01.03.2016

O Dom do Tempo na Hora de Educar os Pequenos

Bebês, Cuidados Diários, Educação dos Pequenos, Mamães & Papais

Vamos falar sobre o tempo? Não daquele que conta as horas, mas daquele que conta as lembranças, ensinamentos e que as crianças agradecem com sorrisos e abraços apertados.

Alguns pais confundem qualidade e quantidade como tudo ou nada; o tempo de qualidade contra tempo quantidade. Talvez não seja tudo assim tão preto e branco. Embora no mundo de hoje o relógio nos dê a sensação de que os minutos passem mais rápido do que quando éramos crianças, podemos ter uma certeza: não foi ele que mudou, mas nós que estamos cada vez mais sobrecarregados.

Leiam esse texto maravilhoso que nos faz pensar e reavaliar a maneira que estamos dedicando o tempo com nossos filhos, escrito pela nossa super parceira e psicoterapeuta infantil Mônica Pessanha! Vale a pena ler!

Happy Mother And Baby Laying On Meadow

O tempo é a coisa mais preciosa que possuímos. Dá até medo da pressa, quando pensamos que estamos ficando cada vez menos com nossos filhos. E para “equilibrar o jogo das agendas” damos as crianças agendas cada vez mais lotadas de atividades extracurriculares.  Isso pode ser resultado da culpa de sabermos que, muitas vezes, pressionamos os nossos filhos para a parte interior da nossa própria agenda. Sim, estamos assegurando (com a agenda), que vamos passar algum tempo com os filhos, mas só depois que terminamos isso e aquilo. Até lá, a agenda deles devem permanecer tão lotada quanto a nossa. Passar o tempo com nossos filhos tornou-se, em alguns casos, outro item na nossa lista de tarefas, como se fossem uma “coisa a fazer.”

Claro que isso não significa que não teremos tempo apenas para nós mesmas, até porque precisamos recarregar nossas baterias. Bom senso, essa é uma outra boa palavra na hora de educar os pequenos.

Há ainda em relação ao tempo, um aspecto que talvez passe, devido a pressa do dia a dia, despercebido por nós na atualidade. Existe na família uma intimidade que não há em nenhum outro ambiente com relações sociais. Uns dos grandes problemas da sociedade hoje é o distanciamento dessa intimidade, e infelizmente as crianças são as mais atingidas.

O uso dos objetos tecnológicos têm sido um dos grandes vilões nas relações familiares. Se antes tínhamos pais cansados e preocupados com seus afazeres no trabalho, hoje o trabalho entra em casa pelos smartphones e tiram a atenção que os pais deveriam dar as crianças.

Elas sentem que seus pais diminuíram o tempo para conversar. Certamente, com o tempo, elas passarão a exibir comportamentos inadequados que têm a função muito mais de chamar a atenção dos pais do que desafiá-los. É preciso lembrar que a criança não sabe colocar o que sente em palavras, mas como todo ser humano, ela sente que precisa ter suas necessidades reconhecida e suprida. Cabe ao adulto ajudar a criança dar conta disso.

Qualidade e quantidade tem o mesmo valor e andam juntas. O dom do tempo das lembranças nunca poderá ser deixado de lado, porque filho é uma oportunidade de ver a vida com um novo olhar. Que sejam 15 minutos, mas que sejam com disposição para amar, para doar-se. No meio a tanta loucura que estamos vivendo, não podemos nos esquecer que nosso maior papel como pais é curtir a vida com nossos filhos.

Os pais precisam estar lá – precisam ser uma testemunha da vida de seus filhos. Isso significa a criação de bons tempos, mas mais importante, isso significa estar lá quando as coisas estão difíceis. Significa ser um participante ativo nas lutas diárias do seu filho.

Vamos pensar nessas quatro dicas como mais uma ferramenta de tempo junto:

1) Ressignificar a vida: 20 minutos por dia pode transformar uma família. Imagina se diminuíssemos o nosso tempo nas redes sociais, por exemplo, e aumentássemos para uma hora o tempo que passamos com nossos filhos? Só com eles: brincando; ouvindo; compreendendo e ensinando.

2) Passar o tempo não significa que você tem que fazer algo especial. Se você está sobrecarregado com as tarefas, pedir a seus filhos para ajudar é também uma oportunidade de conexão. Acima de tudo, não dê aos filhos doces, dinheiro, brinquedos ou viagens para compensar a falta de tempo. Quando lhe faltar tempo, use a qualidade com peso maior. Será um problema quando só a qualidade estiver na balança. Lembre-se de que os filhos precisam de tempo com os pais.

3) Esteja totalmente presente quando você estiver em casa.  Muitas vezes, quando os pais chegam em casa, eles se distraem com outras atividades e demandas. Ou, às vezes, com hobbies. A fim de ter tempo de qualidade, você tem que colocar essas coisas de lado e focar na família. Mostre aos filhos que eles valem mais do que as redes sociais e os telejornais.

