29.07.2015

Ligeiramente Grávida – Monique

Ligeiramente Grávida, To Grávida

Nossa convidada do “Ligeiramente Grávida” de hoje é a querida Monique, mãe dos lindos gêmeos Edu e Théo. A Nique tem um blog onde compartilha suas experiencias da maternidade, o www.blogdanique.com.

Durante 9 meses ela tentou engravidar, fez diversos exames para identificar se tinha algum problema, mas nada foi diagnosticado. Só quando decidiu adiar um pouco o sonho da gravidez que veio a surpresa: estava grávida… e de gêmeos!

Nique, obrigada por compartilhar com a gente a sua linda história com os pequenos Edu e Théo! Confiram!

blog da nique_gêmeos

Eu estava casada há 3 anos e resolvi que era a hora de virar mamãe. Sempre sonhei em ter uma família igual as das propagandas de margarina! rs.

Fui na minha médica ginecologista e fiz exames para saber se eu estava preparada. A médica disse que sim e que eu poderia começar a tentar. Passaram 3 meses e nada, 9 meses e nada, então resolvi procurar a ajuda de uma médica especializada em infertilidade para que ela pudesse investigar e saber se havia algum problema comigo ou com o meu marido.

Fiz todos os exames que você pode imaginar, inclusive os mais invasivos. Os resultados eram sempre os mesmos: não havia problema algum comigo e meu marido. Mais aí a frustração só aumentava e a cada mês chorava muito sem entender porque não conseguia ser mãe.

Foi então que eu comecei a acreditar naquela frase que todo mundo diz pra gente quando queremos muito algo e não conseguimos: “Tudo tem a hora certa para acontecer, tudo é no tempo de Deus”.

Hoje acredito muito nisso pq em meio a minha aflição meu pai descobriu que estava com câncer e que seu caso era bem sério. Por conta da doença dele e por querer acompanhá-lo no tratamento, resolvi não pensar mais em ter um filho naquele momento. Eu não sabia o que viria pela frente e eu e meu marido mudamos o foco das nossas vidas.

Foi então que 3 meses depois eu descobri que estava grávida, e de gêmeos. Foi uma surpresa e não esperávamos. Nunca pensei que eu seria mãe de gêmeos mesmo tendo casos na família. A gente sempre acha que vai acontecer com os outros, né? Foi uma mistura de emoção com medo pq agora eu era responsável pela vida de dois bebês.

Fiquei receosa por não poder acompanhar meu pai no tratamento mas pensei que se a minha gravidez dupla veio naquela hora, é pq tinha que ser.

Meus filhos nascerem e conheceram o avô, que faleceu quando eles tinham 6 meses de vida. Hoje penso que Deus me deu a chance de apresentar meus filhos ao avô, de fazê-lo se sentir avô e dar-lhe uma alegria imensa no final de sua vida.

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22.06.2015

Ligeiramente Grávida – Camila

Ligeiramente Grávida, To Grávida

No “Ligeiramente Grávida” de hoje recebemos um texto lindo da Camila, mãe do Gabriel de 11 anos e do Daniel de 4 anos. A Camila é publicitária de formação, mamãe por vocação e compartilha suas experiências no blog Baú de Menino.

A primeira gestação dela foi no susto, quando a Camila ainda estava na faculdade! Mas, depois de alguns dias anestesiada, foi só amor e alegria! Leiam esse relato!

Camila Pagamisse - Blog Baú de Menino 3

Quando estamos fazendo faculdade nosso foco é o mercado de trabalho, nossa carreira, enfim, focamos nossa vida em um possível sucesso profissional. Em 2003 estava nessa fase, me preparando para cursar o último ano da faculdade de Comunicação Social (meu sonho), e sabendo que o ano seria pauleira, pois os Trabalhos de Conclusão de Curso não são fáceis.

Estava namorando e por sorte morávamos na mesma cidade e estudávamos na mesma faculdade, em cursos diferentes. Foi quando um susto mudou nossas vidas! Foi em março que comecei a sentir dores abdominais fortes, pareciam cólicas intensas. Minha menstruação atrasou, ela nunca atrasava, e nesse momento veio na minha mente que algo poderia mudar…

Não queríamos acreditar, mas entre uma consulta e um exame, eis que nossa vida mudou!

Foram dias anestesiada! Mais precisamente uma semana… até conseguir assimilar o que estava acontecendo. Engraçado que no início você meio que desconfia da situação. Será? Mas não estou sentindo nada… Literalmente, porque não tive enjoos, nenhum desses desconfortos do início de gestação.

