05.08.2016

Mães Brasileiras pelo Mundo: Indiana – EUA

Mamães & Papais, Viagens

No Mães Brasileiras pelo Mundo de hoje quem conta um pouquinho do seu dia a dia com filhos em Indiana, nos EUA, é a Luciana. Ela mora há 12 anos lá nos EUA, é casada com um americano, e tem duas filhas – Isabella, que acabou de completar 10 anos, e Sophia que fará 6 anos em agosto.

Vejam que interessante o que ela conta sobre a relação mais profissional com os médicos (e não muito pessoal como vemos no Brasil), detalhes sobre como funciona o seguro saúde para eles, as atividades ao ar livre no verão, as diferenças na licença maternidade e férias. Confiram!

brasileira mora EUA

Eu me formei em Engenharia Química no Brasil, e vim para os EUA 6 meses após minha formatura para fazer mestrado – em Julho de 2004. Meu plano era estudar e voltar para o Brasil depois, mas aí conheci meu marido (Chris) e fiquei por aqui! Somos pais da Isabella, que fez 10 anos em maio, e da Sophia que fará 6 anos agora em agosto.

Nós moramos atualmente em Fort Wayne, que é a segunda maior cidade do estado de Indiana, no meio-oeste americano. Meus sogros e minha cunhada moram aqui na mesma cidade, mas a nossa família morou por um tempinho em Holmen, Wisconsin. Trabalho como engenheira numa multinacional que produz fio magnético, que tem sede aqui na minha cidade. Adoro morar aqui, a cidade é muito boa para criar filhos, tem custo de vida baixo, e as minhas filhas estão tendo uma infância que para alguém como eu, que cresceu em apartamento em São Paulo, só existia em filme!

Tenho muita sorte que meus pais decidiram comprar uma casa aqui, e eles passam os verões do hemisfério norte aqui conosco, e vem com frequência o resto do ano também. Eles são super próximos das minhas filhas, e isso é algo que me deixa muito feliz, pois a parte mais difícil de morar no exterior é a saudade da família.

Parto e Gravidez
Aqui o pré-natal só começa com 10 semanas – antes disso a maioria dos médicos nem aceita marcar consulta, a não ser que a grávida esteja acompanhada por especialista particular. Ultrassom em gravidez saudável, só um – com 20 semanas, morfológico, com a opção de descobrir o sexo. Se a grávida quiser mais ultrassons, tem que pagar particular, o seguro quase nunca irá cobrir.

Com a minha primeira filha, eu não estava muito bem informada e tive um parto bem “padrão” – fui internada cedo (3cm de dilatação), médico conduziu meu parto com ocitocina sintética, e eu tomei a anestesia peridural (que aqui é oferecida a partir de 4cm de dilatação). Foi uma experiência boa, minha filha nasceu bem e o parto foi normal com uma recuperação tranquila.

Quando engravidei da Sophia, eu já tinha 4 anos de muita leitura e troca de informação sobre parto com grupos na internet que me ajudaram a ver o quanto meu parto foi desnecessariamente medicado. Então, dessa segunda vez, escolhi ser acompanhada por parteiras – que são enfermeiras com mestrado ou doutorado em obstetrícia e especialistas em partos naturais em gestações de baixo risco.

Sophia nasceu num parto natural na água, num andar do hospital que era totalmente gerenciado por parteiras – nem vi médico durante o processo todo. Foi uma experiência incrível e exatamente como eu havia idealizado! Dá até saudades daquele dia!! Minha recuperação foi fantástica, eu sentia que podia correr uma maratona logo após o parto.

O governo não paga nada do pré-natal e parto para quem tem seguro saúde. Seguro saúde aqui é um rolo… rs… O governo tem um programa de auxílio saúde chamado Medicaid/Medicare, e as regras mudam de estado pra estado. No geral, o auxílio é baseado na renda, e apenas se a pessoa não tem seguro saúde disponível com o empregador – ou seja: você pode qualificar pelo nível de renda, mas se estiver trabalhando e o seu empregador tem seguro saúde disponível, aí você não qualifica para o do governo.

