13.02.2017

Adoção: Saiba quais são as orientações para adotar uma criança

Mamães & Papais

Dúvidas sobre o processo de adoção? Fizemos uma pesquisa com as principais perguntas e respostas do assunto.

Se você tem vontade de adotar uma criança, o primeiro passou é ir até a Vara da Infância da sua cidade para se inscrever como candidato a adoção.

O processo de adoção é gratuito e o tempo de espera varia muito, dependendo do perfil de criança desejada.

Vejam abaixo as principais dúvidas e respostas!

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Quais são os procedimentos necessários para adoção?
Os pretendentes devem comparecer a uma Vara da Infância e da Juventude com RG e comprovante de residência.
Eles serão encaminhados ao setor técnico para estudos sociais e psicológicos. Parecer do Ministério Público e decisão do Juiz da Comarca. Deferido a habilitação será expedida a Certidão de Habilitação à adoção. Os habilitados serão registrados em cadastro e aguardarão a indicação de criança e ou adolescente.

Quem pode adotar?
Os solteiros, viúvos, separados judicialmente, divorciados e casados, maiores de 18 anos, que sejam 16 anos mais velhos que os adotados. Um cônjuge ou companheiro pode adotar o filho do outro.

É possível registrar como filho uma criança nascida de outra pessoa?
Não. Essa conduta é ilegal, constitui crime, previsto no Código Penal e, descoberta, provocará o cancelamento do registro. O que se deve proceder é a adoção, por meio dos Juizados, com o que não haverá risco de perder a criança / adolescente nem mesmo para os pais biológicos.

Filhos adotivos dão mais problemas que filhos biológicos?
Não. Estudos e pesquisas mostram que os problemas de famílias adotivas e biológicas são os mesmos. O certo é que a paternidade / maternidade exige uma preparação, uma doação verdadeira, e toda a criança / adolescente que é criada em ambiente saudável, com afeto, aceitação, segurança, educação, respeito e compreensão, tem condições de tornar-se um adulto equilibrado e feliz, seja ele biológico ou adotivo.

A criança / adolescente deve saber que é adotada?
Sim e quem deve lhes revelar essa condição são os próprios pais, de forma natural e verdadeira, o mais cedo possível. É um direito seu conhecer a história de sua vida, a revelação irá gerar confiança nos pais adotivos e trará mais segurança em relação à adoção.

Os estrangeiros, residentes em outros países, podem adotar crianças / adolescentes brasileiros?
Sim, podem adotar, quando não existam famílias brasileiras que queiram adotá-los, pois há uma preferência legal para os nacionais. O procedimento para consegui-lo é diferente, têm de trazer documentação do país onde estejam domiciliados, declaração das autoridades daquele país de que darão ao adotado a sua nacionalidade e requerer inicialmente a habilitação nas Comissões Estaduais Judiciárias de Adoção – CEJA’s ou CEJAI’s.

Qual a renda necessária para adotar uma criança?
Não existe uma definição legal de renda mínima para a adoção, qualquer pessoa pode se inscrever na fila de adoção independente de sua renda.

A equipe técnica da Vara da Infância poderá verificar se o candidato tem condições de cuidar de uma criança, isso inclui renda, espaço físico na casa e até mesmo tempo disponível para as tarefas que a criança trará, como levar a escola a ao médico quando necessário.

É importante levar em consideração que ter um filho não é tão simples. Mesmo que existem recursos que possam economizar tempo (babás) ou dinheiro (escolas públicas), uma criança sempre exige muito tempo e dinheiro.

Embora uma criança ocupe pouco espaço e suas roupas sejam pequenas, a despesa com comida, roupas e médico pode equivaler a um adulto. Até mesmo ultrapassar essas despesas. É como ter mais um adulto em casa que não trabalha e não ajuda nas tarefas de casa.

É preciso pensar bastante.

Conheço uma criança que está no abrigo. Posso adota-la?
Estar no abrigo não significa estar abandonada. Muitas crianças vão para os abrigos por problemas em suas famílias, mas voltarão para casa. É dever das Varas da Infância e do Ministério Público acompanhar essas crianças e verificar se as famílias ainda estão visitando as crianças.

Se as famílias não estiverem visitando, deverá ser feita uma investigação e a família poderá perder o “poder familiar”, ou seja, não serão mais os responsáveis pela criança. Neste caso, a criança continua no abrigo e entra para o cadastro de adoção da Vara da Infância.

Então, se você conhece uma criança, precisa ir a Vara da Infância para saber a situação dessa criança. Se ela estiver disponível para a adoção, ela será adotada pelas pessoas cadastradas. As vezes não há ninguém na fila para aquela criança, e por isso ela continua no abrigo.

Algumas crianças tem pouca chance de serem adotadas. Nesse grupo estão os mais velhos, com muitos irmãos e sérios problemas e saúde. Se houver um candidato a adoção, esses processos podem ser acelerados.

(Fontes: quintaldeana.org e portaldaadocao.com.br

11.04.2015

Ligeiramente Grávida do Coração – Luciane

Ligeiramente Grávida, To Grávida

O “Ligeiramente Grávida” de hoje é especial com um relato lindo sobre adoção. Conhecemos a Luciane Cruz, autora do blog Gravidez Invisível, através de um email que ela mandou pra gente contando sua história. Logo nos encantamos e decidimos compartilhar esse importante relato aqui para ajudar a desmistificar a maternidade através da adoção no Brasil. Vale a pena ler!

Em um texto emocionante e inspirador, ela falou sobre a decisão de adotar, os desafios e dificuldades que enfrentou, a espera cansativa – e sem prazo – pelo dia do encontro com seu filho e a emoção de ter o pequeno nos braços!

