13.10.2016

Mães Brasileiras pelo Mundo: Espanha e EUA

Mamães & Papais, Viagens

Hoje na coluna “Mães brasileiras pelo Mundo” tem a história da Carolina. Ela é uruguaia, criada e crescida em São Paulo, casada com o Manuel, expatriada pra Espanha e atualmente morando em Miami!

A Carolina é mãe da Ana Isabel de 3 anos, que nasceu na época em que ela morava na Espanha. Vejam que interessante as experiências diferentes vividas por ela ao morar fora com filho na Espanha e nos Estados Unidos.

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Parto e Gravidez
Fiquei gravida e dei a luz a Ana Isabel na Espanha. Lá o sistema de saúde é gratuito e bom, mas o meu ginecólogo só atendia particular. Então o parto foi num hospital privado.

A minha gravidez foi dessas de livro, tudo fantástico. Não tive nenhum enjoo, nenhum desejo e se não fosse pela barriga ninguém sabia que eu estava grávida. Acho que nunca tive tanta energia, quase não engordei e acho que isso ajudou bastante. Lá na Espanha os ginecologistas são bem tranquilos enquanto a dieta, mas como fiquei gravida com 35 anos decidi que melhor não exagerar e me cuidei com a alimentação. Além de continuar fazendo os exercícios que já fazia: caminhadas de 30 min a 1 hora todo dia.

O parto também foi muito tranquilo. Na Espanha, eles dão um curso de pre-parto que eu adorei. Esse curso também é gratuito e quem da são as ‘matronas’ (antiga parteira no Brasil, mas lá é uma especialidade das enfermeiras) e pra mim foi muito bom porque conheci as pessoas que estariam comigo no dia do parto. O meu trabalho de parto durou exatamente 12 horas, a 1a contração forte (que me tirou da cama) foi a 1 da manha e a Ana Isabel nasceu a 1 da tarde. Fiquei numa sala pre-parto até o momento do parto, eu cheguei no hospital às 5 da manha e passei pra sala de parto ao meio dia e meio. Na sala de pre-parto eles te dão a epidural (só se vc pedir – eh opcional) e monitoram o bebê o tempo todo. No meu caso o meu marido ficou comigo, mas podem ficar quantas pessoas quiserem, porém na sala de parto só uma pessoa. O meu parto foi normal então 48 horas depois estava caminho de casa com a minha princesinha nos bracos.

Licença Maternidade
Na Espanha a licença maternidade é de 3 meses remunerada. Depois disso a mulher pode voltar pro trabalho no horário normal ou pode escolher por fazer ‘horário intensivo’. Que significa entrar uma hora mais cedo e trabalhar até a hora do almoço (por volta das 14h ou 15h – depende da empresa). Mas, se escolher pelo ‘horário intensivo’ ganha proporcionalmente as horas trabalhadas e não salário completo.

Eu tenho a sorte de trabalhar com a mesma empresa americana desde antes de ficar grávida. Quando fiquei gravida combinei que continuaria a trabalhar mesmo depois da Ana Isabel nascer, assim não ficava sem salário, mas com menos projetos (e sem viagens). Como tem uma diferença de 6 horas entre a Espanha e os Estados Unidos conseguia conciliar as duas coisas sem problemas.

Médicos/Pediatras
Como disse antes o meu médico só atendia particular. Mas fiz todos os exames pre-parto pelo sistema público e na Espanha funciona fantasticamente.

Como a Ana Isabel nasceu num hospital particular a pediatra dela era particular. Mas o Sistema de Saúde público da Espanha também indica um, toda criança tem um médico pediatra que atende no Centro de Saúde do bairro. E no dia-a-dia acabava contando com ele. Confesso que as visitas são super rápidas, nunca mais de 15 minutos, mas eles estão tão acostumados a ver uma criança em seguida da outra que resolvem tudo. Alem do mais tem a vantagem que como são todas as crianças do bairro eles já sabe se tem uma gripe no ar, ou uma virose. Confiei um ano e meio nesse Sistema de Saúde com a Ana Isabel e agora sinto muita falta aqui nos Estados Unidos.