Os níveis de renda para qualificar para ajuda do governo são bem baixos… a idéia é que só seja usado por quem realmente não tem condição nenhuma de pagar o próprio seguro saúde.
Eu tenho seguro saúde através do meu emprego, é excelente mas custa bem caro – o empregador paga uma parcela, mas o empregado paga uma parcela também. E aqui os seguros saúde são diferentes do que eu estava acostumada no Brasil, funciona em um modelo de “franquia” que nem seguro de carro, você paga uma quantia “x” (varia muito dependendo do plano) antes do seguro pagar qualquer coisa. Por exemplo: se a franquia do seguro é U$2,000, e uma consulta no médico custa $200, as primeiras 10 consultas o seguro não paga nada. Depois disso, o seguro paga 90% dos custos, mas o paciente continua responsável por 10%. Eu nunca vi seguro saúde que paga 100% aqui, o paciente SEMPRE tem uma contribuição… planos muito bons o seguro paga 90%, piores podem cobrir somente 70%.
A principal causa de falência pessoal aqui é por causa de contas relacionadas a hospital e tratamentos de saúde….

Licença Maternidade
Com a Isabella, eu tinha acabado de terminar meu mestrado e não estava trabalhando, então fiquei com ela em casa por 1 ano e meio.
Quando Sophia nasceu, eu trabalhava, e tirei 12 semanas de licença maternidade – 6 semanas pagas, e as outras 6 semanas não remuneradas.

Licença maternidade aqui não é regulamentada pelo governo, cada empresa dá o que decide dar – algumas não dão nenhum período de licença remunerada! A única coisa que o governo tem é um programa chamado FMLA (Family Medical Leave Act), que exige que empresas segurem a vaga de funcionários por até 12 semanas em caso de problemas de saúde – licença maternidade entra nessa categoria. Basicamente significa que você pode tirar essa licença e a empresa não pode te demitir, mas também não precisa te pagar!

Meu emprego na época era bem flexível, e eu achei uma creche perto do escritório – dava para ir a pé. Eu ordenhava leite 2x/dia numa salinha privativa, e ia amamentá-la todos os dias na hora do almoço.

Funcionou super bem, não podia ter sido melhor e mantive amamentação exclusiva até 6 meses, e ela nunca tomou outro leite que não o meu.

Médicos/Pediatras
Nas minhas duas gestações – e das minhas amigas também – o médico ou parteira que faz o pré-natal não garante que irá estar presente para assistir o parto. O esquema aqui são consultórios com vários médicos, enfermeiras obstetrizes ou parteiras, que se revezam dando plantão no hospital e assistem partos de todas as pacientes do consultório.

Pediatra é o mesmo esquema, você tem um pediatra que é o “seu” médico, mas não é garantia que ele estará disponível em caso de emergência. E nada de ter o número do celular do médico, isso aqui não existe! Os consultórios das minhas filhas sempre tiveram serviços de atendimento telefônico 24h/dia em caso de necessidade, mas quem atende são enfermeiras que respondem perguntas, ou te encaminham para o médico de plantão.

É uma relação mais profissional, não muito pessoal como vemos tanto no Brasil.

Creches/escolas/babás
Babá aqui é super caro, não conheço ninguém que tenha uma!
Creche custa bem caro – varia muito dependendo de onde você mora, mas por aqui custa em média $200-$250 por semana para período integral (e para bebês esse valor normalmente não inclui fraldas!), e depois quando vão para a escola e só precisam de algumas horas antes/depois do horário escolar o valor baixa para em média $75-$100 por semana.

As escolas públicas na minha região são excelentes!! A escola das minhas filhas tem atividades extra curriculares ótimas, professoras maravilhosas e muito envolvimento dos pais. Eu tento ir ajudar na escola sempre que possível – já fui fazer apresentações sobre o Brasil, sobre minha carreira em engenharia, e já fui também ajudar a professora em dias de festinha ou simplesmente passar a tarde fazendo cópias na sala de xerox. As famílias aqui realmente se engajam, angariam fundos para melhorias (como por exemplo novos brinquedos para o playground), e organizam atividades.

