
Por que parece ser tão difícil dizer que uma mãe também tem desejos, vontades e sonhos próprios?
A Kiara tinha seis meses de vida. Eu estava naquele momento de “quem sou eu, pra onde eu vou, pra onde eu fui, o que eu vou fazer da minha vida, o que vai ser? Eu sou um com bebê, eu não sou um com bebê, o que eu sou?”.
Aí eu falei: eu preciso de uma análise.
A primeira frase que eu falei quando eu entrei no consultório foi: “Olha, agora eu sou mãe, mas o problema é que eu ainda tenho outros sonhos, outros desejos”.
Logo de largada, a resposta dela foi: “E agora, mais do que nunca, você tem que correr pra realizar seus sonhos. Você tem que ir com mais sangue nos olhos ainda, porque você é o exemplo da sua filha. Ela vai se sentir, ela vai perceber, ela vai ver como você volta feliz pra casa quando você está realizada, quando você faz uma coisa que você gosta, quando você luta pra existir no mundo. A maternidade não te exclui da sua existência, a maternidade te coloca mais potente ainda na sua existência”.
E aí eu percebi que eu tinha uma ideia idealizada da maternidade, como se ser mãe fosse o objeto da felicidade em si.
De onde veio essa idealização? Não sei. Da minha casa não foi, porque minha mãe sempre trabalhou fora. Sei lá, eu acho que eu vi filme demais.

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