Vida de Mãe

Sinais inconfundíveis de que você virou a sua mãe

Existe um momento na vida de toda mulher em que ela se dá conta: aconteceu. Aquela frase que saiu da sua boca, aquele gesto automático, aquele jeito de fechar a geladeira. Tudo igualzinho à sua mãe.

Por mais que você tenha passado a adolescência inteira jurando que nunca ia ser assim, a vida dá risada. Virar a sua mãe não é castigo. É um destino coletivo das brasileiras, e tem muito mais graça do que drama.

Você joga o pano de prato no ombro automaticamente, a mão vai na cintura e o pé direito apoiado na perna esquerda. Você fala sozinha no supermercado: lista de compras, cálculo mental, comentário sobre o preço do azeite, tudo em voz alta, sem se importar com quem está ouvindo. Você começou a dar aquele olhar. Sabe qual? Aquele que paralisa a criança no meio do sorvete, sem precisar falar uma palavra. Você jurou que nunca ia dar esse olhar.

Fecha a geladeira com o pé quando está com as mãos ocupadas.Você fala “olha o tom de voz” quando seu filho aumenta o tom. Sua mãe falava isso. Você odiava.

Diz “porque eu estou mandando” quando cansa de justificar, e faz isso com uma convicção que te assusta. Você tira a comida do prato do seu filho e come, ainda que tenha acabado de falar que não estava com fome. Prática ancestral. Você faz sem saber por quê.

Você gritou o nome completo dele pela primeira vez. Nome, sobrenome do pai, sobrenome da mãe. E um silêncio se instalou na casa. Você entendeu o poder que sua mãe sempre teve.

Um dia, em algum momento banal, você abriu a boca e saiu: “enquanto estiver debaixo do meu teto, segue as minhas regras.” Você parou. Olhou pro vazio. Sentiu uma presença: a sua mãe, sorrindo em algum lugar do universo. Foi ali que aconteceu. Oficialmente. Sem volta.

No fim, virar a mãe da gente não é tão ruim assim. Aquelas frases que pareciam absurdas faziam sentido. Aqueles gestos que pareciam exagerados protegiam. Aquele olhar fatal funcionava. Nossa mãe estava certa em tudo, e isso é a coisa mais difícil de admitir na vida adulta.

Você já notou algo que você faz hoje e que é “a cara da sua mãe”?

Cheguei ao Mundo
 
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