13.05.2016

Ligeiramente Grávida – Rafaela Carvalho

Bebês, Ligeiramente Grávida, To Grávida

Outro dia postamos aqui no blog um texto lindo que descobrimos chamado “60 dias de Neblina“, da Rafaela Carvalho, do  www.amaternidade.com.  Gostamos tanto dos textos de maternidade dela – sempre recheados de realidade e humor – que a convidamos para compartilhar com a gente a descoberta da gravidez da sua terceira filha na coluna “Ligeiramente Grávida”.

E como não poderia ser diferente, adoramos a história da chegada da Zara! A Rafaela estava com um bebê de apenas 4 meses em casa, se acostumando com a rotina de ter dois filhos, quando descobriu totalmente de surpresa a terceira gravidez! Vale a pena ler essa história tensa e divertidíssima!

Obrigada por participar e compartilhar com a gente Rafaela! ;-)

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Era um sábado como outro qualquer. Estávamos no carro, voltando da casa de amigos, quando de repente: Enjoo. Ânsia. Mal estar. “-

Afeee João Henrique (uma das vantagens de ter um marido com nome duplo, é que quando você está brava, você pode chamá-lo não somente pelo primeiro nome, mas também pelo segundo), dirige direito pelo amor de Deus! Fica neste acelera e freia, acelera e freia. Estou quase vomitando aqui atrás com Dom.”

Dom é nosso filho mais novo, na época com 4 meses e meio. O Cae, o mais velho, estava cochilando no banco da frente. Incrível como pré adolescentes conseguem dormir em qualquer ocasião.

Falando em dormir, chegamos em casa e tudo que eu eu queria era dormir.

Dormir.

Dormir.

Dormir.

Esta vida de mãe de dois filhos não é mole não.

Os dias foram passando, e o João ficando cada dia mais barbeiro.

Era eu entrar no carro com ele, que eu passava mal. Eu não aguentava mais reclamar, e ele provavelmente não aguentava mais escutar minhas reclamações:

“Que chata Rafa, você vive enjoada, deve estar grávida. Para de reclamar e vem dirigindo então.” Disse ele com ar de deboche.

A única coisa que ouvi da frase toda foi:

“Blá blá blá GRÁVIDA blá blá blá..”

Grávida? Pensei comigo mesma. HA-HA-HA-HA. Impossível.

Dom tem só 4 meses e meio. Minha menstruação ainda nem se quer voltou depois do parto. Aliás, bem lembrado, mulher que amamenta não ovula e não menstrua. Dom é amamentado exclusivamente no peito. Consequentemente, eu como sempre sei de tudo, estou mais uma vez certa: Não estou grávida.

Naquela noite eu não consegui dormir. Os enjoos estavam começando a ficar muito suspeitos. Levantei na calada da noite e fui para o banheiro, onde desesperadamente revirava as gavetas:

Achei! Eu sabia que tinha um teste de gravidez. Este ainda de quando engravidei do Dom, e era obcecada por fazer xixi em testes, só para ver as duas linhas aparecerem!

Perfeito, agora só preciso fazer este teste de uma vez, e assim eu posso dormir tranquila.

Pronto, feito.

Olho para o teste e vejo o xixi viajar em direção a área onde mostra o resultado.

Segundos de tensão.

O xixi vai passando, vai passando.

A linha controle aparece.

Outra linha aparece.

Outra linha aparece?

Como assim?

Que linha é essa?

Volta xixi, volta para o lado de lá pelo amor de Deus.

A linha vai ficando mais forte.

Mais forte.

Melhor assoprar este teste.

Vai que a tal linha apaga?

Caraca, a linha está até mais forte que a linha controle.

A linha já está quase saindo de dentro do teste e vindo aqui me dar um tapa na cara.

Socorro, eu acho que vou desmaiar.

Não preciso nem dizer que a noite foi L O N G A. B E M L O N G A.

Meu marido na tranquilidade do seu universo masculino, dormia como um anjo. Aliás, as vezes penso que os anjos devem ter inveja do sono do meu marido.