Aqui nos EUA o Sistema de Saúde publico não existe. Tudo é particular. Temos plano de saúde, mas não cobre tudo. Se eu precisar levar a Ana Isabel no pediatra ok, coberto. Mas se ela tiver um acidente, como cair no parquinho e abrir a cabeça (que aconteceu um mês depois que chegamos) tem que pagar uma parte do atendimento na emergência (no caso paguei o Raio X). Infelizmente o sistema aqui é assim.

Ah, as vacinas (do calendário oficial) são gratuitas nos dois países. O calendário é diferente na Espanha que aqui, mas as vacinas importante são todas antes dos 3 anos nos dois, quando chegamos o pediatra aqui nos disse que só precisava fazer uma tradução do caderninho de vacinação do Espanhol pro Inglês. Quando a Ana Isabel completou 2 anos levamos ela pra vacinas correspondentes e ela já entrou no ritmo daqui.

Creches/escolas/babás
Na Espanha babás são apenas para quem tem muito dinheiro. As creches até os 4 anos são particulares e não tem ajuda do governo.

Lá é muito comum que os avós cuidem das crianças até elas entrarem na idade escolar (4 anos) e depois também ajudam, porque muitas mães não podem se dar ao luxo de ter seu salário reduzido, e os avós cuidam delas depois da escola. A escola la é das 9h às 15h, com uma parada para um lanche. Mas geralmente as crianças chegam em casa depois das 15h para almoçar.

Aqui nos Estados Unidos é a mesma coisa. É super caro ter babá também. Nós moramos em Miami e tem muito latino (empregado e dono de multinacional) e não é difícil ver babas. Mas sabemos que não é a realidade do pais. As creches aqui são particulares até os 5 anos. Depois as crianças começam a escola, que é pública e é muito boa. Os pais podem pedir ajuda do governo pra creche e, geralmente são concedidas. Aqui se os pais não tem com quem deixar o bebe/criança então um deles deixa de trabalhar. Os avós também trabalham e dificilmente tem essa convivência com as criança como na Espanha.

Relação trabalho e qualidade de vida
A qualidade de vida na Espanha é fantástica. Mas tem que entrar no ritmo, coisa que eu nunca consegui. Na Espanha eles acordam tarde (antes das 9h no final de semana não tem ninguém na rua), almoçam tarde (não tente sentar para almoçar a 13h porque os restaurantes não tem almoço pronto essa hora), jantam muito tarde (ninguém come antes das 21s) e vão dormir num horário que pra mim é impossível (normalmente por volta da meia noite). Ah, e a ‘qualidade de vida’ é na rua. Todo mundo se encontra com os amigos na rua (restaurantes/bares) e as crianças acompanham os pais nesses encontros. Portanto é normal ver crianças correndo a 1 da manhã ao redor de mesas de restaurantes.

Como disse no começo: nunca me adaptei. Mas esses horários não são fáceis para os locais também. Todos os nossos amigos que tem filhos reclamam que passam pouquíssimo tempo com as crianças. O horário de trabalho la é das 9h as 14h, com pausa para o almoço até 16h30 (ou 17h) e vai até 20h. Se contarmos que em cidades grandes como Madrid vc tem uma hora de carro (ou metro) pra chegar em casa, eles chegam em casa para colocar as crianças na cama. Ou, como é muito comum, as crianças voltam da escola as 15h, almoçam e tiram uma ‘siesta’ (soneca) de 2 horas e dai aguentam ate umas 22h (ou 23h).

Na minha opinião aqui nos Estados Unidos a qualidade de vida é mais difícil, tem que trabalhar muito, mas mais fácil de conciliar com a vida familiar. Eu trabalho das 8h30 as 17h, demoro uns 20 minutos para chegar na creche da Ana Isabel e de la mais uns 10 minutos pra chegar em casa. Portanto as 18h estamos os três (com o meu marido) jantando tranquilamente. Depois vemos os três juntos algo na TV e a Ana Isabel as 20h esta na cama. Nós curtimos muito esses momento tranquilos com ela e faz muita diferença no nosso dia. Quando por alguma razão um de nós não pode estar nesse tempinho jantar-relax ficamos com a sensação que o dia não foi completo. Na Espanha pelo horários de trabalho do meu marido esses momentos eram impossíveis de acontecer. E a Ana Isabel acabava vendo o pai só de final de semana.