Começa a ficar real quando a barriguinha cresce e os jeans apertam, mas confesso que tive mais impressão de um “dei uma engordadinha”.  Mas acho que é gradual, do desconfiada fui para a fase “ops, não estou mais sozinha”. Nessa fase comecei a me preocupar com a alimentação, afinal de contas, meu filho, isso aí… você já reconhece que tem um filho, precisa ser bem alimentado.

Daí é um pulo para virar seu confidente, como conversei com minha barriga… e alisar então! Nota-se que o vínculo aumentou, né?

Nesse momento a corujice já está explícita, você já fala dos chutinhos e dos ultrassons lindos, no meu caso, sabia que o nariz seria lindo (e olha que a tecnologia há 12 anos não era assim essas coisas!).

No finalzinho da gestação já estava tomada pelas emoções hormonais, qualquer desenho já me fazia chorar (pior que continuo assim) e me apegava ao meu barrigão!

E assim passam os 9 meses de um contato intenso, participando de minhas angústias, frustrações e alegrias, e eu participando de todo o desenvolvimento dele, crescendo e mexendo (e como mexem).

A natureza é sábia, fazemos um cursinho básico de amor com duração de 9 meses (algumas fazem o curso um pouco mais rápido, mas o resultado é igual) para sabermos o quanto grande é o amor de uma mãe por um filho.

Ah, Gabriel cursou praticamente o último ano inteiro da faculdade, nasceu no dia 30 de novembro (internei no dia anterior, 9 horas de trabalho de parto e uma sessão de fotos para o TCC que não pude comparecer), mas no dia 12 de dezembro estava apresentando meu trabalho para a banca de professores. Sim, eu consegui!

E engana-se quem acha que aprendemos tudo no primeiro curso, o meu segundo intensivo de 9 meses também me ensinou muitas coisas novas, inclusive que amor de mãe não se divide, multiplica-se.

20.05.2015

Ligeiramente Grávida – Tatiana

Ligeiramente Grávida

O “Ligeiramente Grávida” de hoje tem um relato emocionante e lindo da Tatiana. Ela, que sempre teve medo de parto, decidiu fazer um parto natural na água. O parto da Malu foi feito com todo o cuidado em um hospital de Londres.

Leiam essa experiência única que a Tatiana compartilhou com a gente!

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Sempre tive medo de parto. Quando engravidei, não foi diferente. Como uma pessoa pode sair do nosso corpo de maneira confortável? “Confortável” existe? A possibilidade de cortar a barriga me dava pavor, a alternativa de imaginar que um bebê possa esticar o túnel da vagina pra sair também não soava nada agradável. Passei a maior parte da gravidez ignorando o fato de que essa era uma escolha que eu não tinha como fugir. Os nove meses chegariam, e querendo ou não, a minha garotinha sairia de dentro de mim. Foi no sétimo mês que resolvi largar a covardia de lado, e tomar uma decisão.

Tudo o que eu escutava sobre gravidez parecia belo, mágico e único! Dos três, eu concordo que é único! A beleza e a magia da minha primeira gestação, infelizmente, vieram com muitos dos desconfortos previstos pela medicina.

Um sono insaciável no começo, seguidos por enjoos insistentes, logo então vieram os vômitos fortíssimos, seguidos das enxaquecas insuportáveis, e, finalmente uma dor alucinante nas costas. De quebra, no meu sétimo mês de gestação, a dor nas costas se espalhou pra perna, me deixando de muletas. Passei os últimos dois meses de molho em casa, num quadro conhecido como ciática (quando o útero se posiciona estrategicamente em cima do nervo ciático, pressionando o nervo e comprometendo a movimentação das pernas). Quanto mais o bebê cresce, mais pesa, e mais dói. Cura: o bebê sair de cima do nervo ciático… Foi importante manter o bom humor pra garantir que a minha bebezinha sentisse como ela era muito amada e desejada, apesar de todos os efeitos colaterais. Felizes são as mulheres que curtiram a sua gravidez! Eu não consto nessa lista! Mas e o parto? Se a gravidez foi assim, como seria o gran finale das minhas 40 semanas? Eu via o parto de maneira absurdamente assustadora…

Na minha cabeça: os fatos… Eu iria sentir dor. Eu teria um período pós parto de cicatrização desconfortável. E independente da escolha do parto, caso existissem complicações, a equipe médica tomaria as rédeas da situação, e fariam o que fosse necessário para manter a segurança e a saúde da mãe e do bebê, ignorando assim as minhas preferências. Pensar tanto na escolha do parto era quase em vão… Não bastasse o meu corpo ter sido colonizado por essa fábrica de bebê que eu não tinha qualquer controle. No parto, o controle também não era meu. Mas, de maneira otimista, assim como todas as grávidas do planeta (imagino eu) desejei que tudo desse certo e que eu, assim, pudesse ter o parto ideal para mim e para a minha pequena. Escolhi a dor que eu queria viver, e comprei a ideia e todos os seus encantos! A equipe do hospital registrou as minhas preferências, e assim, passei os meus últimos dois meses, saltitante nas minhas muletas, empolgadíssima, aguardando o momento para o meu parto natural na água.