4) Faça perguntas importantes. Se você quiser descobrir como sua família vê a questão da qualidade do tempo, pergunte-se: se pudéssemos fazer alguma coisa amanhã juntos, o que seria?

Não há problema algum realizarmos nossos sonhos de sucessos. Na verdade temos que buscá-los.  No entanto, lembre-se de criar tempo suficiente em quantidade e concentrar seus esforços em fazer um tempo de qualidade familiar para que o sucesso seja completo.

Mônica Pessanha é psicoterapeuta de crianças e adolescentes, mãe da Mel, uma menina que adora desenhar, mantenedora das BRINCADEIRAS AFETIVAS (Oficina terapêutica entre mães e filhos(as)) – www.facebook.com/brincadeirasafetivas
Atende no Morumbi – SP – monicatpessanha@hotmail.com / (11)986430054 e (11)37215430

04.01.2016

2016: Que tal desacelerar a rotina do seu filho neste ano?

Bebês, Educação dos Pequenos, Mamães & Papais, Saúde

Little baby girl and her mother

Sai da escolinha, vai para a natação, sai da natação, vai para o balé, sai do balé, vai pra aula de música, depois aula de pintura e ai vai direto pro inglês. Ufaaa! A agenda do seu filho anda corrida e lotada? Você já ouviu falar em “Slow Parenting”? Que tal pensar mais sobre isso em 2016?

O movimento “Slow Parenting”, que pode ser traduzido por “Pais Sem Pressa”, começou nos Estados Unidos e, simplificando, significa desacelerar a rotina dos pais para desacelerar a dos filhos.

Vivemos num mundo tão corrido, em que muitas vezes sentimos ansiedade para estimular e preparar nossos filhos para serem os melhores e mais inteligentes. E ainda tem a competição materna (enlouquecedora!!) com perguntas de outras mães do tipo: “Seu filho ainda não anda? Ahh não? O meu já anda há 1 mês!”. Mas qual é a vantagem disso? Pra que acelerar o desenvolvimento dos nossos filhos? Será que eles estão felizes?

Claro que achamos que devemos estimulá-los, mas tudo da medida certa. Sem querer antecipar fases, sem pressão em cima deles. É preciso respeitar o tempo de cada criança, encontrar o equilíbrio entre atividades importantes e o que elas realmente se sentem felizes em fazer.  E é exatamente isso que esse movimento “Slow Parenting” defende para uma melhor qualidade de vida.

Bebê precisa ser bebê, criança precisa ser criança. E nós, pais, precisamos entender isso para desacelerar e perceber que não temos que ficar o tempo todo criando brincadeiras e atividades para estimulá-los. Muitas vezes um ritmo acelerado pode trazer sérios problemas emocionais para os nossos filhos.

Com um novo ano que chega, esse é um momento importante para repensarmos o dia a dia. Talvez seja a hora de criamos nossos filhos com menos cobranças e mais valor para coisas pequenas da vida, como os passeios de bicicleta, as idas aos parquinhos e o cineminha no sofá. Vamos relaxar, ser felizes e deixar que eles curtam a infância do jeito que ela deve ser, de forma equilibrada, sem cobranças e obrigações. Concordam?

E lembrem-se: nenhuma atividade é mais importante do que estar junto deles! ;-)

Vejam os 10 princípios do movimento “Slow Parenting”:

1- Desligar todo tipo de tecnologia por pelo menos 1 hora por dia (mais é ainda melhor).

2- Ser pai e mãe, deixar de tentar ser o amigo do seu filho.

3- Cultivar a habilidade de observar seus filhos e outras crianças, e ser atento nessas observações. Perceber as diferenças de idades.

4- Casas são as primeiras escolas, pais os primeiros professores. Entenda os valores e a importância do seu papel.

5- O trabalho de uma criança é brincar.

6- Você deu a vida, mas você não é a vida do seu filho.

7- Ok dizer não. Estabeleça limites.

8- Menos é mais – criatividade muitas vezes nasce do tédio.

9- Entenda, respeite e honre sua comunidade – dentro e fora de casa.

10- Aprenda a cultivar espaços silenciosos durante o dia e tenha tempo pra esvaziar a mente.

07.12.2015

A importância de você ser uma mãe “suficientemente boa” para o seu filho

Educação dos Pequenos, Mamães & Papais

Sim! Como mães, nós queremos ser perfeitas! Queremos ser tudo para todas as pessoas, especialmente para os nossos filhos.

Queremos dar a eles todos os tipos de alegria e poupá-los de todos os tipos de dor. Queremos sempre que eles se sintam amados; nunca indesejados, carentes, com medo, com fome, ou que se sintam perdidos. Nunca!

Mas sabemos que não podemos… Não somos super heroínas. Somos reais. E por mais difícil que pareça, por maior que seja a culpa, não podemos impedir nosso filho de se decepcionar, esperar a vez, deixar que caia e se levante sozinho.