Atividades com as crianças
Na Espanha a atividade mais normal com as crianças são os parque públicos. São muito bons e modernos, além do mais em Sevilha (onde nos morávamos) o clima ajuda e se aproveita o ano todo.

Aqui em Miami a melhor atividade é praia. Como o clima aqui nunca é tão frio podemos ir o ano todo. Além disso, tem os parques públicos que são ótimos, o do nosso bairro tem quadra de tênis, um parque de água e um campo de beisebol. E os tradicionais brinquedos como balanço e escorrega.

Como eu adoro ler, incentivo essa atividade na Ana Isabel. Também aproveitamos muito aqui as livrarias infantis. Todas tem leituras para as crianças nos finais de semana.

Livros infantis
Eu leio para ela em espanhol, inglês e português. Os livros em espanhol são os das historias infantis tradicionais: Chapeuzinho Vermelho, Os três porquinhos etc. Os em português são todos do Ilan Brenman (um autor argentino-brasileiro) e a Ana Isabel adora todos eles. E os em inglês ela mesma escolhe quando vamos nas livrarias, portanto temos Princess Sofia, Doc McStuffins, etc.

Para ser sincera ela adora ler e acaba escolhendo ela mesma um (ou dois) livros toda noite. Mas acho que isso não depende tanto do livro em si e sim de que nós em casa somos ‘leitores de bula’ e para ela é normal nos ver com um livro – dai ela acaba nos copiando.

Amizades
Quando mudei para a Espanha achei que ia ser difícil me adaptar e fazer amigos. Na verdade foi super fácil fazer amigos, o povo la é muito aberto e acabei fazendo bons amigos (que conservo até hoje).

Aqui em Miami é mais complicado fazer amigos. Mas, acho que é simplesmente porque todos estamos no mesmo ritmo trabalho-crianças-casa-e começa de novo. Tenho alguns amigos brasileiros, e também argentinos. Em compensação a adaptação foi automática. Acho que com o tempo acabaremos fazendo mais amizades, faz só dois anos que estamos morando aqui.

Moda
As lojas de roupa de criança aqui em Miami são uma tentação. Tudo tao lindinho e tão barato (na Espanha as roupas de criança são lindas mas caríssimas). Confesso que quando mudamos surtei e comprei mil roupas para a Ana Isabel. Mas como ela esta na creche o dia todo acabei dando a metade nova e aprendi a lição: só compro quando a roupa não cabe mais, ou em alguma ocasião especial (Natal, Aniversario, etc).

A roupa de todo dia dela (de ‘destruir na creche’ como eu falo) é da Carter’s. Na minha opinião a relação qualidade e preço é ótima. Para o final de semana prefiro alguma coisa mais arrumadinha e compro na Old Navy, eh dos mesmos donos da GAP, tem umas roupas mais arrumadinhas e não são caras.

Comida e Restaurantes
Na Espanha é difícil achar um restaurante que tenha Menu Infantil. As crianças ou comem em casa antes de sair ou comem o que tem no menu normal. Aqui em Miami o contrário: todos os restaurantes tem Menu Infantil, papel e lápis para colorir, e tem uns que tem ate tablets com joguinhos infantis.

Agora a comida são outros quinhentos. Aqui em Miami é mais fácil achar uma comida mais parecida a brasileira, por causa dos cubanos e latinos que moram aqui. Mas em geral é muita porcaria. A fruta e verdura eh cara, por isso as pessoas apelam pros congelados e coisas prontas. Tivemos bastante trabalho para achar uma creche que tivesse uma alimentação saudável (sem fritura e congelados), mas demos sorte e hoje a Ana Isabel come de tudo….até sushi.

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08.09.2016

Mães Brasileiras pelo Mundo: Nova Zelândia

Mamães & Papais, Viagens

Hoje temos a história da Deborah no Mães Brasileiras pelo Mundo. Ela mora há 4 anos na Nova Zelândia e compartilhou com a gente informações sobre vida pessoal x trabalho, diferenças no sistema de saúde, clássicos da literatura infantil e muito mais.