Os benefícios do parto na água são super atraentes! A água morninha alivia a dor e ajuda a relaxar. O relaxamento impede que a mulher se sinta estressada, e isso libera o hormônio oxitocin que estimula as contrações e a dilatação do canal vaginal. A mulher, em trabalho de parto, mais relaxada, também produz mais endorfina, que alivia a dor naturalmente evitando o uso de remédios. A água também permite a movimentação mais fácil da mulher para se posicionar na hora “H”, já que o corpo flutua. Além disso, a água ajuda a garantir um bom fluxo de sangue que o bebê vai recebendo da placenta continuamente durante todo o processo, isso contribui para a saída mais rápida da placenta após o parto. E pra minha paz de espírito, a elasticidade da porta de saída do bebê é obviamente bem umidificada pela água, reduzindo a necessidade de levar pontos traumáticos após o parto. Finalmente, pro bebê é uma experiência mais gentil e menos traumática já que ele muda da água pra água. No meu caso também, com a gravidez temperada pela ciática, foi realmente o parto ideal, e fortemente recomendado pelos profissionais que consultei durante a minha jornada gestacional.

Na mala pro hospital, tive que contar com a deselegância de um coador grande pro caso de “acidentes intestinais” na água, uma playlist com músicas super animadas, um roupão pra minha saída da banheirona, e uns pacotinhos de bananadas pra manter o nível de açúcar e garantir a energia para a maratona. Na mente, os exercícios de respiração que aprendi nas aulas de yoga pra gestantes foram fundamentais, o que eu apliquei de olhos fechados pelas 10 horas do início ao fim. Na água, sozinha, fui guiada e apoiada pelo meu marido e uma enfermeira por 2h e meia, numa respiração nada ofegante, no ritmo das músicas escolhidas da minha playlist. Eu relembro tudo, com os olhos molhados, lúcida de todos os segundos, orgulhosa de cada momento, sóbria de cada dor que o meu corpo sentiu, e do companheirismo fundamental do meu marido que acompanhou todas as minhas inspiradas e expiradas, e me encorajava arduamente como um preparador físico cheio de fé na sua atleta preferida.

O Gil controlava as minhas respirações quando a minha Malu saiu. “Anda com fé eu vou que a fé não costuma faiá”! Era o que tocava quando um peixe voou de dentro de mim. A enfermeira a pegou de dentro da água e a colocou nos meu braços. “Obrigada filha, por sair de cima do meu nervo ciático. Seja bem vinda”. Fiquei abraçadinha com ela por alguns minutos, admirando o meu peixinho confuso nos meus braços, e absorvendo tudo o que eu estava vivendo. Saí da banheirona sem qualquer dor na perna, e ela foi então abraçada pelo pai. Me lembro de abraçar fortemente a enfermeira que me permitiu viver aquilo, e chorei, a agradecendo muito por ela ter ajudado, junto com o meu marido, a eu alcançar a linha de chegada de maneira tão mágica. A maratona de 10 horas tinha acabado, e o meu ouro estava ali, saudável e cheio de vida!

Hoje completam sete semanas que a minha garotinha chegou ao mundo. Veio como peixe, na água, nasceu aquariana. Saí da maternidade após umas dez horas do parto ter terminado, caminhando normalmente.

Doeu? Claro que doeu! Impressionantemente, já estava tudo no passado! Eu certamente escolhi a melhor dor pra mim, a dor que eu queria viver e lembrar com tanto carinho. Não existiu qualquer trauma pós parto que não fosse a greve de sexo por seis semanas. A recomendação para cicatrização: “água para manter a região limpa e seca”. Naturalmente, tudo fechou e cicatrizou.

O medo de parto passou. A água acalmou, abraçou e finalmente eu pude viver algo belo, mágico e único que eu esperei viver pacientemente durante toda a gravidez. Quando escolhi o parto na água, não foi só a chegada da peixe Malu que estava decidida, mas como os futuros peixes da família irão chegar ao mundo. Felizes são aquelas que podem viver o parto na água. Eu consto nessa lista!

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