
Tem uma coisa que ninguém avisa sobre ser mãe: o olhar do filho muda várias vezes ao longo da vida, mas o nosso não muda nunca.
No começo, o olhar dele era só pra gente. Bastava chegar perto do berço pra ele parar de chorar, como se a gente fosse a resposta pra tudo. Depois vêm as fases: a criança que quer mostrar cada descoberta, o adolescente que já guarda um pouco mais pra si, que às vezes some no meio de uma conversa, que troca o colo por um abraço rápido, de lado, sem aviso.
E é fácil achar que esse distanciamento significa que ele cresceu e não precisa mais da gente do mesmo jeito. Até que, num dia qualquer, ele olha de um certo jeito — cansado, ou machucado, ou só mais sozinho do que o normal — e ali, por um segundo, é o mesmo olhar de quando a gente trocava a fralda de madrugada, sem ninguém olhando. E a gente reconhece na hora, antes mesmo de ele dizer qualquer coisa.
Talvez seja por isso que, não importa a idade que ele tiver, a gente continue vendo um bebê. Não porque a gente não enxerga quem ele está se tornando, mas porque uma parte da gente vai sempre lembrar de quem ele foi primeiro.
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