Fases

O fim do colo e as pequenas despedidas da infância

A infância é feita de muitas primeiras vezes, e quase todo mundo presta atenção nelas: o primeiro sorriso, os primeiros passos, a primeira palavra. Mas a infância também é feita de últimas vezes, e essas quase ninguém percebe na hora. O último dia em que o filho pediu colo para dormir. A última vez que quis ajuda para subir a escada. A última vez que segurou sua mão na rua sem que você precisasse oferecer. As pequenas despedidas da infância acontecem em silêncio, e só são notadas quando já passaram.

Esse é um dos aspectos mais delicados de ver um filho crescer. As conquistas da criança, que são motivo de alegria, vêm sempre acompanhadas de uma pequena perda para a mãe. Cada novo “eu faço sozinho” é, ao mesmo tempo, um orgulho e um adeus a uma versão do filho que não volta mais. Sentir essa mistura de felicidade e saudade não é drama nem apego excessivo. É o coração acompanhando o tempo.

Vale dar nome a esse sentimento, porque ele costuma vir sem aviso e pegar de surpresa. De repente a mãe percebe que faz tempo que o filho não pede colo, e bate uma melancolia difícil de explicar para quem não vive. Não é querer que a criança pare de crescer, é apenas reconhecer que cada fase que termina leva embora algo precioso. Acolher essa saudade, em vez de repreendê-la, é uma forma de honrar o vínculo.

Ao mesmo tempo, essas despedidas têm um lado luminoso. Cada colo que o filho dispensa é sinal de que ele está se sentindo seguro o suficiente para se aventurar sozinho. A independência que machuca um pouquinho o coração da mãe é, ao mesmo tempo, a prova de um trabalho bem-feito. O filho só larga a mão porque confia que, se precisar, a mão estará lá de novo. A segurança que você ofereceu é o que permite a ele se afastar.

Uma forma de lidar com isso é prestar atenção ao presente sem pressa de antecipar o futuro. Como ninguém sabe qual será a última vez de cada coisa, o caminho é aproveitar cada colo, cada mão dada, cada pedido de ajuda enquanto eles ainda vêm, sem a ansiedade de que vão acabar. Estar inteira no agora é a melhor resposta para a saudade que ronda.

As pequenas despedidas da infância são inevitáveis, e fazem parte de uma história que está dando certo. O filho cresce, se solta, caminha com as próprias pernas, e isso é exatamente o que se deseja para ele. Resta à mãe guardar com carinho a memória de cada colo que passou e confiar que, mesmo sem o colo, o vínculo continua inteiro, só mudando de forma ao longo do tempo.

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