Meu marido dormia o sono dos justos. Roncava. Mal sabia ele a notícia que estava prestes a receber. Tadinho do meu marido.

E por falar em notícia. Como é que você diz para um homem que ele será pai novamente, quando o seu caçula ainda nem se quer senta sozinho?!

Meu Deus, o Dom! Foi aí que pensei no Dom.

Ele é tão bebê e já vai ser irmão mais velho. Tadinho do meu bebê! O que foi que eu fiz?!

E o Cae? Ele ainda está se ajustando com o fato de não ser mais o filho único. E agora vai ser irmão de dois! Tadinho do Cae! O que foi que eu fiz?!

E este bebê que está na minha barriga, meu Deus, o bebê deve estar sentindo que eu estou triste. Tadinho do bebê! O que foi que eu fiz?

Tadinho do meu marido, tadinho do Dom, tadinho do Cae, tadinho do bebê! Eu sou uma bruxa em todos os sentidos!

Socoooooooooorro!!! Entrei naquela onda de sentimento de culpa e foi assim a noite inteira.

Finalmente o dia amanheceu. Tentei agir normalmente e não contei nada para ninguém. Eu precisava pensar (como se a noite toda pensando não tivesse sido o suficiente).

Chega Rafaela. Chega desse mimimimi. Criei coragem e liguei para o meu médico.

A secretária mais do que rapidamente entendeu que se tratava de uma emergência (acho que o meu choro, misturado com alguns gritos, e somado ao fato de que eu quase implorei por uma consulta para hoje, para agora, para já, fez com que ela entendesse). Ela disse que eu poderia ir agora mesmo, eles dariam um jeito de me encaixar.

Inventei alguma desculpa para o João (e sinceramente nem consigo lembrar qual foi) e deixei ele com o Dom em casa, enquanto eu fui correndo para o médico.

Chegando lá dei de cara com um consultório lotado. Aparentemente todas as mulheres de San Diego decidiram se reproduzir na mesma época, e marcaram consulta para o mesmo dia, e com o mesmo médico que eu.

Passa uma hora. Uma hora e meia. Duas horas.

O João começa a ligar. Eu não atendo. Afinal, ia falar o que? E começam as mensagens: “Está na hora do Dom mamar, cadê você?” Eu: “Tem leite no freezer. Descongele a banho maria e de pra ele.” João: “Cadê você? Me atende.”

E agora José? A estas alturas ele já tinha me ligado umas 15x. Eu não tinha mais como fugir. Mandei uma mensagem: “Estou no médico. Pode ser que eu esteja grávida. Te ligo quando sair.”

BAM, desliguei o telefone.  Eu não tinha coragem para fazer mais nada naquele momento. O médico me chama. Finalmente!

A ecografia confirma: Gravidíssima. Chorei muito. Uma mistura de emoções. Medo, alegria, tristeza (não vou negar), ansiedade. Tudo junto e misturado.

Sai do médico e fui direto pra casa.

Cheguei em casa, e lá estava o João. Olhei para ele, ele olhou pra mim. Nem precisamos dizer nada. Nós dois começamos a rir. Uma risada meio sem jeito, nervosa, mais cheia de medo do que qualquer outra coisa.

Os dias foram passando e nós fomos caindo de amores por este bebê que estava por vir. Quando recebemos a notícia que seria uma menina, eu quase pulei da maca para dar um beijo na técnica do ultra-som. Já o João (nas palavras dele mesmo) sentiu que todos os cabelos brancos de sua cabeça estavam se multiplicando.

E no dia 23 de Setembro de 2015, quando o nosso caçula tinha acabado de completar 1 ano, através de uma VBA2C (parto vaginal depois de duas cesarianas), nossa Zara chegou ao mundo. Ela veio para completar nossa família e para nos mostrar, mais uma vez, que os planos de Deus são infinitamente melhores do que os nossos.

