04.05.2016

Mães Brasileiras pelo Mundo: Noruega

Mamães & Papais, Viagens

Já pensou em morar num país em que grávida não paga nada e ainda tem uma assistência médica incrível? Um sonho, né? A coluna “Mães Brasileiras pelo Mundo” recebe hoje a história da Ana Carolina, que mora em Oslo, na Noruega, com o marido e o pequeno Gael de 8 meses.

Ela contou pra gente como é morar num país considerado um dos melhores para se criar filhos. Acompanhamento médico constante de graça, vaga garantida na creche e horário flexível no trabalho são alguns dos benefícios garantidos para grávidas. Mas também tem alguns pontos mais complicados como a dificuldade para fazer amizades e o frio do rigoroso inverno.

Confiram que interessante tudo que a Ana Carolina contou pra gente! Ela também tem um blog em que compartilha textos sobre maternidade chamado mamaconnection.com.br junto com outras duas amigas, uma em cada país.

Se você mora fora e tem uma experiência legal pra compartilhar aqui no blog, manda um e-mail pra gente no contato@chegueiaomundo.com.br! Vamos adorar! ;-)

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Parto e Gravidez
Nunca sonhei em ser mãe até me mudar para a Noruega. Aqui nesse país, considerado um dos melhores para se criar filho, a ideia da maternidade está sempre nos rondando. Seja na quantidade de bebês na rua ou nas amigas com filho, grávidas ou planejando. Eu, que no Rio não tinha nenhuma amiga próxima com filho, me vi rodeada de bebês. E foi assim que comecei a pensar em aumentar a família. Do sonho para a realidade não demorou muito e meu filhote nasceu no início de agosto de 2015.

Meu parto foi normal, como são a maioria dos partos aqui. O que nós escolhemos é o hospital onde queremos ter o filho e dependendo do lugar há mais opções. Por exemplo, o hospital onde eu tive meu filho oferecia também a opção de um departamento todo voltado para o parto natural, a grávida que decide parir ali só pode receber ajuda naturais, como acupuntura e água quente.

Grávida na Noruega não paga nada e a assistência que nós temos é incrível, fiquei 13 horas em trabalho de parto no hospital com uma equipe me acompanhando e me auxiliando no que fosse preciso, tudo para meu filho nascer da melhor forma.

Licença Maternidade
Após seis meses de trabalho fixo, os pais têm direito à licença maternidade paga pelo governo. Cabe aos pais escolher entre 49 semanas ganhando 100% do salário ou 59 semanas ganhando 80%. Sendo que dessas semanas, as 10 primeiras são destinadas à mãe e o pai tem garantido 10 semanas. As demais semanas que sobram podem ser divididas entre os pais do jeito que eles acharem melhor.

É possível também voltar parcialmente ao trabalho, trabalhando alguns dias da semana ou metade do dia, desde que o total da licença esteja dentro do prazo. Além disso, caso um dos pais seja estudante o outro tem direito a 100% da licença. E se nascerem gêmeos o tempo também aumenta.

Médicos/Pediatras
Por aqui o sistema de saúde é bem diferente do que a gente está acostumado no Brasil. Quando o bebê nasce, nós recebemos em casa a visita de uma “helsesøster”, cuja a tradução ao pé da letra é “irmã da saúde”. Ela trabalha no posto de saúde do nosso bairro e sua função é uma mistura de enfermeira com conselheira, ela aplica vacinas e aconselha nos cuidados do nosso filho em relação ao sono, alimentação, atividades, tudo que esteja presente na nossa relação com nosso filho. A partir dessa primeira visita, o bebê entra num programa de saúde do governo e existe um cronograma específico de visitas ao posto de saúde. Essas visitas são de controle e as mais frequentes são com a “helsesøster”, já com o pediatra fomos apenas com 6 semanas e com 6 meses, e voltaremos apenas com 1 ano. Já no caso do bebê ficar doente, não vamos ao pediatra, nós temos um médico de família, que é o mesmo clínico geral que nós pais vamos.

