
Tem verdades que só fazem sentido quando a gente vive. Uma delas quase ninguém coloca em palavras: quem está do nosso lado, crescendo, não é a única pessoa em transformação. A gente muda junto.
A Karin descreve isso sobre o começo da maternidade, e a imagem que ela usa vale a pena repetir:
“Eu acho que é um mergulho para um lugar que eu nunca conheci. É uma descoberta diária de sentimento, de resiliência, de maravilhamento com o ser humano, porque é descobrir outro ser humano que tá crescendo com você. E a cada dia ele muda, e você também muda, respondendo a esses estímulos novos.”
Repara na frase: você também muda. Não é só quem está do outro lado que está em desenvolvimento constante. Somos nós também, respondendo a cada coisa nova que aparece.
“É uma transformação enorme. Eu não tinha ideia do que eu ia viver, e do que eu tô vivendo.”
Isso não é exclusivo de recém-nascido. É de qualquer fase em que alguém que a gente ama está mudando de um jeito que a gente não escolheu e não consegue prever: um filho pequeno, um filho adolescente, uma mãe envelhecendo, a gente mesma numa idade nova. Nenhuma de nós faz ideia do que vai viver antes de viver. A gente descobre no caminho, uma fase de cada vez, sem manual, sem ensaio.
Se hoje você sente que virou outra pessoa desde que alguém perto de você começou a mudar, é porque você virou mesmo. E está tudo bem.

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