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03.11.2015

Ligeiramente Grávida – Gi Vasconcelos

Ligeiramente Grávida, To Grávida

Sofrer um aborto espontâneo quando se deseja muito uma gravidez não é nada fácil. Agora imagina dois… e três!!! A Gi escreveu pra gente sobre as suas três gestações que foram interrompidas de forma inesperada e que fizeram seu mundo desabar.

Foram anos de muita dor e sofrimento. Mas com persistência e após um novo exame seguido de tratamento, ela recebeu o positivo mais feliz da sua vida!! Leiam esse relato emocionante!

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Meu marido e eu decidimos engravidar no finalzinho de 2010. Eu tinha 33 anos e ele 43. Eu nunca tinha tentado engravidar antes, então, tantos anos tomando pílula anticoncepcional era para mim um motivo de receio. Eu pensava: será que vai ser fácil?

Seis meses depois, descobri meu primeiro positivo!!! Lembro que em um sábado à noite comprei o teste de farmácia e meu marido perguntou: “Vai comprar mesmo? Não é melhor esperar?” Mas, diferente de antes, eu tinha CERTEZA que estava grávida. Eu sabia. Ponto. Esperei o dia seguinte. Acordei, fui ao banheiro e… bingo!!! As duas listras tão desejadas apareceram bem na minha frente! Minhas mãos e pernas começaram a tremer, saí do banheiro chorando e acordei meu marido dizendo: Não falei que estava grávida! Olha aquiiiii!!!! Lembro que nos abraçamos, rimos muito. Fizemos tanto barulho, que meu enteado passou um papel por debaixo da porta do nosso quarto, onde escreveu: “Tá tudo bem?” Caímos na risada!! Tudo estava perfeito… E como havia sempre sonhado!

Só que eu não sabia o que me aguardava: em questão de pouquíssimos dias, minha vida iria desmoronar. E pela primeira vez…

Acordei neste dia fatídico, sentei na cama e disse para meu marido: Nossa, parece que não estou mais grávida… Não sei explicar, mas senti como se aquela energia tivesse ido embora do meu corpo.

Naquele mesmo dia à tarde, senti um leve sangramento, mas achei que era normal. À noite, o sangramento aumentou e fomos para hospital. Lembro-me de no caminho rezar muito e pedir a Deus que não deixasse o pior acontecer. Fiz todo tipo de promessa possível para que meu bebê ficasse bem.

Infelizmente, recebi a notícia que eu nunca imaginei ouvir um dia… Depois do resultado do exame de sangue, chegou aos meus ouvidos uma frase que parecia surreal: você não está mais grávida, minha linda. Disse a enfermeira de supetão, como se não quisesse mais prolongar a minha angústia da dúvida… Chorei abraçada ao meu marido, mas chorei tão alto, que nem eu sabia que era capaz de chorar daquele jeito. Demorei alguns dias para sair de casa e querer falar com alguém.

Durante o ano seguinte, meu marido e eu fizemos os exames de praxe e nada da gravidez dar o ar da graça de novo. Eu sentia que me aproximava dos 35 anos, fase que conhecidamente caem as taxas de fertilidade natural da mulher e decidi procurar um especialista em reprodução. Fizemos mais dezenas de exames, e sempre a mesma coisa: normais. Para não nos precipitarmos, decidi então começar do primeiro “degrau” do que seriam as alternativas que tínhamos, afinal, se estava tudo normal, não havia porque lançar mão do recurso máximo possível.

E, então, seguimos a ordem:

Coito programado. Resultado: negativo.

Estimulação ovariana leve para produzir mais óvulos. Resultado: negativo.

Estimulação ovariana moderada para produzir ainda mais óvulos. Resultado: negativo.

E os meses iam passando e o meu temor só aumentando. Decidimos fazer então uma inseminação artificial. Decisão difícil, porque eu não imaginava que realmente seria necessário lançar mão deste recurso. Mas, fomos lá! E…sem sucesso novamente!

Para mim, bastava! Decidi que naquele momento iríamos para as cabeças: a fertilização in vitro. Meu marido concordou e assim fomos.

O processo era demorado, dolorido, cheios de medicamentos e cercado de cuidados. Cumprimos tudo à risca.

