To Grávida

Arte não é passatempo. É formação.

Toda vez que levo a Kara para um teatro, um museu, uma exposição, reparo em algo curioso no comportamento dos adultos ao redor. Existe um padrão: muita gente ainda trata a arte na infância como recreação, algo bom para preencher o tempo livre, mas secundário diante do que seria “realmente importante”.

Eu penso diferente, e não é só opinião. A UNESCO já colocou a educação artística como parte essencial do desenvolvimento do indivíduo. Isso muda a forma de olhar para o assunto, porque quando uma criança dança, canta, desenha ou inventa uma história, ela não está apenas se distraindo. Está entrando em contato com as próprias emoções. Está aprendendo a pensar, a existir, a sentir o mundo com mais camadas.

A arte estimula a criatividade, a imaginação, o autoconhecimento. Por isso vai muito além de decorar uma coreografia ou aprender uma técnica. É sobre ter contato com aquilo que se sente.

Quando uma criança cresce cercada de livros, teatro, dança, canto, exposições, tudo que estimula a sensibilidade dela, ela amplia a capacidade de se expressar. E amplia também a capacidade de enxergar a beleza e a dor no mundo, e em si mesma.

Isso fica comigo mesmo quando penso na minha própria trajetória, ou em como quero estar presente na vida de quem vem depois de mim, seja um filho, um neto, uma sobrinha. A pergunta que fica não é se vale o esforço de levar uma criança para um museu num sábado. É que tipo de repertório emocional estamos ajudando a construir.

Karin Roepke
Quem escreve
Karin Roepke Atriz
Atriz, bailarina e produtora brasiliense, formou-se em arquitetura antes de seguir o coração para as artes cênicas. Com décadas de carreira, é presença marcante na TV e no teatro.
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