Relação trabalho e qualidade de vida
Aqui é muito tranquilo – eu sempre tive empregos flexíveis, onde eu saio mais cedo se preciso levar as crianças no médico, ou se elas ficam doentes eu fico em casa e trabalho remotamente. Trabalho das 7:30-16:30, raramente faço hora extra, e como não temos trânsito por aqui eu estou em casa às 17h com as meninas praticamente todos os dias. A única coisa ruim é que tenho poucos dias de férias por ano – esse ano troquei de emprego e é a primeira vez que terei 3 semanas de férias… até aqui eram somente 2 semanas. Mas esses dias que fico em casa por conta das meninas não contam como férias. Todo mundo entende que aqui quem cuida das crianças são os pais – quase ninguém tem babá ou qualquer outro tipo de ajuda.

Atividades com as crianças
Como o inverno aqui é bastante rigoroso, no verão tentamos aproveitar ao máximo atividades ao ar livre – andar de bicicleta, ir ao parquinho, piscina, etc. Fazemos tudo com as crianças – elas vão onde nós vamos! Quando meus pais estão aqui, eles ajudam muito e eu e meu marido saímos sozinhos, mas o resto do ano finais de semana nós quatro estamos sempre juntos. Adoramos viajar, no ano passado fomos num cruzeiro pela primeira vez e amamos!

A minha cidade tem um zoológico incrível, nós temos passes anuais e vamos sempre que possível. As bibliotecas públicas também são ótimas e elas adoram alugar livros e brincar com os brinquedos e áreas lúdicas da biblioteca.

No inverno, elas curtem muito brincar na neve – são muito mais acostumadas com o frio do que eu!

As meninas são escoteiras, eu sou líder da tropa da Isabella e ajudo na tropa da Sophia. É uma organização ótima, focada em liderança e projetos de voluntariado, e nós nos divertimos muito fazendo atividades como aulas de culinária, visitas à asilos para cantar músicas de Natal para os residentes, entre muitas outras coisas.

Livros infantis
Minhas filhas amam ler – a mais velha é fã do Harry Potter e dos livros da série “Diary of a Wimpy Kid”. Já a minha mais nova aprendeu a ler esse ano, e adora os livrinhos da coleção “Elephant and Piggie”.

Amizades
Tenho um grupo maravilhoso de amigas brasileiras aqui – conheci uma através do falecido orkut, e de lá fui conhecendo as outras.

Quase todas estão na mesma situação que eu – brasileiras casadas com americanos – e demos muita sorte de ter encontrado um grupo tão legal. Tenho amigas americanas também, que conheci no trabalho ou através das minhas filhas.

Eu sou líder da tropa de escoteiras da minha filha mais velha e fiz amizade com muitas das mães das outras meninas da tropa.

Moda
Aqui de maneira geral ninguém liga para marcas de roupa! Em termos de moda infantil, a maior diferença que eu vejo é nos biquínis – não se vê biquínis em crianças, somente maiôs ou tanquínis, tudo bem conservador. As mães também normalmente não usam biquínis muito pequenos como vemos no Brasil, é tudo bem maior!

Roupas de bebê aqui são mais práticas e sem muitos “fru frus”, sem muitos enfeites ou bordados. E tudo feito pra lavar na máquina!

Comida e Restaurantes
Os EUA não são conhecidos por sua culinária refinada! :) Mas todos os restaurantes tem menu para crianças, normalmente massa (mac’n’cheese) ou chicken nuggets ou cheeseburguer!

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22.11.2014

7 diferenças curiosas de uma brasileira grávida nos EUA

Mamães & Papais, registros especiais, To Grávida

São muitas as diferenças entre ter um bebê no Brasil e nos EUA. Algumas são beeem polêmicas e rendem discussões grandes…rsrs Outras são apenas questões culturais. Mas a verdade é que as diferenças causam espanto por aqui e por lá…

Vejam algumas diferenças curiosas que a gravidinha brasileira Fernanda Hession, que mora em New Jersey, nos EUA, contou pra gente. Claro que não podemos generalizar, essas foram as percepções dela e podem ser diferentes de Estado pra Estado né…

Alguém aqui mora fora do Brasil e tem mais curiosidades? Escrevam nos comentários! ;-)

gravida eua

 1- DESCOBRIR O SEXO DO BEBÊ

Minhas amigas no Brasil com 8-9 semanas já sabiam o sexo do bebê que iriam ter, pelo teste de sangue de sexagem. Eu tive que esperar até completar 16 semanas e ver no ultrassom. Eles nem conhecem esse exame de sangue e a única forma de descobrir antes nos EUA é se você tiver uma gravidez super de risco. Nesses casos, eles fazem um exame de sangue do seu DNA para descobrir alguma anomalia (geralmente para pessoas mais velhas) e esse exame de sangue acaba mostrando o sexo do bebê antes, mas só conheci uma pessoa que fez isso, a maioria não faz nem ideia que existe isso. Nossa espera pela surpresa realmente e looooonga!!

