
Hoje meu filho ficou aos prantos. E foi difícil ser corregular sofrendo também.
Hoje o Brasil perdeu, e talvez muitas crianças e adolescentes tenham ficado realmente tristes. Mas aqui vai um convite para que a gente não olhe para isso apenas como “é só futebol”.
Quando uma criança chora porque o Brasil foi eliminado, normalmente a primeira reação do adulto é tentar convencê-la de que não vale a pena sofrer por aquilo: “Ah, é só um jogo, ano que vem tem mais”, “não precisa chorar”. Mas, do ponto de vista do desenvolvimento emocional, essa talvez seja uma oportunidade muito mais importante do que parece.
A vida vai apresentar derrotas. Algumas, como um jogo de futebol. Outras maiores: não passar em uma prova, não entrar no time da escola, perder uma amizade, ouvir um “não”, enfrentar uma rejeição.
A tolerância à frustração não aparece de repente na vida adulta. Ela começa a ser construída justamente nessas experiências da infância e da adolescência. E ela não é construída quando evitamos a tristeza ou fazemos um discurso dizendo que “perder faz parte da vida”. Ela é construída quando a criança percebe que pode sentir, que existe um adulto que acolhe essa emoção e que, aos poucos, ela descobre que consegue atravessar aquela frustração sem que ela a defina.
Na adolescência isso ganha uma camada ainda mais complexa. Porque o adolescente nem sempre chora. Muitas vezes ele responde com ironia, faz piada, diz que “nem se importava” ou muda de assunto rapidamente. Mas isso não significa ausência de emoção. Significa, muitas vezes, uma tentativa de proteger a própria vulnerabilidade em uma fase em que pertencer ao grupo e não parecer fraco têm um peso enorme.
Não precisamos transformar uma derrota em uma grande aula sobre resiliência. Às vezes, basta estar ao lado, reconhecer a emoção e conversar sobre ela. Porque é assim que o cérebro aprende uma habilidade essencial para a vida: suportar a diferença entre aquilo que eu esperava e aquilo que aconteceu.
No fim das contas, sabemos que a derrota de hoje vai muito além do futebol. Mas nenhum placar é mais importante do que a oportunidade de formar adultos que saibam perder sem deixar de acreditar.

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