Uma imensa carga de ansiedade e expectativas! Mas, meu organismo respondeu super bem. Fizemos a coleta dos óvulos. Algum tempo depois, a transferência de 3 embriões. Lembro que saí da clínica já com “cara de mãe” como disse meu marido. Eu só pensava em “flutuar”, nem pisar no chão se fosse possível, somente para proteger meus “pacotinhos” dentro de mim. No dia recomendado, fiz o exame de sangue e… Bingo: positivão!!!! Lindo… Grávida, outra vez. Finalmente!!

Mas, a palavra que me definia naquele momento era MEDO. Não queria passar por tudo novamente, como na primeira gravidez. Só que, logo na primeira ultra, feita pelo próprio médico do tratamento, um triste prognóstico: pela experiência dele, o embrião não estava como deveria e aquela gravidez não iria evoluir.

E lá meu mundo desabava pela segunda vez… Começava então ali a saga das ultrassons: era necessário fazer uma a cada semana para confirmar se o médico estava certo, ou se um milagre iria acontecer…

No que seria o penúltimo exame, chegamos a ouvir o coraçãozinho do bebê bater: o som mais lindo que eu tinha ouvido na minha vida! Só corriam lágrimas em meu rosto de tanta felicidade… A chama da esperança aumentou em nossos corações! Vai dar certo, vamos ter fé, dizia meu marido.

Uma semana depois, no mesmo laboratório, no mesmo aparelho, com a mesma médica, só se ouvia o silêncio… Eu simplesmente não acreditava. Aquilo parecia um pesadelo!!!

Mais dor, mais lágrimas, mais sofrimento. Meu Deus, porquê?? Era só nisso que eu pensava.

Decidi abandonar de vez qualquer tipo de tratamento, pois não me achava preparada para encarar tudo novamente. Medo. Eu tinha MUITO medo de uma nova e dolorosa decepção…

Passados alguns meses, recebi a notícia que seria transferida do meu trabalho para minha terra natal. Que alegria! Estar perto da minha família era tudo que eu precisava… E comecei a cuidar das providências para mudança.

Para minha surpresa, pouco tempo depois: Ué, cadê a menstruação??? Esperei ainda alguns dias e fui direto fazer o exame de sangue. Resultado: Gravidíssima de novo!!! Nem acreditei!! Eu só pensava: puxa, era da minha cabeça, então! Foi só relaxar que tudo deu certo… Claro!!!

Mas, para minha pior surpresa de todas, em poucas semanas, meu mundo desabaria de novo. E pela terceira vez…

Aconteceu exatamente como na segunda perda: chegamos a ouvir o coração do beber bater e, na ultra seguinte, o silêncio mais cruel que existe no mundo…

Aí foi então afundei de vez… Meu chão sumiu dos meus pés. Pude experimentar a pior sensação que alguém pode ter: eu não via mais sentido em minha vida. Passei muitos dias deprimida, só chorava… Eu me perguntava como eu poderia ser uma pessoa tão ruim assim que não merecia gerar um filho! Culpa, muita culpa. Eu me sentia a pior das criaturas… Como eu poderia ter engravidado 3 vezes e ter perdido meus 3 filhos?!!!

Felizmente, quando se chega no fundo do poço, realmente não se tem mais para onde ir, se não para cima… Um dia na praia, depois de um longo momento de tristeza com meu marido, lembro-me de ter olhado para o mar e pensar: chega! Ficar assim não vai resolver… Qual é o meu objetivo? Ser mãe! Então, não vou desistir jamais! Vou lutar até conseguir!

No dia seguinte, escrevi uma carta para meu médico, dizendo mais ou menos assim: depois de Deus, só você pode me ajudar a realizar meu sonho!

De novo, começamos vários exames e um, especialmente, que nunca tínhamos feito antes: o Cross-match. Em uma linguagem simples, este exame avalia qual o grau de rejeição de um organismo às células do sangue de outra pessoa, exame comum para quem faz transplantes de órgãos. E no caso de uma gravidez, também é motivo de investigação quando há os chamados “Abortos de repetição – sem causa aparente”: porque se as células do sangue do marido, presentes no embrião, forem atacadas pelo organismo da mulher, a perda daquela gestação é certa. No meu caso, certas. As três!

