07.12.2015

A importância de você ser uma mãe “suficientemente boa” para o seu filho

Educação dos Pequenos, Mamães & Papais

Sim! Como mães, nós queremos ser perfeitas! Queremos ser tudo para todas as pessoas, especialmente para os nossos filhos.

Queremos dar a eles todos os tipos de alegria e poupá-los de todos os tipos de dor. Queremos sempre que eles se sintam amados; nunca indesejados, carentes, com medo, com fome, ou que se sintam perdidos. Nunca!

Mas sabemos que não podemos… Não somos super heroínas. Somos reais. E por mais difícil que pareça, por maior que seja a culpa, não podemos impedir nosso filho de se decepcionar, esperar a vez, deixar que caia e se levante sozinho.

Leiam esse texto incrível da nossa parceira psicoterapeuta de crianças e adolescentes, Mônica Pessanha, e vejam a importância de você ser uma mãe “suficientemente boa” para o seu filho.

Happy Young Mother And Three Children Snuggling On Bed

É uma pressão muito grande encarar o desafio da maternidade. Cada vez mais as mídias sociais trabalham juntas para dar-lhes a imaginação de uma mãe ideal como a que vemos nos comerciais. Isso, por si só, já torna as coisas um pouco mais difíceis. Se adicionarmos a isso, a carreira ou a falta de ajuda de um parceiro, o fardo ainda aumenta. Mas mesmo assim, as mães têm colocado uma capa de supermãe todos os dias, secretamente, sabendo que é absolutamente impossível viver de acordo com essas expectativas ideais.

O trabalho das mães é crucial porque o tipo de cuidados que as crianças recebem no início de suas vidas molda tudo o que virá mais tarde. O presente mais importante que podemos oferecer às mães é ajudá-las a desenvolver uma abordagem mais equilibrada da vida. Isso significa que devemos ajudá-las a inclinarem-se sobre os desafios da maternidade com inteligência e devoção, ao mesmo tempo que as auxiliamos a nutrirem a ideia de que se algo não sair perfeitamente como se deseja, seja possível lançar mão da paciência, compaixão e compreensão.

O pediatra e psicanalista Donald Winnicott cunhou um termo que captura essa abordagem mais equilibrada para a maternidade. Ele diz que a mãe deve ser “suficientemente boa”. Ao descrever essa mãe, ele o faz com admiração e respeito. A mãe suficientemente boa é sinceramente preocupada com o fato de ser mãe, prestando atenção no seu filho, participando da vida dele, oferecendo cuidado físico, emocional e segurança. Quando ela falha, tenta novamente, mas isso não é o fim de tudo para a mãe suficientemente boa, porque ela sabe que é um ser humano tridimensional. E ser tridimensional é uma mãe sob pressão e tensão. Ela tem sentimentos mistos sobre ser mãe, como culpa e satisfações. Ela é ao mesmo tempo altruísta e egoísta. Ela se vira para seu filho e se afasta dele. Ela é capaz de grande dedicação, no entanto, ela também é propensa a ressentimento. Ela fica frustrada, deprimida, cansada e perde o seu temperamento; age impulsivamente e sente culpada depois. Ela não é perfeita. Ela não é super-humano. Isso a torna real.

É importante ter expectativas reais delas mesmas, afinal cada mãe sabe dos seus próprios limites. Tentar superá-los é importante, mas não é aconselhável tentar fazer mais do que deveriam. Uma casa limpa é importante, mas não tão importante do que 20 minutos de brincadeiras com os filho. Ser suficientemente boa implica reconhecer e trabalhar com expectativas reais. Aceitar essa realidade pode levar a uma mudança emocional interior. Se nossas vidas são temperadas com compaixão, paciência e compreensão, então a nossa carga emocional será mais leve. E isso é bom para todos.

O processo de se tornar uma mãe suficientemente boa para nossas crianças acontece ao longo do tempo. Enquanto nossas crianças ainda são bebês, tentamos estar disponível constantemente e responder a elas imediatamente. Assim que choram, nós lhe alimentamos ou lhe aconchegamos ou trocamos-lhes as fraldas – em outras palavras, nós fazemos o que for preciso para ajudá-las a se sentirem melhor. Isto é importante porque ensina nossos filhos que eles são seguros e serão cuidados.

Acontece que não podemos sustentar este nível de atenção aos nossos filhos para sempre, nem deveríamos. Isso é a parte mais difícil, porque temos medos que eles cresçam, que atravessem as ruas sozinhos, que decidam sobre suas próprias roupas e o que comer. De repente passamos a falhar, a exigir, a frustrar excessivamente as crianças (dizemos muitos nãos, isso é frustar). Uma mãe suficientemente boa precisa lembrar de satisfazer emocionalmente as crianças, mas isso não significa que devam estar de prontidão todas as vezes que ouvirem o “mãeeeeee”. Falhar de maneira tolerável ajuda a criança a aprender a viver em um mundo imperfeito.

Lembrem-se de que ao nos construirmos como mães suficientemente boas, estaremos contribuindo para criar pessoas mais fortes e equilibradas e cidadãos que poderão contribuir mais positivamente para nossa sociedade. Enfim, adultos capazes de enfrentar o mundo e não desistir diante dos muitos desafios que ele nos oferece.

 

Mônica Pessanha é psicoterapeuta de crianças e adolescentes, mãe da Mel, uma menina que adora desenhar, mantenedora das BRINCADEIRAS AFETIVAS (Oficina terapêutica entre mães e filhos(as)) – www.facebook.com/brincadeirasafetivas
Atende no Morumbi – SP – monicatpessanha@hotmail.com / (11)986430054 e (11)37215430

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