Adoramos conhecer mais sobre como é criar um bebê na Nova Zelândia! Se você mora fora e tem uma experiência legal para compartilhar aqui no blog, manda um e-mail pra gente no contato@chegueiaomundo.com.br! ;-)

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História
A nossa trajetória na Nova Zelândia começou em 2012, quando surgiu a oportunidade de ser transferida a trabalho. Sempre ouvimos falar da Nova Zelândia como um país seguro, multicultural e com belíssimas paisagens naturais. Decidimos então aceitar a oportunidade. Nos adaptamos muito bem a cultura, que é mais casual, focada em programas ao ar livre e em aproveitar os momentos simples da vida. Após 2 anos morando aqui, engravidei do meu filho que hoje tem 15 meses, Benjamin.

Parto e Gravidez
Aqui na Nova Zelândia é muito comum a gravidez ser acompanhada pelas midwives (parteiras) e a recomendação é de sempre tentar o parto normal. Confesso que inicialmente fiquei com medo, afinal é bem diferente da cultura do Brasil. Decidi me informar mais sobre o assunto e apesar do sistema publico de saúde ser fantástico, decidi pagar para ter um obstetra acompanhando a gravidez e o parto. Li muito sobre as opções de parto e optei pelo parto normal. O parto aconteceu sem nenhuma complicação e 3 horas após o parto já estava saindo do hospital. Aqui existem as casas de parto, onde as mães tem direito de ter acompanhando para amamentar e fazer os primeiros testes no bebê.

Licença Maternidade
São 4 meses de licença maternidade, porém geralmente as empresas oferecem a oportunidade de ficar até 1 ano de licença com a garantia de trabalho. Optei por pegar 1 ano para curtir essa fase com meu filho. Na licença maternidade tive a sorte de ter minha mãe comigo por 3 meses e depois minha sogra por mais 3. Acredito que esse suporte foi fundamental, especialmente por ter sido meu primeiro filho e por morar em outro país. Além disso, existem os coffee groups que são encontros organizados pelas mamães. Existe também um grupo de mães brasileiras (Mamãe Brasileira Aotearoa) e estamos sempre em contato trocando informações, dividindo dúvidas e preocupações. Esse é um veículo de suporte fundamental para as mulheres que estão fora do seu país, da sua cultura.

Médicos/Pediatras
Os médicos aqui são os médicos de família e o serviço e consultas são gratuitas para menores de 18 anos. Emergências também são cobertas pelo sistema público. Pediatras necessitam encaminhamento do médico de família e são cobertos pelo sistema público/planos de saúde.

Creches/escolas/babás
Creches são caras e em média custam entre NZD 1000-2000 por mês dependendo do bairro. Após 3 anos de idade, o governo providencia uma ajuda de 20 horas por semana pagas. Aos 5 anos a criança ingressa na escola primária que é gratuita e definida pelo bairro onde você mora. Babás são caras devido ao alto salário mínimo.

Relação trabalho e qualidade de vida
A maior vantagem de morar aqui é o equilíbrio entre a vida profissional e a família. Não importa o quão sênior é o seu cargo, existe um respeito muito grande com sua vida particular. O fato do país ter muitos parques, praias e reservas perto da cidade também ajuda na qualidade de vida. Sem mencionar a segurança. A Nova Zelândia está sempre entre os primeiros países no mundo em segurança pública.

Atividades com as crianças
As crianças aqui são criadas em interação com a natureza. É muito comum ver as crianças descalças brincando com água, terra, correndo pelos parques…No verão, o principal programa e levar as crianças para as praias e reservas ecológicas. No inverno, o museu, o zoológico, as estações de esqui são algumas das opções.

Livros infantis
Os livros aqui são em sua maioria clássicos da literatura infantil inglesa como The Very Hungry Caterpillar e outras obras neozeolandezas como Hairy Maclary, entre outros. Como queremos que o Benjamin seja bilingue, sempre que vamos ao Brasil, trazemos livros em português.

