06.09.2016

Amamentação: Você já ouviu falar de Mastite?

Bebês, Saúde, Vida de Mãe

fernanda rodrigues_amamentacao_mastite

Eu já tinha ouvido falar em mastite, mas na verdade não sabia direito o que era. Precisei sentir na pele pra entender o que é! Ou sofrer o que é….

Achei importante dividir aqui com vocês pra quem sabe ajudar outras mamães que possam estar vivendo esse momento ou ainda vão passar por isso, né?

Vamos lá.

Quando o Bento tinha 3 meses (agora ele já tem quase 7) eu estava produzindo muito leite e ele mamando super bem, tudo correndo na mais perfeita ordem…até que de repente fui sentindo meu peito ficando duro, inchando e ficando quente.

Na hora não dei muita atenção e achei que era algo normal da amamentação, mas foi piorando, piorando e no final do dia era uma dor insuportável. Não conseguia encostar no peito que doía demais!

Comecei a passar muito mal e ter calafrios, tremedeira e uma febre como se fosse febre interna mesmo. Um horror! Nunca passei nada parecido com isso. Uma dor que nunca imaginei sentir….

Berrava de dor! Até que consegui falar com a médica que mandou eu entrar no chuveiro e deixar água quente cair nos seios e ir massageando…

Meu deus, que coisa dolorida…

Depois de um tempo sai do chuveiro e fiz compressa de água quente também! Então chegou a hora: “você precisa amamentar e fazer ele esvaziar seu peito”.

Lá fui eu sem raciocínio de tanta dor tentar amamentar meu filho…na hora que ele pegou o bico eu praticamente fui na luaaaa! Aaaahhhh que dor!!!

Ele mamava e eu berrava. Pesadelo total!

Até que foi melhorando aos poucos, minha respiração foi voltando ao normal e eu fui me acalmando…

Ainda fiquei uns dias com os seios doloridos e um certo medo de amamentar de novo! Um trauma mesmo, mas depois foi voltando tudo ao normal!

Diante disso resolvi pesquisar mais sobre o assunto e postar aqui pra vocês mais informações e dicas de Mastite que podem ser feitas caso isso aconteça.

Espero de verdade ajudar de alguma forma pra que vocês não passem por isso, ou se passarem, que pelo menos você seja mais rápida do que eu na hora de agir. Ninguém merece essa dor!

Se cuidem meninas. Vejam as informações da nossa parceira ginecologista e obstetra, Dra. Viviane Monteiro, sobre mastite.

A mastite é uma infecção aguda das glândulas mamárias no período da amamentação. O quadro clínico pode variar desde uma inflamação local até a formação de abcesso, podendo levar a septicemia. Outros sintomas também são bem frequentes, tais como mal estar, febre, fraqueza e calafrios.

Geralmente é unilateral e ocorre a partir da segunda semana de pós parto, podendo também acontecer em qualquer período da lactação. A localização na mama pode ficar restrita a aréola ou comprometer toda a mama.

A incidência é de 2 a 6% das mulheres no período de amamentação, sendo recorrente em 6,5% delas.O tratamento incorreto pode levar a complicações, tais como abcesso (5 a 11% das mastites) e sepse. A bactéria mais comum é Staphylococcus aureus (50 a 60% dos casos), mas também podem ser encontradas bactérias como Staphilococcus epidermides, Enterobacter, Klebsiella sp e E. coli.

A paciente deve ser avaliada pelo médico assistente ou em um Banco de Leite por profissionais especializados, definindo o tratamento ideal. Algumas medidas de suporte também devem estimuladas, tais como:

– Repouso para amamentar;
– Massagem local com movimentos circulares;
– Manter a amamentação, principalmente na mama acometida. Pode iniciar pela mama não afetada, podendo fazer o esvaziamento da mama acometida através da sucção do bebê ou ordenha manual;
– Variar a posição do bebê nas mamadas, objetivando o esvaziamento completo das mamas;
– Aumentar a ingestão de líquidos e alimentação adequada.

Quando as medidas de suporte não são suficientes, o uso de antibiótico se faz necessário por 10 a 14 dias. A drenagem local pode ser realizada como terapêutica invasiva em casos de abcesso.

Algumas ações podem evitar o aparecimento da mastite, tais como:

– Amamentar frequentemente;
– Prestar atenção na posição correta da pega;
– Evitar cremes e óleos nas mamilos, podendo alterar a flora local;
– Exposição das mamas ao Sol no tratamento das fissuras e
– Uso de sutiãs adequados.

Esse texto contou com a colaboração da parceira do blog, Dra. Viviane Monteiro que é ginecologista e obstetra – Especialista em Medicina Fetal, ultrassonografia em ginecologia e obstetrícia pela CBR e mestre em Ciências Médicas UFF. Consultório em Ipanema: (21) 2511-4478/ (21) 2259-6652

 

Fernanda Rodrigues