25.11.2015

Como explicar os atentados e outras tragédias aos filhos?

Educação dos Pequenos, Mamães & Papais

Como explicar a uma criança os ataques em Paris e a tragédia em Mariana? Será que devemos falar sobre assuntos delicados como esses ou desconversar?

Achamos que para os mais novos, não há necessidade de maiores explicações. O ideal é que eles nem tenham acesso a esse tipo de informação, mas, se ouvirem algo fora de casa e questionarem, vale um diálogo sem detalhes, explicando que não precisam se preocupar, que esse não é um assunto de criança. Essa resposta já costuma deixar os pequenos tranquilos e com a sensação de que estão protegidos. Já os maiores, ou quando há uma angústia maior da criança, é importante conversar, e o principal, aproveitar para ensinar os valores que nos humanizam como respeito, amizade, tolerância, generosidade, amor, entre tantos outros.

Leiam esse super texto da nossa parceira Mônica Pessanha, psicoterapeuta de crianças e adolescentes, para nos ajudar na educação dos pequenos nesses momentos.

Temos que lutar por um mundo com mais amor para nós e para nossos filhos! ❤

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(ilustração: Flávio Wetten)

Quem se lembra da Malala, a menina que queria ir para escola e que acabou levando um tiro por isso? E das 100 meninas que foram sequestradas por frequentar a escola? Quem se lembra do menininho Sírio morto na praia?

Tantas histórias de terror temos visto ultimamente. No último dia 13/11 vimos mais atentados ocorridos na França. Atentados acusados pela intolerância.

Alguns pais se foram e deixaram seus filhos para contar suas histórias. No Brasil, tivemos uma cidade inteira devastada pela força das águas, e novamente cenas que impressionam tiram lágrimas de nós. Circulou nas redes sociais a imagem de uma menininha toda suja de lama acolhendo seu cachorrinho. A foto seria linda se não fosse tão trágica.

Nossos filhos muitas vezes tentando entender o que está acontecendo, nos deixam sem respostas para dar. Até porque é difícil explicar o porquê de uma barragem ceder, ou porque existem pessoas tão duras em suas crenças ao ponto de matar outras crianças. Mesmo em tempos tão difíceis, os pais devem dizer-lhes a verdade de forma simples e clara. Isso ajudará as crianças a compreenderem o mundo que as cerca. Há aqueles que pensam que abrir esse assunto com os filhos pode ser prejudicial. É muito mais angustiante para as crianças, sentir que algo está errado, e ninguém falar com elas sobre o assunto. Claro que devemos pensar nos limites. Crianças muito pequenas nem devem ser impactadas por esse tipo de assunto, já que não é adequado que assistam programas de TV que tenham esse conteúdo. Mas, se por um acaso elas ouvirem e questionarem, podemos preservá-las e dizer para não se preocuparem, que quando forem maiores vão entender melhor. Na maioria das vezes elas confiam na gente e se sentem tranquilas e protegidas com essa resposta.

Mas, muitas crianças maiores, sentem a necessidade de conversar e fazer mais perguntas sobre possibilidades futuras, por exemplo: é possível novos atentados? Nesse caso, simplesmente devemos ser honestos e dizer que não podemos saber e ressaltarmos  que, certamente, medidas serão tomadas para que eles sejam evitados. Mostrar fotos ou imagens trágicas, por exemplo, não é adequado.

Quando os eventos terríveis acontecem, como os ataques em Paris, o instinto imediato dos pais é proteger seus filhos. Por isso, os pais sentem tal dificuldade para falar. O fato é que as crianças vão ouvir e vão falar sobre isso, mas se estiverem com as informações corretas saberão distinguir o que é mentira e o que realmente aconteceu ou o que pode acontecer. É o adulto que vai transmitir corretamente os fatos. Para isso os pais, obviamente, terão que estar por dentro dos acontecimentos.

Ao iniciar o diálogo, permita e incentive seus filhos a expressarem seus sentimentos. Expliquem que o terrorismo é uma situação de violência contra pessoas ou coisas para se conseguir aquilo que se quer. É um ato que não respeita diferenças e não abre espaço para a conversa, pois um grupo tenta impor suas crenças e opiniões, ainda que pela força. Isso é o que chamamos de intolerância. Mas violência gera mais violência. É interessante aproveitar esse momento para falar sobre os valores que devemos desenvolver em nós mesmos.

Ensine seus filhos que, por trás de cada decisão, de cada comportamento, deve haver valores que nos humanizem, tais como:

  • Respeito: Ter consideração pelo o que os outros têm a dizer.
  • Amizade: Ensinar as adequadas habilidades sociais e cultivar o valor das boas amizades.
  • Confiança: Ajudar a criança a perceber que ela é única, especial e dotada de qualidades, muitas delas serão descobertas ao longo do tempo.
  • Responsabilidade: Sem perfeccionismos, ensinar a criança a cumprir suas obrigações e acordos firmados.
  • Alegria: Ensinar a criança viver com expectativas, vendo sempre o aspecto mais positivos das pessoas.
  • Sinceridade: Ensinar a criança a manifestar sempre as coisas tal como elas são, com verdade, sem mentiras, pois essa poderá causar muito dor no futuro.
  • Generosidade: Estimular a atitude de gratidão e generosidade significa colocá-los no caminho da felicidade.
  • Força: Estimular a força que nasce da confiança em si mesmo, ver as coisas com esperança.
  • Tolerância: Ensinar que o autoritarismo sempre será destrutivo, dê exemplos de flexibilidade.
  • Amor: Esse é o principal. Quanto mais amar as crianças, mais resultados positivos vamos ver na humanidade, qualquer pessoas se torna mais humano e tolerante diante do amor.

 

As crianças (e muitos adultos) verão esses acontecimentos como ameaças pessoais. No entanto, se focarmos a ensinar os valores que nos humanizam, nossos filhos poderão mudar as histórias tristes que temos visto, porque entenderão que devem não só amar e respeitar a si mesmos, mas as demais pessoas.

No vídeo abaixo o programa de televisão francês Le Petit Journal registrou um pai tentando explicar ao filho sobre os atentados. A entrevista fez sucesso nas redes sociais e comoveu o mundo todo.

Mônica Pessanha é psicoterapeuta de crianças e adolescentes, mãe da Mel, uma menina que adora desenhar, mantenedora das BRINCADEIRAS AFETIVAS (Oficina terapêutica entre mães e filhos(as)) – www.facebook.com/brincadeirasafetivas
Atende no Morumbi – SP – monicatpessanha@hotmail.com / (11)986430054 e (11)37215430