Quando vi o resultado do exame, descobri que era esse o motivo de tanta dor e que, felizmente, o tratamento era possível… Chorei de emoção!! Era a luz que eu precisava para seguir naquele túnel…

Após o tratamento, que consiste em injeções bem doloridas, cerca de um mês depois, vi o positivo mais lindo da minha vida!!!!!!!!! Diferentemente das outras gestações, eu sentia uma paz tão grande… Uma calma tomou conta da minha vida de tal forma, que eu só era amor e contemplação. Não sentia mais medo. Minha hora havia chegado. Meu sonho estava se realizando, finalmente!!!!!!

E, em uma quinta de abril, meu menino lindo resolveu vir ao mundo, do jeito mais natural possível… Meu sonho, minha vida, meu tudo. Meu Victor. O vitorioso…

Certa vez, li uma frase que dizia: “Os dias mais importantes da sua vida são: o dia que você nasceu e o dia que você descobre o porquê”. A minha resposta eu descobri naquele dia: para ser mãe! E todo dia eu confirmo esta descoberta, quando vejo os olhinhos mais meigos desse mundo a me sorrir tão docemente…

Tudo, tudo, tudo valeu a pena!!! Aliás, passado? Que passado?! Nós temos é um PRESENTE lindo e um futuro ainda mais. Certeza! ;)
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08.09.2015

Ligeiramente Grávida – Flávia Calina

Ligeiramente Grávida, To Grávida

A querida blogueira Flavia Calina é a nossa convidada de hoje do “Ligeiramente Grávida”.  De todos os relatos lindos que já tivemos aqui, com certeza, esse é um dos mais emocionantes!

Desde pequena, a Flávia sonhava em ser mãe cedo. Mas esse sonho não foi tão simples quanto ela imaginava. Foram 7 anos tentando naturalmente engravidar e com inseminações artificiais! Até que ela decidiu fazer uma fertilização in-vitro e, enfim, recebeu o sonhado positivo!

Uma história emocionante e importante para dar força e esperança a outras mães que estão passando pela mesma situação. Obrigada por compartilhar com a gente, Flávia! Adoramos!

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Desde que me conheço por gente, ou tenho memórias da minha infância, sempre gostei de brincar com bonecas e bebês. Imaginava que as bonecas eram minhas filhas e ficava horas cuidando e brincando com elas. Trocava as roupinhas, levava para passear, acomodava todas elas em minha cama super aconchegante.

Quando era adolescente já pensava no dia em que seria mãe. Nunca sonhei com festa de casamento grande, na verdade não sonhava com casamento em geral, mas sonhava com o dia em que seria mãe e que pegaria meu bebê no colo. No final das contas meus planos e sonhos aconteceram bem diferente do que imaginava ou sonhava. Na época não entendia nada, mas Deus estava cuidando de tudo e de todas as coisas.

Me casei relativamente nova (principalmente para os dias de hoje), com 22 anos disse “sim” na corte nos Estados Unidos. Conheci meu marido Ricardo pelo Orkut e ele estava morando em Ohio por causa do seu trabalho, fiz minhas malas e comecei uma vida nova junto ao meu esposo em 2005.

Quando conversava com meu marido sobre filhos, dizia que gostaria de ser mãe nova, pois sempre me senti preparada para isso. Trabalho com educação infantil desde os 16 anos e ter meu filho seria uma realização e tanto, pois colocaria em prática tudo o que eu fazia com as crianças do outros. Queria de ter meu primeiro filho antes dos 25 anos, acho que fui influenciada pela minha mãe. Minha mãe ficou grávida com 22 anos e sempre amei a nossa diferença de idade e queria a mesma coisa para mim, só que Deus tinha planos diferentes para minha família.