2- VISITA AO MÉDICO

Essa eu não sei se tem tanta diferença, de repente o tempo da consulta. Eu estou com 19 semanas então só vejo o médico a cada 4 semanas. Minha médica não faz ultra no escritório a não ser que ela não consiga escutar o coração do bebê. Geralmente chego lá, a enfermeira me pesa, tira minha pressão e depois vem a médica e diz se está tudo bem, eu faço as ultras numa clinica especializada então eles mandam os resultados para ela e ela da um ok. A visita leva no máximo 10-15 minutos.

3- PARTO

Nos EUA cesárea marcada não existe. Lá eles te dão o seu “Due Date” e você realmente tem que esperar o dia que seu filho tiver que nascer. Nada programado. A única coisa que eles fazem é se passar 1 semana do seu “Due Date” geralmente eles não deixam passar das 41 semanas, então o parto é induzido. Cesárea lá é levada realmente como última opção e não primeira. Cesárea só quando tiver algum risco ou depois de tentar o parto normal e não tiver sucesso. Eu não posso generalizar isso, mas sei que todas as minhas amigas americanas passaram por isso e minha médica também não me dá outra opção o que eu entendo e concordo, quero parto normal. Mas sei que em comunidades Brasileiras alguns médicos podem aceitar a cesárea sim, mas a norma é que não, só emergência e nada de parto com dia certo marcado.

4- AMAMENTAÇÃO

Ela é encorajada nos hospitais, eles até dão aulas para você aprender a amamentar, mas a realidade é que muita, mas muita americana não gosta. Acho que isso é muito cultural. Muitas amigas minhas lá não amamentam por pura vaidade, e a principal queixa delas é a dor. Elas também têm muito pudor em amamentar em público, não fazem de jeito nenhum. Eles até vendem nas lojas de bebê um avental que você se cobre para amamentar em público. Isso é algo que me choca porque sempre fui acostumada aqui no Brasil em ver as mães amamentando em todos os lugares.

5- LICENÇA MATERNIDADE

Isso eu tenho que comparar aqui. A licença maternidade nos EUA é de geralmente 6 semanas (menos de 2 meses). E na maioria dos lugares elas não são remuneradas  ou quando são você ganha em torno de 60% do seu salário. Isso depende de empresa para empresa. Eu dou sorte de receber uma licença integral, 100% paga por 3 meses. isso e considerado realmente um luxo. Acredito que isso até influencie o fato da amamentação não ser tão prioridade, imagina que a mãe não tem muito tempo de ficar em casa, a não ser que opte em não trabalhar, o que acontece muito.

6- BANHO EM RECÉM-NASCIDO

Essa eu descobri há pouco tempo quando estava fazendo a lista do enxoval. Eu muito preocupada em escolher a banheirinha certa para colocar na lista e a menina da loja disse que não era para se preocupar porque recém-nascido não toma banho até completar 1 mês. Fiquei em choque e ela explicou que só passa um paninho umedecido porque não pode dar banho até o cordão umbilical cair. Fui perguntar para outras amigas americanas e elas confirmaram. Achei esquisito já que meus pais sempre deram banho em mim desde a maternidade, essa realmente foi uma curiosidade que descobri.

7- FURO NA ORELHA

Não tem jeito, se você tem uma menina pode esquecer que eles não vão furar a orelha no hospital e nem tão cedo. Geralmente eles esperam quase 1 ano para furar, mas tenho amigas que conseguiram furar a orelha da filha numa joalheria com 6 meses de idade. Eles acham uma maldade isso. No Brasil parece que também não furam mais na maternidade como faziam antigamente, mas é comum furar logo nos primeiros meses, bem diferente do que nos EUA.

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