Creches/escolas/babás
Toda criança tem direito a uma vaga na creche a partir de 1 ano de idade. Existem creches públicas e particulares, mas o preço é quase o mesmo, pois só pagamos uma taxa de funcionamento e o governo cobre demais custos. Não é comum o uso de babás, principalmente porque custa muito caro. O que acontece é que são é possível iniciar na creche em agosto, quando começa o ano letivo, e a criança tem que ter no mínimo 1 ano (alguns lugares aceitam 10 meses). Então, dependendo de quando seu filho nasça pode ser que um dos pais tenha que estender a licença, e esse período extra é não remunerado, mas o governo paga uma ajuda de custo após 1 ano de idade caso a criança não frequente a creche.

Relação trabalho e qualidade de vida
O meu horário de trabalho é das 8h às 16h, flexíveis. Então por volta de 16:30 já estarei de volta em casa com meu filho, podendo aproveitar um tempo do meu dia para brincar com ele. Ainda estou de licença maternidade, volto a trabalhar mês que vem, mas pelo que eu observo entre minhas colegas de trabalho, são todos bem compreensíveis quanto a faltar ou ter que sair mais cedo por causa dos filhos. Inclusive, por lei, temos 3 dias de folga em caso de doença do filho sem precisar levar atestado médico, podendo repetir 3 vezes ao ano. Isso por filho, aumenta conforme a quantidade.

Atividades com as crianças
Durante o meu período de licença maternidade procurei muitas atividades que pudesse fazer junto com meu filho. Pegamos um período do inverno e o frio já nos leva a ficar muito tempo em casa, precisava sair para encontrar outras mães e bebês, já que não dava para sentar na pracinha. Eu e meu filho fizemos aula de yoga, ginástica, balé, tudo voltado para pós-parto. Frequentamos também uma aula de música e até de norueguês para recém-mamães. O governo também promove um encontro entre mães que moram no mesmo bairro e tiveram o filho na mesma semana. É possível também fazer parte de um grupo de mães que saem para passear com carrinhos de bebê. Oslo oferece muitas opções e eu fiquei bem satisfeita quanto a isso.

Livros infantis
Ainda não me informei sobre as histórias tradicionais norueguesas. Por enquanto estou introduzindo livros brasileiros, mas em breve vou começar a comprar locais. Acredito que quando ele entrar para a creche vai ser mais fácil esse contato com as histórias tradicionais norueguesas.

Amizades
Os noruegueses são muito fechados em grupos e não é tão fácil fazer amizade quanto estamos acostumados no Brasil. Por sorte conheci um grupo de brasileiras com filhos, inclusive com algumas compartilhei também a gravidez. Isso ajudou muito para dividir dúvidas ou experiências e também promover encontros. Fazer parte das atividades que citei acima também ajuda a se integrar na cultura local.

Moda
Os noruegueses têm um gosto bem particular. Acontece que muitos pais quando saem para passear com seus filhos (ou outras atividades em família) se vestem como se estivessem indo para a academia. São roupas de exercício e cabelo e rosto muito bem arrumados. Curioso isso como eles transformam o passeio com o filho em uma atividade física.

Outra questão quanto à moda foi que tive que aprender como vestir um bebê no frio. Eles desde pequenos já aprendem a importância das camadas e do uso da lã. São informações que eles não falam muito, simplesmente porque todo mundo já sabe, é assim há muitas gerações. Mas para nós brasileiros nem tudo é tão óbvio.

Comida e Restaurantes
Aqui se come muito peixe. Os peixes são deliciosos e muito mais baratos que uma carne bovina. Cozinha-se muito em casa por causa dos preços altos dos restaurantes. É muito comum receber amigos em casa para um jantar.

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3 Comentários
  1. Thaiene 04/05/2016 | 12:39

    Inacreditável que exista um país assim no mundo! Parabéns pelo filhote e muitas felicidades pra sua família!

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  2. Laiza Rodrigues 05/05/2016 | 10:02

    Um sonho com certeza!

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  3. […] CHEGUEI AO MUNDO […]

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