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Estudo mostra que o excesso de telas pode estar ocupando espaços importantes da infância

Uma pesquisa recente da OCDE acendeu um alerta importante sobre a relação entre crianças pequenas e telas. O estudo, divulgado pelo Jornal Nacional, analisou hábitos digitais em nove países e mostrou que crianças de 5 anos que usam celulares e tablets diariamente apresentam desempenho menor em áreas importantes do aprendizado, como vocabulário, números e medidas.

No Brasil, metade das crianças dessa idade já usa dispositivos eletrônicos todos os dias.

E talvez a questão mais importante não seja apenas o tempo de tela em si. Mas o que deixa de acontecer enquanto a infância está ocupada por ela.

Porque desenvolvimento infantil não acontece apenas através de conteúdo. Ele acontece principalmente através de experiência.

Uma criança aprende linguagem ouvindo conversas reais, emoção observando expressões, criatividade brincando, atenção escutando histórias, vínculo convivendo.

O problema é que o celular ocupa justamente o espaço onde muitas dessas experiências costumavam acontecer naturalmente.

A pesquisa levanta uma hipótese importante: muitas crianças estão trocando atividades mais ricas para o desenvolvimento por um consumo digital que, na maior parte das vezes, não tem objetivo educativo. Não é sobre demonizar tecnologia. Ela já faz parte da vida contemporânea e também pode trazer repertório, entretenimento e praticidade para famílias cansadas.

Mas existe uma diferença entre usar tecnologia como ferramenta e transformar a tela na principal forma de ocupar a infância.

Por isso tantas escolas e educadores estejam tentando recuperar experiências que pareciam simples em outras gerações: leitura em família, brincadeiras livres, tempo ao ar livre, conversa durante as refeições e momentos sem estímulo imediato.

O próprio estudo mostrou outro dado importante: enquanto apenas 14% das famílias brasileiras leem para os filhos pelo menos três vezes por semana, em outros países pesquisados esse hábito é muito mais frequente.

As crianças nunca tiveram tanto acesso a conteúdo. Mas estão vivendo menos experiências profundas de presença.

Fonte: reportagem do Jornal Nacional sobre pesquisa da OCDE divulgada em maio de 2026.

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