Depois de 1 ano de casados, meu marido concordou em começarmos a tentar engravidar. Depois de 1 ano tentando percebemos que a nossa jornada não seria tão simples como imaginávamos. Foram 7 anos tentando naturalmente, com inseminações artificiais e um tumulto de emoções. No final desses 7 anos, depois de muita oração e ajuda da família, decidimos fazer uma fertilização in-vitro. Apesar de morarmos nos Estados Unidos, resolvemos fazer nossa in-vitro no Brasil para ficar perto da família e pelo tratamento ser mais barato por causa do dólar.

Quando começamos o processo da FIV, não tinhamos ideia do que estávamos nos metendo. É um processo longo (pelo menos para quem está passando) e muito emotivo, pois a gente deposita toda a nossa fé em um tratamento que pode nos dar o maior sonho de nossas vidas. Tomei as injeções, retiramos os óvulos, implantamos os embriões e esperamos 2 semanas para saber o resultado. Essas duas semanas foram as semanas mais difíceis da minha vida, pois a espera, a incerteza, os sintomas de menstruação me deixavam muito emotiva e apreensiva, mas não havia mais nada que eu poderia fazer a não ser orar e esperar.

Um dia antes de fazermos o exame de sangue oficial para saber do resultado, resolvi comprar um exame de farmácia para fazer em casa. Li na internet que se estivesse mesmo grávida, que conseguiria um resultado eficaz. Primeiro eu não queria contar para ninguém que eu iria fazer o teste, pois a expectativa era muito grande e tinha medo de não só me decepcionar, mas de decepcionar a todos.

Durante todo o tratamento fiquei na casa da minha mãe e nossa família é muito grande e próxima então tem sempre gente por perto. Esconder o teste seria praticamente impossível, por isso acabei falando para minha mãe e meu irmão (que estava em casa naquele momento) que iria fazer o teste. Chamei meu marido para ir ao banheiro comigo, porque apesar de ter uma plateia esperando, aquele era o nosso momento mais do que especial, depois de tanta espera precisávamos daquele momento juntos, só nosso. Entrei no banheiro, fiz o teste no palito e coloquei em cima da pia para esperar os minutos recomendados pelas instruções.

Para nossa surpresa, o positivo apareceu em questão de segundos, e por um momento eu não conseguia decifrar se as linhas eram de positivo ou negativo. Olhei para meu esposo e falei: “é positivo? olha na caixinha…. é positivo?” e ele disse que sim!!! Nos abraçamos, choramos, gritamos e sai correndo do banheiro para dar a noticia a todos! Foi uma das maiores emoções que já senti em toda minha vida. Eu NUNCA tinha visto um resultado positivo em um palitinho, parecia que aquilo tudo era um sonho, que era de mentira, mas ao mesmo tempo estávamos ali gritando e nos abraçando de felicidade. Dobramos nossos joelhos e agradecemos a Deus na mesma ora pela benção que ele tinha nos dado.

Minha mãe, em questão de segundos, saiu do quarto com um livro sobre gravidez na mão que tinha comprado e preparado para mim, pensei: isso que é fé, vocês não acham? No livro ela escreveu muitas coisas lindas e a gente só chorava. Foi muito emoção a partir desse dia pois meu medico não deixava a gente comemorar por completo pelas probabilidades de abortos espontâneos, mas depois de 12 semanas começamos a respirar mais tranquilamente e a curtir a cada momento da gravidez que foi único para mim. Apesar de AMAR estar grávida, por ter sempre sonhado com a sensação, eu não via a hora de ver a carinha da minha filha.

O dia em que minha filha Victoria nasceu foi o dia mais mágico da minha vida, inclusive filmei tudo e coloquei no YouTube, pois precisava compartilhar minha experiência, meu milagre e minhas alegrias.

Sou muito grata a Deus por ele ter me dado esse privilegio e oportunidade de ser mãe da menina mais doce desse mundo!

A maternidade só me fez ser uma pessoa melhor, me fez enxergar a vida com muito mais cor e mais beleza, me fez mudar minhas prioridades e me abriu um mundo de muito mais esperança e alegria.

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