Amizades
O povo neozelandês é muito amigável e multicultural o que facilitou o processo de adaptação no país. Existem também vários eventos organizados pela comunidade latina.

Moda
Confesso que quando cheguei no país senti falta das cores e da moda brasileira. Mas depois com o tempo acabei me acostumando e gostando da moda daqui. É sem dúvida menos colorida do que a do Brasil, com muito uso do preto e cinza.

Comida e Restaurantes
Os restaurantes daqui são ótimos e custam em média 30 dólares. Alguns supermercados já vendem produtos brasileiros. Sempre que temos saudades, compramos farofa e pão de queijo! Aqui se come muita carne de carneiro, fish and chips (peixe com batata frita) e a Nova Zelândia também é conhecida pela qualidade dos produtos lácteos.

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05.08.2016

Mães Brasileiras pelo Mundo: Indiana – EUA

Mamães & Papais, Viagens

No Mães Brasileiras pelo Mundo de hoje quem conta um pouquinho do seu dia a dia com filhos em Indiana, nos EUA, é a Luciana. Ela mora há 12 anos lá nos EUA, é casada com um americano, e tem duas filhas – Isabella, que acabou de completar 10 anos, e Sophia que fará 6 anos em agosto.

Vejam que interessante o que ela conta sobre a relação mais profissional com os médicos (e não muito pessoal como vemos no Brasil), detalhes sobre como funciona o seguro saúde para eles, as atividades ao ar livre no verão, as diferenças na licença maternidade e férias. Confiram!

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Eu me formei em Engenharia Química no Brasil, e vim para os EUA 6 meses após minha formatura para fazer mestrado – em Julho de 2004. Meu plano era estudar e voltar para o Brasil depois, mas aí conheci meu marido (Chris) e fiquei por aqui! Somos pais da Isabella, que fez 10 anos em maio, e da Sophia que fará 6 anos agora em agosto.

Nós moramos atualmente em Fort Wayne, que é a segunda maior cidade do estado de Indiana, no meio-oeste americano. Meus sogros e minha cunhada moram aqui na mesma cidade, mas a nossa família morou por um tempinho em Holmen, Wisconsin. Trabalho como engenheira numa multinacional que produz fio magnético, que tem sede aqui na minha cidade. Adoro morar aqui, a cidade é muito boa para criar filhos, tem custo de vida baixo, e as minhas filhas estão tendo uma infância que para alguém como eu, que cresceu em apartamento em São Paulo, só existia em filme!

Tenho muita sorte que meus pais decidiram comprar uma casa aqui, e eles passam os verões do hemisfério norte aqui conosco, e vem com frequência o resto do ano também. Eles são super próximos das minhas filhas, e isso é algo que me deixa muito feliz, pois a parte mais difícil de morar no exterior é a saudade da família.

Parto e Gravidez
Aqui o pré-natal só começa com 10 semanas – antes disso a maioria dos médicos nem aceita marcar consulta, a não ser que a grávida esteja acompanhada por especialista particular. Ultrassom em gravidez saudável, só um – com 20 semanas, morfológico, com a opção de descobrir o sexo. Se a grávida quiser mais ultrassons, tem que pagar particular, o seguro quase nunca irá cobrir.

Com a minha primeira filha, eu não estava muito bem informada e tive um parto bem “padrão” – fui internada cedo (3cm de dilatação), médico conduziu meu parto com ocitocina sintética, e eu tomei a anestesia peridural (que aqui é oferecida a partir de 4cm de dilatação). Foi uma experiência boa, minha filha nasceu bem e o parto foi normal com uma recuperação tranquila.

Quando engravidei da Sophia, eu já tinha 4 anos de muita leitura e troca de informação sobre parto com grupos na internet que me ajudaram a ver o quanto meu parto foi desnecessariamente medicado. Então, dessa segunda vez, escolhi ser acompanhada por parteiras – que são enfermeiras com mestrado ou doutorado em obstetrícia e especialistas em partos naturais em gestações de baixo risco.

Sophia nasceu num parto natural na água, num andar do hospital que era totalmente gerenciado por parteiras – nem vi médico durante o processo todo. Foi uma experiência incrível e exatamente como eu havia idealizado! Dá até saudades daquele dia!! Minha recuperação foi fantástica, eu sentia que podia correr uma maratona logo após o parto.