Luciane, obrigada por compartilhar com a gente a sua linda história! Adoramos!;-)

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Ainda na minha adolescência já sonhava em ser mãe através da adoção. Talvez em virtude da minha história de vida, mas acredito mesmo em plano divino. Minha mãe biológica faleceu quando eu tinha três anos, morei com o meu pai biólogico mais um tempo, e aos nove anos fui morar com meus padrinhos. Eles e meus irmãos me acolheram com muito amor, e sempre senti que pertencia (e pertenço) a esta família. Muito provavelmente por causa disso, sempre encarei a adoção como um caminho natural para a maternidade. No meu coração sempre foi um plano A, e quando conheci o meu marido tive mais certeza ainda de que era um propósito para nós como família.

Nos conhecemos em 2000 e casamos em 2004 quando morávamos em Londres, na Inglaterra. Logo que casamos já pensávamos em ter filhos e como já tínhamos decidido pela adoção em 2006 retornamos ao Brasil para entrar com o processo. Nós somos do Rio Grande do Sul, mas quando chegamos no Brasil decidimos morar em São Paulo para “facilitar” a readaptação no país depois de morar cinco anos no exterior. Naquela época ainda não existia o CNA (Cadastro Nacional de Adoção), que foi lançado em 2009, então se entrássemos com o processo numa cidade e mudássemos para outra, perderíamos o processo inicial. Por isso só entramos com o processo em janeiro de 2011 e fomos habilitados em setembro de 2011, quando recebemos o nosso “positivo” da gestação do coração.

A minha experiência com a gestação do coração foi muito intensa. Costumo chamá-­la de “gravidez invisível”, pois é um período de extrema ansiedade e solidão. Uma “gestante do coração” não recebe a mesma atenção que uma “gestante de barriga”. Inclusive muitas vezes é tratada como obsessiva, porém vale lembrar que o período da gestação do coração é indefinido, normalmente não sabemos a idade e o sexo, ou seja, não podemos comprar roupinhas, decorar o quarto, fazer o chá de fraldas…. coisas que aliviam a tensão da espera, né?!. Por isso, nos meus momentos de inquietude, comecei a buscar informações e desvendar a beleza desta gestação também. E por essa razão hoje compartilho minhas experiências e dicas através de um blog. Falo sobre a importância de um diário durante essa fase, do pré­natal com um psicólogo, do book da gestação do coração, do chá de boas­vindas, entre tantas outras dicas que amenizam um pouco a espera e tornam esta gestação mais prazerosa também.

A imagem que a cultura brasileira tem sobre a adoção é bem deturpada. A família formada pela adoção também pode ser feliz. Os pais por adoção são os pais verdadeiros. Os filhos por adoção são herdeiros de seus pais. Eu não gosto de usar o termo “filho adotivo” e nem “filho do coração”.

Meu filho é meu filho e ponto final. Apesar de usar a palavra adoção de forma positiva sempre. Eu adotei o hábito de falar sobre adoção de forma natural e positiva.

Nossa espera foi lenta, e quando recebemos a notícia de que ele havia nascido pra nós, ficamos nas nuvens. Recebemos a ligação de que deveríamos ir buscá-­lo, e no caminho passava um filme na minha cabeça de todos os anos de espera. Foi um momento tão maravilhoso que quando ele foi colocado nos meus braços eu senti meu coração transbordar de amor, e naquele momento aconteceu o parto do coração, nosso filho nascia pra mim e de mim, e ao mesmo tempo entrava no meu coração pra sempre, muito louco isso, né?! É difícil descrever um parto do coração, mas posso compartilhar com vocês que é um momento muito abençoado, quando toda a dor (neste caso não física mas emocional) passa no mesmo instante. Quando eu olhei o rostinho dele, aconchegado no meu peito, foi amor à primeira vista e eu só pensava que eu precisava transmitir pra ele todo amor que eu tinha guardado como um tesouro muito precioso por tantos anos. Eu queria que ele se sentisse tão amado e desejado como ele realmente foi. O passado ficou para trás e escreveremos uma nova história de amor juntos.

Fomos pra casa e deitamos com ele na nossa cama, ficamos ali talvez uma hora, mas aquele momento ficou eternizado na minha memória. Nós já não éramos mais dois como nos últimos doze anos, agora éramos três. Já tínhamos feito inúmeras listas de nomes, mas queríamos ver o rostinho dele para decidir, e aconteceu que após aquele primeiro dia, já tinhamos a certeza de que se chamaria Noah, cujo significado é descanso, repouso, pois foi justamente isso que ele trouxe pra dois corações que ansiavam por um filho.

Eu e meu marido passamos os primeiros dias extasiados, eu me sentia em outra dimensão, pois a maternidade finalmente havia chegado na minha vida. Com o passar dos dias é que a ficha foi caindo, as coisas foram se ajeitando, pois recebemos muitas visitas de familiares e amigos e tínhamos pouco tempo à sós com ele. A felicidade era paupável pois finalmente o nosso primogênito tinha chegado ao nosso lar.

A adoção na nossa família não foi um plano B, temos convicção que nossa família foi e está sendo formada por um plano de Deus. O Noah nasceu pra nós há dois anos e é muito amado por toda nossa família. Ele certamente chegou na nossa vida para cumprir um próposito. Hoje nós temos uma missão, espalhar para quem quiser ouvir que uma família formada pela adoção é tão feliz e especial quanto qualquer família. Como disse o pastor coreano Lee Jong­rak: “Eles não são desnecessários no mundo. Deus os enviou aqui com um propósito.” (do filme “The Drop Box”)

Ah! Estamos “grávidos do coração” novamente, a felicidade por aqui não poderia ser maior.

Com amor,

Luciane Cruz

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