Três filhos de uma só vez!! Coitada dessa mãe?!? Que nada…A psicóloga Mariana Pierotti contou pra gente sobre a felicidade e a emoção triplicada que sente a cada conquista dos seus filhos.
Confiram que lindo esse relato! ;-)

Coitada, eu? – por Mariana Pierotti
Tenho 40 anos e filhos trigêmeos de 11 anos. Dois meninos e uma menina. Meus três amores, filhotes queridos, as pessoinhas mais importantes da minha vida. Curti tudo e curto tudo até hoje. Desde a reprodução assistida, feita devido à vasectomia realizada pelo meu marido ainda no primeiro casamento, a gravidez, os primeiros cuidados, a fase deles bem pequenos e agora também nessa nova etapa.
Mas, para falar do início tenho que explicar o título do meu texto. Toda vez que as pessoas me viam barriguda ou com as crianças pequenas diziam: “coitada!”. Sempre detestei essa enunciação. Nunca entendi o porquê dessa exclamação. Eu explicava o mesmo: que não era coitada por ter tido três bebês de uma vez só, mas uma abençoada, felizarda, sortuda, qualquer adjetivo que pudesse colocar em palavra aquele sentimento maravilhoso de ter uma mini creche em casa. Isto porque para mim, cuidar de três, amamentar os três, viver grudada com os três sempre foi a melhor coisa do mundo. Mas, depois de um tempo eu entendi o tal do “coitada!”.
Certas pessoas enxergam a maternidade como um fardo, as noites mal dormidas como um terror, as doenças infantis como uma catástrofe, então, imagine para elas uma gravidez múltipla? Pois, pra mim, foi um sonho. E explico. Foram três chorinhos no nascimento, emoção triplicada que pôde ser sentida com minutos de diferença, tornando aquela hora na mais incrível de toda a minha vida. Depois, meu marido, ao meu lado, cortando três cordões umbilicais, que sensação doida, ser separada de três de uma só vez mas que ainda estavam tão juntos de mim. Em seguida, a lida, não batalha porque não tiveram nada grave, na UTI neonatal, um fazia companhia para o outro, lado a lado nas incubadoras.
Na chegada em casa, o quartinho com três berçinhos que se encostavam um no outro no embalo das canções de ninar que eu e meu marido cantávamos para nosso trio maravilha. Amamentar os três, uma farra. Era planilha de Excel para não furar o revezamento e estrelinha no caderno para quem mamava bem. Sempre foram bons de boca, ou melhor, de bicos. E de caretas também. Que delícia cada pequeno gesto, cada descoberta: a primeira palavra (mamãe, claro), os primeiros passos, os soluços, os dentinhos caindo, o bater palmas (gesto que parece tão simples mas que nem lembramos que é aprendido), todos os detalhes. Acho que é disso que é feita a maternidade, seja ela única, dupla, tripla, como for, de amor e de detalhes.
É claro que nem tudo foi um mar de rosas, as doideiras pelas quais passei para administrar os três vomitando ao mesmo tempo, as mil e uma viroses que passavam de um para o outro e como eu me tornei a “mulher elástica” dos “Incríveis” para dar conta de atender aos três sem deixar a peteca cair. Por ora, só queria contar que de coitada não tenho nada.

Mariana Pierotti – mãe do Leonardo, da Carolina e do Gustavo, de 11 anos.
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