Leiam esse texto incrível da nossa parceira psicoterapeuta de crianças e adolescentes, Mônica Pessanha, e vejam a importância de você ser uma mãe “suficientemente boa” para o seu filho.

Happy Young Mother And Three Children Snuggling On Bed

É uma pressão muito grande encarar o desafio da maternidade. Cada vez mais as mídias sociais trabalham juntas para dar-lhes a imaginação de uma mãe ideal como a que vemos nos comerciais. Isso, por si só, já torna as coisas um pouco mais difíceis. Se adicionarmos a isso, a carreira ou a falta de ajuda de um parceiro, o fardo ainda aumenta. Mas mesmo assim, as mães têm colocado uma capa de supermãe todos os dias, secretamente, sabendo que é absolutamente impossível viver de acordo com essas expectativas ideais.

O trabalho das mães é crucial porque o tipo de cuidados que as crianças recebem no início de suas vidas molda tudo o que virá mais tarde. O presente mais importante que podemos oferecer às mães é ajudá-las a desenvolver uma abordagem mais equilibrada da vida. Isso significa que devemos ajudá-las a inclinarem-se sobre os desafios da maternidade com inteligência e devoção, ao mesmo tempo que as auxiliamos a nutrirem a ideia de que se algo não sair perfeitamente como se deseja, seja possível lançar mão da paciência, compaixão e compreensão.

O pediatra e psicanalista Donald Winnicott cunhou um termo que captura essa abordagem mais equilibrada para a maternidade. Ele diz que a mãe deve ser “suficientemente boa”. Ao descrever essa mãe, ele o faz com admiração e respeito. A mãe suficientemente boa é sinceramente preocupada com o fato de ser mãe, prestando atenção no seu filho, participando da vida dele, oferecendo cuidado físico, emocional e segurança. Quando ela falha, tenta novamente, mas isso não é o fim de tudo para a mãe suficientemente boa, porque ela sabe que é um ser humano tridimensional. E ser tridimensional é uma mãe sob pressão e tensão. Ela tem sentimentos mistos sobre ser mãe, como culpa e satisfações. Ela é ao mesmo tempo altruísta e egoísta. Ela se vira para seu filho e se afasta dele. Ela é capaz de grande dedicação, no entanto, ela também é propensa a ressentimento. Ela fica frustrada, deprimida, cansada e perde o seu temperamento; age impulsivamente e sente culpada depois. Ela não é perfeita. Ela não é super-humano. Isso a torna real.

É importante ter expectativas reais delas mesmas, afinal cada mãe sabe dos seus próprios limites. Tentar superá-los é importante, mas não é aconselhável tentar fazer mais do que deveriam. Uma casa limpa é importante, mas não tão importante do que 20 minutos de brincadeiras com os filho. Ser suficientemente boa implica reconhecer e trabalhar com expectativas reais. Aceitar essa realidade pode levar a uma mudança emocional interior. Se nossas vidas são temperadas com compaixão, paciência e compreensão, então a nossa carga emocional será mais leve. E isso é bom para todos.

O processo de se tornar uma mãe suficientemente boa para nossas crianças acontece ao longo do tempo. Enquanto nossas crianças ainda são bebês, tentamos estar disponível constantemente e responder a elas imediatamente. Assim que choram, nós lhe alimentamos ou lhe aconchegamos ou trocamos-lhes as fraldas – em outras palavras, nós fazemos o que for preciso para ajudá-las a se sentirem melhor. Isto é importante porque ensina nossos filhos que eles são seguros e serão cuidados.

Acontece que não podemos sustentar este nível de atenção aos nossos filhos para sempre, nem deveríamos. Isso é a parte mais difícil, porque temos medos que eles cresçam, que atravessem as ruas sozinhos, que decidam sobre suas próprias roupas e o que comer. De repente passamos a falhar, a exigir, a frustrar excessivamente as crianças (dizemos muitos nãos, isso é frustar). Uma mãe suficientemente boa precisa lembrar de satisfazer emocionalmente as crianças, mas isso não significa que devam estar de prontidão todas as vezes que ouvirem o “mãeeeeee”. Falhar de maneira tolerável ajuda a criança a aprender a viver em um mundo imperfeito.

Lembrem-se de que ao nos construirmos como mães suficientemente boas, estaremos contribuindo para criar pessoas mais fortes e equilibradas e cidadãos que poderão contribuir mais positivamente para nossa sociedade. Enfim, adultos capazes de enfrentar o mundo e não desistir diante dos muitos desafios que ele nos oferece.

 

Mônica Pessanha é psicoterapeuta de crianças e adolescentes, mãe da Mel, uma menina que adora desenhar, mantenedora das BRINCADEIRAS AFETIVAS (Oficina terapêutica entre mães e filhos(as)) – www.facebook.com/brincadeirasafetivas
Atende no Morumbi – SP – monicatpessanha@hotmail.com / (11)986430054 e (11)37215430

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