O governo não paga nada do pré-natal e parto para quem tem seguro saúde. Seguro saúde aqui é um rolo… rs… O governo tem um programa de auxílio saúde chamado Medicaid/Medicare, e as regras mudam de estado pra estado. No geral, o auxílio é baseado na renda, e apenas se a pessoa não tem seguro saúde disponível com o empregador – ou seja: você pode qualificar pelo nível de renda, mas se estiver trabalhando e o seu empregador tem seguro saúde disponível, aí você não qualifica para o do governo.

Os níveis de renda para qualificar para ajuda do governo são bem baixos… a idéia é que só seja usado por quem realmente não tem condição nenhuma de pagar o próprio seguro saúde.
Eu tenho seguro saúde através do meu emprego, é excelente mas custa bem caro – o empregador paga uma parcela, mas o empregado paga uma parcela também. E aqui os seguros saúde são diferentes do que eu estava acostumada no Brasil, funciona em um modelo de “franquia” que nem seguro de carro, você paga uma quantia “x” (varia muito dependendo do plano) antes do seguro pagar qualquer coisa. Por exemplo: se a franquia do seguro é U$2,000, e uma consulta no médico custa $200, as primeiras 10 consultas o seguro não paga nada. Depois disso, o seguro paga 90% dos custos, mas o paciente continua responsável por 10%. Eu nunca vi seguro saúde que paga 100% aqui, o paciente SEMPRE tem uma contribuição… planos muito bons o seguro paga 90%, piores podem cobrir somente 70%.
A principal causa de falência pessoal aqui é por causa de contas relacionadas a hospital e tratamentos de saúde….

Licença Maternidade
Com a Isabella, eu tinha acabado de terminar meu mestrado e não estava trabalhando, então fiquei com ela em casa por 1 ano e meio.
Quando Sophia nasceu, eu trabalhava, e tirei 12 semanas de licença maternidade – 6 semanas pagas, e as outras 6 semanas não remuneradas.

Licença maternidade aqui não é regulamentada pelo governo, cada empresa dá o que decide dar – algumas não dão nenhum período de licença remunerada! A única coisa que o governo tem é um programa chamado FMLA (Family Medical Leave Act), que exige que empresas segurem a vaga de funcionários por até 12 semanas em caso de problemas de saúde – licença maternidade entra nessa categoria. Basicamente significa que você pode tirar essa licença e a empresa não pode te demitir, mas também não precisa te pagar!

Meu emprego na época era bem flexível, e eu achei uma creche perto do escritório – dava para ir a pé. Eu ordenhava leite 2x/dia numa salinha privativa, e ia amamentá-la todos os dias na hora do almoço.

Funcionou super bem, não podia ter sido melhor e mantive amamentação exclusiva até 6 meses, e ela nunca tomou outro leite que não o meu.

Médicos/Pediatras
Nas minhas duas gestações – e das minhas amigas também – o médico ou parteira que faz o pré-natal não garante que irá estar presente para assistir o parto. O esquema aqui são consultórios com vários médicos, enfermeiras obstetrizes ou parteiras, que se revezam dando plantão no hospital e assistem partos de todas as pacientes do consultório.

Pediatra é o mesmo esquema, você tem um pediatra que é o “seu” médico, mas não é garantia que ele estará disponível em caso de emergência. E nada de ter o número do celular do médico, isso aqui não existe! Os consultórios das minhas filhas sempre tiveram serviços de atendimento telefônico 24h/dia em caso de necessidade, mas quem atende são enfermeiras que respondem perguntas, ou te encaminham para o médico de plantão.

É uma relação mais profissional, não muito pessoal como vemos tanto no Brasil.

Creches/escolas/babás
Babá aqui é super caro, não conheço ninguém que tenha uma!
Creche custa bem caro – varia muito dependendo de onde você mora, mas por aqui custa em média $200-$250 por semana para período integral (e para bebês esse valor normalmente não inclui fraldas!), e depois quando vão para a escola e só precisam de algumas horas antes/depois do horário escolar o valor baixa para em média $75-$100 por semana.

