz sinal pra câmera com os 3 dedos levantados. Infelizmente essa foto se perdeu… Enfim, coloquei os 4, vingaram 3  e  hoje e em dia, sempre que eu vejo aquela bagunça normal de 3 meninos juntos, eu olho e falo para mim mesma:” É, poderiam ser quatro”.

São trigêmeos

Depois do procedimento, esperei um tempo para poder fazer o exame de sangue. O resultado foi extremamente comemorado, mas ainda precisávamos aguardar confirmação final que viria com a primeira ultra.

No dia da ultra, o médico falava: ” – Estou vendo aqui um… dois, mas espera… não… será?…levanta um pouco quadril…. é tem mais um! São 3!São 3! São 3! (parecia a narração do Galvão Bueno quando era o gol do Brasil!)”
Nessa hora eu só fazia rir, o Marcos se escorou na parede e minha mãe que estava junto começou a ligar pra família toda freneticamente dizendo: são trigêmeos, são trigêmeos!!

Assim que saímos do exame, a Dra. Maria Cecília me entregou uma caixinha e disse, esse aqui foi o primeiro bercinho deles.

A gestação e os sustos

Eu, desde então, conversava muito com eles fazendo carinho na minha barriga e dizia que eles tinham que cooperar, pois estavam num verdadeiro quitinete. Tive muito enjoo e até perdi um pouco de peso no início.

Alguns sustos ocorreram durante a gestação. Logo no começo, o primeiro foi quando estava de 3 para 4 meses de gestação e tive torção de ovário. Depois de 12 horas numa emergência morrendo de dor, sem ninguém conseguir identificar nada, chamamos a Dra. Maria Cecília. Ela e a equipe, fizeram um procedimento de vídeo-laparoscopia para descobrirem o que era, e no mesmo momento retiraram a trompa e ovário esquerdo que já estavam necrosando.

O segundo susto eu já estava com 6 meses de gestação e fiquei muito inchada, minha perna esquerda ficou enorme, nem conseguia dobrar a perna! Fiz um exame de imagem e deu que eu estava com muito edema e líquido no coração, além da minha veia cava estar sendo pressionada por um dos meus bebês e fui diagnosticada com “derrame pericárdio moderado”, poderia ocorrer tamponamento cardíaco, ou seja, uma parada cardíaca.

A médica já estava marcando para a semana seguinte o parto, detalhe no mesmo dia do casamento da minha irmã! A família numa agitação só.  Eu, era  a única calma dizendo “não vai ser agora”. Eu sabia que não iria acontecer nada demais. Não sei explicar, eu simplesmente sabia. Eu pedi para  consultar uma cardiologista e assim foi feito. Consegui monitorar tudo e até no dia do parto, fiz drenagem linfática para ajudar com os edemas e  tive acompanhamento cardiológico.

Consegui levar até as 34 semanas, ou seja, por mais 20 dias desde o dia em que a médica queria antecipar o parto.
O último susto, foi no dia do parto. Já de volta ao quarto, eu tive hemorragia forte e passei muito mal. Mais uma vez, a minha médica estava lá e me socorreu com mais duas incríveis médicas.

Mas, passado os sustos, penso que  tudo valeu muito à pena! Passaria por tudo de novo se fosse preciso.
O resultado, foram 3 meninos lindos  de nomes João Pedro, Gabriel e Daniel. Nossos trigêmeos nasceram com 41cm de altura e com pesos entre 1,90kg e 2,10kg. Ficaram 11 dias na UTI neonatal apenas para ganharem peso.

A nova rotina

Nossa vida e nossa rotina mudou radicalmente com o nascimento dos nossos “tri”. A começar pelo contingente de pessoas na nossa casa e todas as questões básicas que passam os pais de primeira viagem e ainda por cima de 3 de uma vez. Eram mais de 34 fraldas por dia, administrar uma verdadeira equipe em casa e conseguir implementar uma rotina para os três. Adotei escrever tudo em um caderno e até hoje anoto. Tudo mesmo! Alguns amigos e familiares me incentivam a escrever um livro e posso dizer que eu já tenho muiittttoooo material(risos).

Com 2 anos e meio, eles entraram na creche meio período e mais tarde, com 4 anos começaram a ficar no integral até mudarem para escola e então começaram a estudar em turmas separadas.

Hoje os meninos têm 7 anos e começamos a nova rotina de estudar para provas da escola. Pensei que eu iria enlouquecer,mas tem dado tudo certo, o saldo tem sido positivo.

Nosso trabalho e a distância

Eu empresária e iniciando como escritora de contos infantis, já trabalhava antes de engravidar com projetos educacionais para Angola fazia viagens periódicas  e meu marido,  advogado, era sócio de um escritório aqui no Brasil.

Em 2013 meu marido começou a trabalhar em Angola junto com o meu pai , que já está há 13 anos por lá. Só ano passado, Marcos precisou ficar 6 meses direto sem vir ao Brasil.

Eu, desde que comecei o tratamento não fui mais à Angola, mas faço todos os meus trabalhos de meu escritório em casa e as reuniões externas sempre marco no horário em que eles estão na escola.

Como meu trabalho é para o público infantil, tenho em casa uma enorme fonte inspiradora e eles sempre me ajudam quando estou criando novas estórias ou novos projetos. Meu próximo projeto é trazer para as crianças daqui um pouco da África, através da cultura, da arte e dos contos angolanos.

Tenho uma rotina bem puxada, pois sem a presença do pai a maior parte do tempo tenho que me virar para atender a todas às necessidades.

Graças a Santa tecnologia mantemos uma rotina diária de contatos pela internet e pelo telefone. Marcos ainda não conseguiu ter um período fixo de retornos, mas estamos trabalhando muito para regularizar estes períodos .

Ainda neste ano, eu terei que voltar a Angola e vamos ter mais essa novidade para administrar.É que eu nunca fiquei longe deles. Enfim, vamos levando do jeito que podemos para conciliar tudo com muito amor, rotina, perseverança e superação.

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(Fotos: DayDream Fotografia)

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