As escolas públicas na minha região são excelentes!! A escola das minhas filhas tem atividades extra curriculares ótimas, professoras maravilhosas e muito envolvimento dos pais. Eu tento ir ajudar na escola sempre que possível – já fui fazer apresentações sobre o Brasil, sobre minha carreira em engenharia, e já fui também ajudar a professora em dias de festinha ou simplesmente passar a tarde fazendo cópias na sala de xerox. As famílias aqui realmente se engajam, angariam fundos para melhorias (como por exemplo novos brinquedos para o playground), e organizam atividades.

Relação trabalho e qualidade de vida
Aqui é muito tranquilo – eu sempre tive empregos flexíveis, onde eu saio mais cedo se preciso levar as crianças no médico, ou se elas ficam doentes eu fico em casa e trabalho remotamente. Trabalho das 7:30-16:30, raramente faço hora extra, e como não temos trânsito por aqui eu estou em casa às 17h com as meninas praticamente todos os dias. A única coisa ruim é que tenho poucos dias de férias por ano – esse ano troquei de emprego e é a primeira vez que terei 3 semanas de férias… até aqui eram somente 2 semanas. Mas esses dias que fico em casa por conta das meninas não contam como férias. Todo mundo entende que aqui quem cuida das crianças são os pais – quase ninguém tem babá ou qualquer outro tipo de ajuda.

Atividades com as crianças
Como o inverno aqui é bastante rigoroso, no verão tentamos aproveitar ao máximo atividades ao ar livre – andar de bicicleta, ir ao parquinho, piscina, etc. Fazemos tudo com as crianças – elas vão onde nós vamos! Quando meus pais estão aqui, eles ajudam muito e eu e meu marido saímos sozinhos, mas o resto do ano finais de semana nós quatro estamos sempre juntos. Adoramos viajar, no ano passado fomos num cruzeiro pela primeira vez e amamos!

A minha cidade tem um zoológico incrível, nós temos passes anuais e vamos sempre que possível. As bibliotecas públicas também são ótimas e elas adoram alugar livros e brincar com os brinquedos e áreas lúdicas da biblioteca.

No inverno, elas curtem muito brincar na neve – são muito mais acostumadas com o frio do que eu!

As meninas são escoteiras, eu sou líder da tropa da Isabella e ajudo na tropa da Sophia. É uma organização ótima, focada em liderança e projetos de voluntariado, e nós nos divertimos muito fazendo atividades como aulas de culinária, visitas à asilos para cantar músicas de Natal para os residentes, entre muitas outras coisas.

Livros infantis
Minhas filhas amam ler – a mais velha é fã do Harry Potter e dos livros da série “Diary of a Wimpy Kid”. Já a minha mais nova aprendeu a ler esse ano, e adora os livrinhos da coleção “Elephant and Piggie”.

Amizades
Tenho um grupo maravilhoso de amigas brasileiras aqui – conheci uma através do falecido orkut, e de lá fui conhecendo as outras.

Quase todas estão na mesma situação que eu – brasileiras casadas com americanos – e demos muita sorte de ter encontrado um grupo tão legal. Tenho amigas americanas também, que conheci no trabalho ou através das minhas filhas.

Eu sou líder da tropa de escoteiras da minha filha mais velha e fiz amizade com muitas das mães das outras meninas da tropa.

Moda
Aqui de maneira geral ninguém liga para marcas de roupa! Em termos de moda infantil, a maior diferença que eu vejo é nos biquínis – não se vê biquínis em crianças, somente maiôs ou tanquínis, tudo bem conservador. As mães também normalmente não usam biquínis muito pequenos como vemos no Brasil, é tudo bem maior!

Roupas de bebê aqui são mais práticas e sem muitos “fru frus”, sem muitos enfeites ou bordados. E tudo feito pra lavar na máquina!

Comida e Restaurantes
Os EUA não são conhecidos por sua culinária refinada! :) Mas todos os restaurantes tem menu para crianças, normalmente massa (mac’n’cheese) ou chicken nuggets ou cheeseburguer!

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